Quarta-feira, 29 de Agosto de 2018

A queda do ocidente? Uma provocação

 Este é o título de um livro escrito por Kishore Mahbubani, professor de Política Pública Aplicada na Universidade de Singapura. O autor faz uma análise política e económica sobre a evolução do Ocidente nos últimos dois séculos. Logo no primeiro capítulo diz que estamos a caminhar para uma nova Ordem. Entre o ano 1 e o ano de 1820 as duas maiores economias tinham sido a China e a Índia. Só a partir do século XIX a Europa começou a tomar a dianteira seguida pelos Estados Unidas. O desenvolvimento científico e tecnológico e o pensamento racional deu um enorme contributo para o avanço e supremacia dos países ocidentais. Mas como diz Kishore Mahbubani “ a maior dádiva que o Ocidente concedeu ao Resto do Mundo foi poder da Razão. As várias dimensões da razão ocidental foram-se instalando gradualmente nas mentes asaiáticas, através da Ciência, e da tecnologia do Ocidente, bem como o método científico na resolução dos problemas sociais. E esta disseminação da razão Ocidental acabou por desencadear revoluções silenciosas. A primeira revolução foi de teor político provocando mudanças evidentes nas sociedades que adoptaram formas democráticas de governação como a Índia, o Japão, a Coreia do Sul e o Sri Lanka. Cerca de 800 milhões de chineses foram resgatados à pobreza absoluta em 3 décadas. A segunda revolução foi do foro psicológico. Os cidadãos do Resto do Mundo desenvolveram a crença que podiam assumir o controlo das suas vidas e com o apoio da lógica racional, obter melhores resultados. A terceira revolução foi no campo da governação. Há 50 anos poucos governos asiáticos acreditavam que a boa governação racional poderia transformar as suas sociedades. Actualmente quase todos acreditam nisso. Durante dois séculos o Ocidente foi a locomotiva que conduziu o crescimento económico mundial. A 1ª e a 2ª Guerra Mundial devastou uma grande parte dos países europeus. A implantação do Plano Marshal ajudou a reconstrução de países como a França, a Alemanha e o Japão. Os Estados Unidos preocuparam-se mais com o armamento militar adquirindo pota- aviões, submarinos e também com o desenvolvimento nuclear. A sua estratégia passou a ser mais de intervenção política e militar na resolução de conflitos. Com o colapso da União Soviética e o Fim da Guerra Fria tudo se modificou. A China com Xiaoping lançou em 1978 o seu programa das Quatro Modernizações. A Índia em 2014 ultrapassou o Japão tornando-se a terceira economia do Mundo e a China impôs-se como a maior economia do Mundo Para que o Ocidente não se autodestrua Kishore propõe uma estratégia dos três Emes: minimalista, multicultural e maquiavélica. Ou seja o Ocidente e particularmente os EUA devem intervir o mínimo possível. As grandes decisões devem ser tomadas com recurso à Organização das Nações Unidas ( ONU ). E finalmente o poder político tem de agir com astúcia e calculismo. E para este caso dá um exemplo. Se um general parte para uma batalha com um exército duas vezes superior ao seu adversário a sua estratégia tem de ser diferente da que irá utilizar se tiver de lutar com um exército duas vezes maior que o seu. Refere ainda que durante a Guerra Fria a CIA instigou a criação da Al-Quaeda para lutar contra a ocupação soviética do Afeganistão e que foi essa mesma organização que planeou o ataque ao World Center no dia 11 de Setembro de 2011. E acrescenta ainda que num esforço para depor Assad da liderança da Síria, a Administração Obama transferiu os combatentes do Daesh do Afeganistão para a Síria para lutarem contra as forças de Assad e que para garantir que os combatentes do Daesh tivessem fundos suficientes os EUA não bombardearam as zonas petrolíferas controladas por aquela organização desde a Síria até à Turquia. A principal ameaça para a Europa não vem a ser da Rússia mas do mundo migratório do Norte de África e do Médio Oriente. Para contrariar