Este é o título de um livro em que o economista Thomas Piketty e o filósofo Michael J. Sandel abordam o tema da Igualdade e debatem a desigualdade propondo soluções.
Ao longo dos anos sempre houve desigualdades sociais. Elas foram maiores há cem ou duzentos anos. Hoje têm vindo a diminuir mas ainda existem tanto na Europa como nos Estados Unidos e na América, na Índia e no Brasil. Com a Revolução Francesa foram abolidos os privilégios da aristocracia. No século XIX foi abolida a escravatura. No século XX surgiu a ascensão dos movimentos sindicais, do sufrágio masculino universal e do sufrágio feminino universal. As desigualdades têm a ver não só com os rendimentos básicos, mas também com a igualdade política e a dignidade das pessoas. Para a prosperidade é necessário um aumento de um sistema socioeconómico mais inclusivo e igualitário e um acesso mais inclusivo à educação. Para Sandel tem que haver uma tributação mais progressiva, um desenvolvimento mais pleno do Estado-Providência e impostos sucessórios que garantam heranças para todos. Os bens humanos fundamentais podiam ser desmercantilizados tais como o acesso à educação, à saúde, à habitação, à voz e influência e participação política. Se a desmercantilização for suficientemente longe é evidente que a desigualdade monetária se torna quase irrelevante. Se a educação for altamente mercantilizada surge obviamente a questão do acesso desigual. A globalização conduz também ao populismo. Piketty diz que se não controlarmos o comércio livre não controlamos os fluxos de capitais e veremos as alternativas nativistas e nacionalistas promovidas por Trump. É preciso controlar muito mais os fluxos de capitais e fluxos de comércio. Com o fluxo de mão de obra é necessário haver regras sobre como pagar a educação e a habitação das pessoas que chegam. Por outro lado a Teoria do Mérito é o terceiro pilar da era neoliberal. Assim temos a globalização, a financialização e a meritocracia. Para ter mérito na entrada na Universidade é preciso que as oportunidades sejam iguais para todos. As crianças com pais pobres tendem a ser pobres na idade adulta.. As Universidades haviam de ter regras de admissão para todos, ou talvez dar mais oportunidades a pessoas vindas de famílias com baixos rendimentos. Havendo muitos candidatos deveria ser usado um sorteio entre os que estão bem qualificados. A Universidade de Havard nos EUA costuma dar prioridade no acesso de candidatos filhos de pais que frequentaram a Universidade ou de doadores. Poderia haver mais recursos para a educação com um sistema fiscal mais equitativo e uma tributação fortemente progressiva de rendimentos e de riqueza. Piketty defende mesmo uma espécie de Estados Unidos do Mundo com tributação progressiva. Os multimilionários e as grandes multinacionais deviam pagar quer estejam nos EUA, na China ou na Europa.
No último capítulo Sandel diz o seguinte: « há três espécies de igualdade que discutimos: um é económico sobre a distribuição de rendimentos e da riqueza; o segundo é político, sobre a voz , o poder e a participação ; depois uma terceira categoria sobre a igualdade, estatuto , respeito, reconhecimento, honra e estima. E qualquer esperança que se possa ter na redução da desigualdade económica e política, tudo dependerá da criação de condições para uma maior igualdade de reconhecimento, honra, dignidade e respeito.
E para terminar Thomas Piketty conclui o seguinte: « Penso que as origens da desigualdade e a origem dos problemas que temos de abordar são múltiplas e decorrem de desigualdades na propriedade e desigualdade no talento a que as pessoas tentarão depois dar um sentido moral para poderem justificar o vencedor e estigmatizar o perdedor. O problema não é as pessoas que possuem uma casa ou um carro. O problema é a concentração incrível de propriedade em poucas mãos e isso acompanha a concentração de poder. Quando uma pessoa não possui nada ou quando a única coisa que tem é dívidas tem de aceitar qualquer condição de trabalho, qualquer salário, porque precisa de pagar as suas contas. Concordo com Rousseau quando diz que o problema é a acumulação, a acumulação ilimitada de propriedade privada.»
Para concluir, e pessoalmente, diria que tanto Sandell como Piketty fazem propostas justas para reduzir as desigualdades como tributações e impostos progressivos para todos os países , mas difíceis de concretizar e em alguns casos utópicas. É possível no entanto fazer mais e muito mais desde que haja boa vontade em o fazer . O dinheiro que se gasta em armamento militar nos países que estão em guerra daria para ajudar a desenvolver os países mais pobres.
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