Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010

BENTO XVI E O USO DO PRESERVATIVO

Numa viagem  para África, Camarões e Angola, o Papa Bento XVI ao ser interpelado pelos jornalistas disse que o preservativo não era uma solução ou o caminho mais seguro para conter a propagação da sida. Choveram logo as críticas e os protestos pois de uma maneira geral toda a gente pensava o contrário.

 

Recentemente está a ser publicado em várias línguas o livro “ Luz do Mundo “ no qual o Papa em conversa com o jornalista alemão Peter Seewald fala de si, da Igreja e dos sinais dos tempos. Através da Internet tive acesso a um extracto dessa entrevista onde são abordados entre outros assuntos, a intolerância religiosa, os casos de abuso na Igreja e ainda o uso do preservativo. Os media deram mais realce ao uso do preservativo fazendo crer  que Bento XVI tinha mudado radicalmente a sua posição a este respeito. Mas o Papa continua , no entanto a afirmar que o preservativo não é uma solução para a sida, embora o admita em certos casos. Diz ainda que é preciso estar próximo das pessoas, orientá-las, ajudá-las , e isso quer antes quer depois de uma doença. Depois para não se cair na banalização da sexualidade o caminho a seguir seria o da teoria secular do ABC ( Abstinence, Be faithfull, Condom ) ou seja Abstinência, Fidelidade e preservativo.  Deste modo é fácil concluir que o preservativo seria a última alternativa, quando as outras duas já não funcionam. Continuando o seu raciocínio o Papa diz que “a sexualidade deve ser vista como expressão de amor entre pessoas e não como uma espécie de droga que se  administra a si próprio. O que está em causa é que a sexualidade se possa valorizar positivamente e se desenvolva no todo de ser pessoa “. Bento XVI admite ainda algumas situações pontuais em que a utilização do preservativo se justifica como são os casos de prostituição. De qualquer forma terá que “ser feito um esforço e terão que ser dados passos para desenvolver a consciência de que nem tudo é permitido e que se não pode fazer tudo o que se quer. O verdadeiro caminho terá que ser sempre o da humanização da sexualidade. “

 

Compreendo e concordo perfeitamente com o pensamento de Bento XVI. Nesta matéria há que ter em conta a máxima prudência.  O aconselhamento do preservativo “ tout court “ poderia criar nas pessoas e sobretudo nos jovens o sentimento de libertinagem e de banalização da sexualidade.  Há  que dignificar a pessoa e valorizar o acto sexual evitando a prostituição e a promiscuidade. Só pela moralização do comportamento sexual se conseguirá o uso indiscriminado do preservativo. E para um cristão não se está a pedir demais. É que o verdadeiro caminho, como diz o evangelho, é o da entrada pela porta estreita ou seja não é o das facilidades mas o que se consegue pela superação das dificuldades do dia a dia.  Um cristão tem de contar sempre com níveis  ou patamares de exigência elevados.

 Há, no entanto alguns aspectos da doutrina da Igreja com os quais não concordo. Diz o catecismo da Igreja católica que a regulação da natalidade tem de ser feita através de métodos naturais como por exemplo a utilização dos períodos infecundos da mulher. Deste modo não há lugar para a pílula ou para o preservativo..  Mas, ou a procriação é obrigatória para os casais e a utilização do período infecundo seria um desvio  ou “ batota “ ou não é obrigatória  e então não vejo qualquer mal se forem utilizados processos mais seguros como a pílula ou o preservativo. Como a vida de hoje não permite aos casais terem muitos filhos é importante a regulação da natalidade de forma  que não haja  recurso, esse condenável, ao aborto.

 

 

FRANCISCO MARTINS

publicado por pontodemira às 20:11
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