Quarta-feira, 29 de Abril de 2020

Como Se Renovam As Nações: Crises, Escolhas Mudanças

Como Se Renovam As Nações

Crises ,Escolhas E Mudanças

Este é o título de um livro escrito por Jared Diamond, professor de Geografia na Universidade de Califórnia em Los Angeles. Além dos numerosos prémios que recebeu foi eleito para a National Academy of Sciences dos Estados Unidos.

Logo no início do livro o autor faz uma distinção entre crises individuais e crises nacionais. As primeiras podem ter origem por exemplo na morte de um ente querido ou numa doença . As segundas muitas vezes são desencadeadas por conflitos internos ou até por uma guerra. A crise que hoje estamos a viver e que não existia quando o autor escreveu o livro tem origem numa pandemia. Os indivíduos em crise costumam receber ajuda de amigos tal como as nações em crise pedem ajuda de aliados. Se os indivíduos em crise podem adoptar soluções semelhantes às de outros que passaram pelos mesmos problemas assim as nações poderão fazer o mesmo. Quando alguém tiver ultrapassado uma crise anterior fortalece a sua autoconfiança e ganha forças para resistir e ultrapassar outras que possam surgir. Para concretizar o seu pensamento o autor escolheu 7 nações: 1-Finlândia;2-Japão; 3-Chile;4-Indonésia; 5-Alemanha; 6- Austrália; 7-Estados Unidos da América.

1-Finlândia. A crise finlandesa eclodiu com o ataque soviético  a 30 de Novembro de 1939. Na Guerra de Inverno que se seguiu foi capaz manter a sua independência política face à União Soviética. Apesar de nenhum país a ter ajudado conseguiu resistir embora tivesse que ceder nalguns pontos à ditadura soviética. 2-Japão- O Japão era um país isolado sem qualquer contacto com o exterior. Até que em 8 de Julho de 1853 uma frota de navios norte-americanos entrou na baía de Tóquio e exigiu um tratado e direitos para os navios e marinheiros americanos. Acabou assim a  chamada Era Meijii e começa a transformação do Japão. Mas na 2ªGuerra Mundial com o ataque japonês ao porto americano Pearl Harbor o Japão foi destroçado pela bomba atómica que os aviões americanos lançaram sobre Hiroshima e Nagasaqui. Começou  aqui  um novo período de transformação que tornou o Japão um país industrializado e moderno.3- Chile- A 11 de Setembro de 1973 depois de um impasse político de Salvador Allende eleito democraticamente foi derrubado por um golpe militar liderado pelo general Pinochet que permaneceu no poder 17 anos. Hoje em dia o Chile voltou novamente ao regime democrático e empreendeu alterações selectivas incorporando partes dos modelos de Allende e Pinochet. 4-Indonésia- Em 1 de Outubro de 1965 houve uma tentativa de golpe de Estado que resultou num contragolpe eliminando em massa a facção que supostamente teria apoiado a tentativa de  de golpe de Estado. A Indonésia é a nação mais pobre, menos industrializada e a menos ocidentalizada das 7 nações em análise. 5 –Alemanha- A 1ª crise na Alemanha aconteceu na 1ª Guerra Mundial. A 2ª crise ocorreu com a derrota do regime nazi na 2ª Guerra Mundial que arrasou o país. Com o Plano Marshall a Alemanha recompôs-se e é hoje o país mais industrializado da Europa. Isto apesar do trauma que constitui a divisão política entre a Alemanha de Leste e a Alemanha Ocidental ao longo de várias décadas. 6- Austrália. A frota que zarpou da Grã Bretanha em janeiro de 1788 para a Austrália era constituída por presos políticos que a Coroa queria despejar bem longe pois estava a debater-se com o aumento crescente de condenados. A população da Austrália era constituída por aborígenes que foram os primeiros colonizadores da Austrália. A princípio dominava a política da “ Austrália Branca “ e era proibida a entrada de imigrantes não europeus. Durante muitos anos as relações comerciais eram apenas com a Grã-Bretanha. Hoje devido à sua situação geográfica, o comércio e a política australiana estão mais orientadas para a Ásia. Em 1942 os mesmos porta-aviões que bombardearam Pearl Harbor fizeram o mesmo na cidade australiana de Darwin. A defesa da Austrália passou a ser feita pelo General Mac Arthur que estabeleceu o seu quartel general- na Austrália. A Austrália verificou então que a Grâ-Bretanha era incapaz  de defender a Austrália e afrouxou as relações com este país. A Austrália manteve-se durante muitos anos um país racista. 7-Estados Unidos da América. A 1ª crise dos EUA foi uma  longa e devastadora Guerra Civil  que teve que ultrapassar e mais tarde a participação na 2ª Guerra Mundial. Das 7 nações atrás indicadas duas continuam hoje em crise: Japão e EUA.

O Japão enfrenta uma enorme dívida soberana embora esta dívida não esteja nas mãos de credores estrangeiros mas na de empresas, indivíduos e de fundos de pensões japoneses. Os outros problemas são uma baixa taxa de natalidade e de casamentos japoneses, a redução da população e uma população envelhecida.

Nos EUA a crise tem a ver com a decadência da democracia e com os factores que lhe andam associados como a polarização política e a deterioração cada vez mais acelerada do compromisso político. Quando o Presidente Obama foi eleito em 2008 os lideres republicanos manifestaram a intenção de bloquear tudo o que ele propusesse. No 2º mandato do Presidente Obama entre 2012 e 2016 o Senado controlado pelos republicanos, confirmou o menor número de juízes nomeados pela presidência desde o início da década de 1950.

