Segunda-feira, 31 de Agosto de 2020

TUDO O QUE NÃO VEMOS- ZIYA TONG

 

Estamos a caminhar para a autodestruição do Planeta Terra. As alterações climáticas são evidentes, a poluição está a aumentar todos os dias, os glaciares polares estão a derreter, os recifes dos corais estão a desaparecer bem como algumas espécies de animais terrestres e aquáticos. Isto é o que podemos ver mas há muitas coisas escondidas ( ângulos mortos ) que só através de lentes científicas podemos observar. O livro atrás referido como título desta crónica trata com desenvolvimento todos os ângulos mortos da realidade que não vemos. O livro tem como autora Ziya Tong e está dividido em 3 capítulos. No 1º capítulo aborda os ângulos mortos com que todas as pessoas nascem e revela como a ciência e a tecnologia permitem ver para além  dos nossos limites ; o 2º capítulo trata dos ângulos mortos colectivos e investiga  como caímos na cegueira de forma voluntária ; no último capítulo são examinados os ângulos mortos geracionais, isto é,  formas  de pensar o mundo que parecem naturais e inevitáveis mas que são na verdade maneiras de ver herdadas e passadas de geração em geração.

1-Ângulos mortos biológicos. A nossa constituição biológica não nos permite ver organismos muito pequenos como as bactérias e os micróbios. Para isso temos que usar um microscópio. Para vermos através de vastas distâncias no espaço temos que usar telescópios. As lentes tecnológicas têm de ser usadas tanto para olhar para dentro do corpo humano como para espreitar os próprios átomos que compõem o mundo material.

Na tentativa de eliminar parasitas indesejados lançamos sobre as nossas plantas e os nossos solos mais de 2 milhões de toneladas de pesticidas. Cinquenta por cento da vida na Terra é invisível  e no entanto é responsável  por tornar o planeta habitável. Os cientistas sabem agora que as mais ínfimas formas de vida na Terra têm a responsabilidade de fazer com que sistema à escala planetária funcione e isto inclui o próprio ar que respiramos e os alimentos que comemos. As mais insignificantes formas de vida na Terra desempenham um papel essencial na criação dos sistemas que sustentam a vida no planeta . Há muito que somos cegos aos serviços invisíveis que as bactérias prestam pois devemos-lhe a nossa vida. As coisas que vemos  não são sistemas fechados poi necessitamos da energia do mundo à nossa volta para manter a existência. Devido aos nossos ângulos mortos não somos capazes de ver como estamos intimamente ligados ao universo à nossa volta.

2-Ângulos mortos Sociais.  Colectivamente caímos na cegueira de forma voluntária. Os nossos alimentos vêm de lugares que nâo vemos; a nossa energia é produzida de forma que não entendemos; os nossos resíduos desaparecem sem termos de nos preocupar com isso. Ao utilizarmos os combustíveis fósseis vamos libertar 45% mais de dióxido de carbono do que aquele que estaria naturalmente na atmosfera. Deixámos de usar os nossos resíduos  para cultivar alimentos no solo e voltámo-nos para adubos químicos. Este é o sistema que nos sustenta na Terra e o nosso suporte de vida. E os resultados ruinosos  que ele provoca aumentaram rapidamente: sobrepopulação, alterações climáticas e zonas mortas.

3-Ângulos mortos civilizacionais. Há verdades que as pessoas  não vêm e desconhecem ou não ligam qualquer importância encarando com normalidade mesmo as coisas mais aberrantes. O O Tempo é imperceptível e não tem um valor  absoluto mas relativo. Este é o nosso ângulo morto pois confundimos a nossa medida humana com o próprio tempo. Se tivermos 2 relógios um na Terra e outro em Júpiter eles movem-se relativamente um ao outro a diferente ritmos de velocidade  e marcariam nos mostradores horas diferentes. A hora também não é igual aqui na Terra e a 20 Kms de altitude no espaço. Os relógios que estão mais afastados da sua gravidade sentem menos o seu efeito e andam mais devagar. As alterações climáticas estão a desequilibrar muitas espécies e ecossistemas As abelhas que fazem a polinização de muitas plantas não a estão a fazer na devida altura pondo em risco as colheitas. A invenção do relógio humano veio impor um ritmo artificial ao nosso tempo e às mudanças do nosso ritmo de vida

