Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

A globalização em análise

 

1-Portugal foi um país pioneiro na globalização. Situado num pequeno rectângulo da Península Ibérica cedo verificou que a única saída para se desenvolver seria o mar. Em 1415 conquistou Ceuta no Norte de África e… não mais parou. Do Oceano Atlântico seguiu para o Índico e depois para o Pacífico. Chegou à Índia, ao Brasil, a Macau ao Japão e a Timor. E assim começou a estabelecer relações comerciais com os povos que conheceu. Criaram-se entrepostos comerciais em Ceilão, Malaca, Timor e Nagasaqui. Plantas, especiarias, conhecimentos , técnicas, começaram a cruzar o Mundo em todas as direcções. A Portugal chegaram a pimenta e a seda da Índia e ouro e o açúcar do Brasil. Todas as mercadorias vêm para Lisboa aonde acorrem mercadores de toda a Europa para negociar. Este foi o lado positivo que gerou riqueza e desenvolvimento mas não nos podemos esquecer que na extracção do ouro e no cultivo da cana do açúcar foi utilizada mão de obra escrava. Muitos nativos foram transportados de África para o Brasil para trabalharem como escravos. O Padre António Vieira insurgiu-se contra esta situação e foi a figura que mais se empenhou na libertação dos escravos.

2- No século XX e após a 2ª Guerra Mundial começa a 2ª fase da globalização. O desenvolvimento tecnológico e científico permite comunicações mais rápidas por terra, mar e ar. Mais tarde com o aparecimento da televisão as notícias correm céleres. Os acontecimentos vêem-se no próprio momento em que ocorrem. A queda do Muro de Berlim acelerou a marcha da globalização. Depois foi a abertura ao Mundo tanto da China como da Índia. Com Deng Xiaoping dá-se a modernização da China que em 2001 acaba por integrar a Organização Mundial do Comércio e vem a tornar-se a principal potência exportadora em 2009. A liberalização do comércio e da economia foi ganhando força e para isso contribui Reagan nos Estados Unidos e Margareth Tahacher na Inglaterra. A tese que o Mercado tudo regula sem a intervenção do Estado era tida como infalível. É verdade que a pobreza extrema diminuiu drasticamente na Ásia e até na Europa. Apenas a África ficou parada e não acompanhou o desenvolvimento global. Como não se industrializou viveu sempre dependente das reservas naturais e das matérias primas que os países ricos compravam e de um poder oligárquico corrupto.

Com a crise económica de 2008 e a bancarrota do Banco Lehmann Brother começou a desconfiar-se da bondade da livre circulação de bens e capitais. Aparecem os discursos nacionalistas e protecionistas de Donald Trump e da extrema direita europeia. Ergueram-se barreiras para os emigrantes que queriam entrar nos Estados Unidos , na Inglaterra e até noutros países europeus como a Hungria. A mão de obra barata de alguns países asiáticos levou ao fecho e à deslocalização de algumas empresas da Europa. Daqui resultou mais desemprego em muitos países. Também em Portugal algumas empresas transferiram a sua sede para países como a Holanda e a Dinamarca onde o regime fiscal é mais benévolo. Muitas pessoas colocaram o seu capital em offshores para fugir aos impostos.

Numa sociedade global sem barreiras alfandegárias tudo é possível.. Mas para que a globalização possa sobreviver será necessário que os países envolvidos aceitem e respeitem determinadas regras das quais convém destacars: 1-uniformização das leis fiscais ; 2-imposição de regras laborais e ambientais; 3-respeito pelos direitos humanos.

Há portanto que regular os mercados para evitar que os ricos se tornem cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

publicado por pontodemira às 21:40
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