Actualmente  « Os Repulicanos estão a ficar cada vez mais conservadores , os Democratas mais liberais e os moderados vão sendo cada vez em menor número em ambos os partidos ». Por outro lado verifica-se que nas eleições metade dos eleitores americanos não vota nem sequer para o cargo mais importante o de Presidente. Em muitos Estados as listas de eleitores recenseados são controladas através de procedimentos partidários a nível estatal e local. Outros problemas têm a ver com as desigualdades sociais. As campanhas passam a ser financiadas por interesse dos mais ricos. Os governos americanos são cada vez mais influenciados em todos os níveis  e por isso promulgam-se leis que favorecem os ricos. Há também um declínio do investimento do governo em causas públicas como a educação em infraestruturas ou em objectivos sem lucro económico.

No último capítulo o autor aborda os problemas que enfrenta o mundo e que são: a possível explosão de armas nucleares, as alterações climáticas, o esgotamento global dos recursos e as desigualdades globais dos padrões de vida. Na parte final enumera os comportamentos mais adequados que ajudam a superar uma crise. Esses comportamentos são:

1-Reconhecer quando uma nação está em crise. 2- Aceitar  a responsabilidade pela mudança em vez de culpar outras nações ou de assumir o papel de vítima. 3-Construir uma vedação para identificar as características que precisam de ser mudadas. 4- Identificar outros países aos quais possa pedir ajuda. 5-identificar modelos de outros países que tenham resolvido problemas semelhantes. 6- Ser paciente e reconhecer que a primeira solução tentada pode não resultar e que podem ser necessárias tentativas sucessivas.7- Decidir quais os valores que continuam a ser adequados e quais deixaram de  o ser. 8-Fazer uma autoavaliação honesta.9- Ter uma forte identidade nacional em que se tenha orgulho da língua, da cultura e da História.

Vamos ver quais serão as melhores soluções para resolver a crise global que o covid-19 irá desencadear sobretudo nos mais pobres e que têm uma dívida pública elevada para pagar.

 

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publicado por pontodemira às 15:23
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Domingo, 12 de Abril de 2020

O QUE VIRÁ A SEGUIR ( ao covid-19 )

 

Estamos a viver um momento dramático em que médicos, enfermeiros, profissionais de saúde e voluntários fazem tudo o que podem para salvar a vida a muitas pessoas infectadas em hospitais e lares. Fomos apanhados de surpresa , como outros  países europeus, pois não dispúnhamos de ventiladores, máscaras e outros acessórios necessários para fazer face a uma pandemia de tão grandes dimensões. A globalização é em parte responsável pois permite a mobilidade rápida de pessoas, de um país ou de um continente para o outro, propagando de forma célere a epidemia e o contágio.

Não me lembro durante a minha existência de uma Páscoa tão triste como esta confinada ao ambiente caseiro. Para lá da leitura que me ajuda a passar o tempo tenho ainda outro hobby, que me faz bem,  que é passear o meu cão todos os dias.  Vou para um sítio onde há ar puro, pouca gente e raramente passam carros, ou seja, para o planalto de S. Marcos. O cão também agradece pois quando lhe coloco a trela dá pulos de contentamento.

Na época da Páscoa lembro-me da minha mãe fazer uma grande quantidade dos tradicionais bolos da Páscoa confecionados com ovos, farinha e azeite que depois iam cozer a um forno público sendo a maior parte para oferecer aos afilhados. Lembro-me ainda da missa do Domingo de Ramos em que as crianças da catequese levavam todas um ramo de oliveira ou de camélias para dar outra vida e beleza à cerimónia. Para o ano se Deus quiser irá tudo voltar à normalidade.

Há no entanto uma questão que queria colocar. O que irá acontecer quando o covid-19 for controlado e desaparecer?  Esta crise epidémica irá certamente dar lugar a uma crise económica e dizem os especialistas na matéria, pior ainda do que a que aconteceu em 2008. Prevê-se que haja uma recessão com grande abaixamento da produção e um aumento  significativo do desemprego. Vamos esperar que os Bancos que foram salvos em 2008 pelo dinheiro do Estado e dos contribuintes possam agora prestar o seu contributo e retribuir os benefícios que receberam quando estavam falidos.

Segundo o que vi na televisão e li no jornal, o Eurogrupo chegou a um acordo e irá ser emprestado com juros baixos pelo Mecanismo Económico de Estabilidade ( MEE) o valor de 240 mil milhões de euros o que corresponde a 2% do PIB de cada Estado-Membro. Este dinheiro destina-se a financiar a nível nacional os custos directos e indirectos relacionados com os cuidados de saúde, cura e prevenção com a crise do covid-19.  Este valor é visto pelos economistas como pequeno para aquilo que pode vir a ser o impacto económico desta pandemia na Zona Euro.  Estão também previstas verbas de protecção ao emprego no valor de 100 mil milhões de euros. Prevê-se ainda que o BEI ( Banco  Europeu de Investimento)  deverá alavancar 200 milhões de euros de financiamento pra as empresas europeias. Há no entanto quem diga que estas medidas não são a melhor solução para enfrentar a crise. A mutualização da dívida pública por todos os países da CE ou um plano semelhante ao Plano Marshal em que os EUA investiram biliões de dólars nos países que foram destroçados na 2ª guerra mundial seriam soluções mais eficazes.

Como vai ser o futuro da Europa?  Só pelo entendimento de todos os países membros da Comunidade Europeia se poderá debelar a crise e enveredar pelo caminho da estabilidade e do progresso. E para concluir irei citar uma frase do Papa Francisco a propósito da crise do covid-19 :  « Estamos todos no mesmo barco..Só pela união de todos nos podemos salvar »

publicado por pontodemira às 11:51
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