Sábado, 28 de Maio de 2022

UMA BREVE HISTÓRIA DA IGUALDADE

 

Este é o título de um livro escrito por Thomas Piketty que é professor catedrático na É cole des Hautes Études en Science Sociales e professor da École d´Économie de Paris. Neste livro traça o percurso que se tem feito ao longo dos séculos para se corrigir  as desigualdades sociais. Logo na Introdução diz-nos que há um movimento para a igualdade desde o final do século XVIII. O mundo no início do ano de 2020 por mais injusto que possa parecer é mais igualitário que o de 1950 ou de 1900 embora estes fossem também mais igualitários do que o de 1850 ou de 1750. Entre 1780 e 2020 podemos observar evoluções que se dirigem para mais igualdade de estatuto, de propriedade, de rendimento, de género e raça na maior parte das regiões do planeta.

O filósofo Jean-Jacques Rousseau no século XVIII dizia que as discórdias na sociedade surgiram quando apareceu a propriedade privada  e a sua acumulação desmesurada. A Revolução Francesa que proclamou a trilogia liberdade, igualdade e fraternidade conduziu  à abolição dos privilégios da nobreza. A Revolta dos Escravos em São Domingos no ano de 1791 conduziu ao princípio do fim do sistema esclavagista atlântico. As mobilizações sociais e sindicais desempenharam um papel importante na instauração de novas relações de força entre capital e trabalho e na redução das desigualdades. Nos Estados Unidos da América foi necessário uma guerra civil para pôr fim em 1865, ao sistema esclavagista. As guerras de independência vieram pôr fim ao colonialismo europeu nas décadas 1950- 1960. A marcha para a igualdade apoiou-se em dispositivos institucionais mais específicos tais como: igualdade jurídica, sufrágio universal e democracia parlamentar, educação gratuita e obrigatória, seguro de saúde universal, imposto progressivo sobre o rendimento as sucessões e os imóveis, a liberdade de imprensa, a cogestão e o direito sindical, etc…

Apesar destes esforços que têm sido feitos as desigualdades de acesso à educação e à saúde continuam a ser abissais. Sabemos que a pressão da URSS e do movimento comunista internacional fez com que as classes possidente ocidentais aceitassem a Segurança Social e os impostos progressivos, as descolonizações  e os direitos cívicos. Acontece porém que as relações de força e a certeza dos bolcheviques conduziram a um desastre totalitário com o aparecimento do partido único, com a centralização burocrática, a propriedade estatal hegemónica e o repúdio da propriedade cooperativa e dos sindicatos. No século XX o país que aboliu por completo a propriedade privada , a Rússia, tornou-se no início do século XXI , a capital mundial dos oligarcas e da opacidade financeira.

Na parte final do livro Thomas Piketty diz-nos o que é preciso  fazer para atingir uma sociedade mais igualitária.  Tendo em conta esse objectivo defende  a possibilidade de uma sociedade democrática e federal, descentralizada e participativa, ecológica e mestiça, baseada no alargamento do Estado social e do imposto progressivo, na partilha do poder das empresas, na reparações  pós-coloniais e na luta contra as discriminações, na igualdade educativa e no cartão carbono, na desmercantilização gradual da economia, na garantia de um emprego e numa herança para todos, na redução drástica das desigualdades monetárias e num sistema eleitoral e mediático finalmente fora dos potentados do dinheiro.  E termina concluindo que se, os países ocidentais, ou uma parte deles saíssem das posturas capitalistas e nacionalistas habituais e adptassem um discurso baseado no socialismo democrático e na saída do neocolonialismo com medidas fortes de justiça social e de partilha das receitas das multinacionais e dos multimilionários à escala mundial, isso permitiria então, não só recuperar a credibilidade perante o Sul, mas também destruir os últimos argumentos do socialismo autoritário chinês em matéria de transparência e de democracia

publicado por pontodemira às 17:09
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