Espaço. Segundo dado estatísticos temos o acesso vedado a 99% do mundo à nossa volta. O mundo sem limites torna-se um mundo medido. As medidas não definem somente as fronteiras do nosso mundo mas também definem quem o ocupa. Segundo dados que foram recolhidos 33 milhões de hectares de terra em todo o mundo foram tomados a camponeses e agricultores e vendidos a estrangeiro. Na China devido à falta de alojamentos muitos pobres foram obrigados a viver debaixo da terra. Em Pequim cerca de 1 milhão de pessoas vivem numa rede subterrânea de antigos abrigos antiaéreos.

Robôs humanos. Actualmente há câmaras de vigilância quase em todos os países do mundo. Todo o nosso planeta está rodeado por olhos. Somos seguidos por câmaras que estão no céu a 35 Kms e digitalizando. Mas não damos por isso. Se essa vigilância nos protege de criminosos a verdade é que também é uma intrusão na vida privada das pessoas.

O Império vai Nu. Vivemos numa época em que as desigualdades são evidentes. O fosso entre ricos e pobres é de tal ordem que as 42 pessoas mais ricas do planeta têm tanto dinheiro como a metade mais pobre da população mundial. Enquanto os nativos da Austrália ficavam satisfeitos se a natureza lhe satisfizesse as necessidades básicas na sociedade capitalista moderna o excesso é uma necessidade. Numa economia assente no crescimento é preciso produzir, consumir e deitar fora.

Na parte final do livro a autora Ziya Tong reflecte sobre aquilo que é necessário fazer para salvar o nosso planeta. Na alegoria da caverna de Platão os prisioneiros ao verem sombras de pessoas projectadas nas paredes da caverna pensaram que eram reais e confundiam a aparência com a realidade. Também nós humanos muitas vezes ficamos cegos e não vemos a verdadeira realidade que os cientistas nos transmitem: a poluição da Terra a aumentar,e algumas espécies de animais a desaparecer. Não vemos que o ritmo infernal da vida que levamos é criado por nós. Ziya Tong diz e muito bem que « Se queremos sobreviver e chegar ao século XXII vamos precisar de um novo modelo global. Temos de alterar o sistema que construímos cujo objectivo é ser dono do máximo de coisas possível: ser dono do tempo, do espaço, de alimentos, de energia, de tudo excepto do lixo. Se uma revolução destruir um governo mas os padrões sistemáticos do pensamento permanecerem os mesmos então esses padrões irão repetir-se »

publicado por pontodemira às 14:34
link | comentar | favorito (1)

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Abril 2021

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29


.posts recentes

. COMO EVITAR UM DESASTRE C...

. SONHEMOS JUNTOSO- CAMINHO...

. EUTANÁSIA: SIM OU NÃO

. O REGRESSO DA ULTRADIREIT...

. DEUS E O MERCADO

. A TERRA INABITÁVEL-Como v...

. CARTA ENCÍCLICA: FRATELLI...

. A Democracia em decadênci...

. BOA ECONOMIA PARA TEMPOS ...

. TUDO O QUE NÃO VEMOS- ZIY...

.arquivos

. Abril 2021

. Fevereiro 2021

. Janeiro 2021

. Dezembro 2020

. Novembro 2020

. Outubro 2020

. Setembro 2020

. Agosto 2020

. Julho 2020

. Junho 2020

. Abril 2020

. Janeiro 2020

. Dezembro 2019

. Novembro 2019

. Outubro 2019

. Setembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Maio 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Outubro 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Setembro 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Outubro 2014

. Julho 2014

. Maio 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

blogs SAPO

.subscrever feeds

Em destaque no SAPO Blogs
pub