este efeito a solução seria incentivar o desenvolvimento económico do Norte de África. Para os EUA a principal ameaça vem da China e não do Irão. Quanto mais os EUA gastam em despesas militares menos eficazes serão a longo prazo para lidar com a muito forte economia chinesa. O comportamento estratégico dos EUA deve basear-se mais na inteligência e não nas bombas. No penúltimo capítulo Kishore propõe um Mundo Melhor para Americanos e Europeus. Na sua opinião as elites ocidentais fracassaram na preparação das suas populações para a inevitável “ destruição criadora “ originada pela aprovação da entrada da China Na Organização mundial do Comércio ( OMC ) em 2001. Estes problemas para ele podiam ser resolvidos e dá como exemplo a Suécia e Singapura que têm desenvolvido várias redes de Segurança Social para ajudar as classes trabalhadoras a lidarem com as disrupções da globalização. Segundo as estatísticas 63% dos cidadãos norte americanos não têm poupanças suficientes para cobrir uma situação de emergência de 500 dólares. E no entanto os EUA gastam biliões de dólares em guerras e porta-aviões desnecessários enquanto 200 milhões de norte americanos vivem com a corda ao pescoço. Também a Europa terá de efectuar ajustamentos estruturais para lidar com o renascido Resto do Mundo. O político Kishore Mahbutani termina o livro dizendo que a era de domínio Ocidental está a chegar ao fim. Adivinha-se um inevitável futuro conturbado se o Ocidente não se conseguir libertar dos seus impulsos intervencionista e enveredar pelo caminho isolacionista e protecionista. Este aviso acerta bem em Trump e em políticos de outros países da Europa como a Hungria e a Polónia Comentário: De uma maneira geral apreciei a análise que Kishore faz sobre o desenvolvimento político e económico dos países do Oriente e Médio Oriente e também da Europa e dos EUA ao longo de vários séculos. Tenho no entanto reparos a fazer sobre alguns assuntos que aborda e relativamente aos quais não estou inteiramente de acordo. Assim, Kishore lamenta que a Turquia ao pedir em 1987 a adesão à União Europeia não tenha até hoje sido aceite como estado-membro. Penso que a principal razão está no facto de este país não respeitar as leis do jogo democrático como a liberdade de expressão e a independência dos tribunais. Uma outra questão que o autor põe em causa foi” o lançamento da Política Agrícola Comum ( PAC ) em 1962 que contribui para o enriquecimento de agricultores europeus mas empobreceu milhares de agricultores africanos, principalmente do Norte de África. “ Aqui é preciso ter em conta que os imigrantes que chegam hoje à Europa do Norte de África são em grande parte refugiados de um guerra imposta pelos jiadistas muçulmanos. Finalmente quando Kishore diz que o Ocidente tem de usar uma estratégia maquiavélica está a usar uma expressão controversa e polémica. Para Maquiavel os fins justificam os meios ou seja tudo é permitido inclusive matar e sem ter em conta a moral e os princípios éticos. O Prof. Freitas do Amaral no seu livro “ História do Pensamento Plítico Ocidental “ diz o seguinte: “ uma coisa é a habilidade política que é necessário a qualquer governante, outra é crime a mentira e a fraude sempre condenáveis.” Para terminar diria que muitos políticos nos dias de hoje são corruptos e servem-se de todos os meio para se manterem no poder.

publicado por pontodemira às 21:21
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Sábado, 4 de Agosto de 2018

Como garantir a democracia e a esperança numa sociedade global

Estamos a viver numa época global em que as notícias correm céleres e os acontecimentos podem ser vistos no momento em que passam. As ideologias espalham-se rapidamente de uns países para os outros e vão deixando marcas. Os refugiados que fogem à guerra e às perseguições e os imigrantes que não têm condições para viver nos países de origem procuram refúgio e trabalho na Europa e até nos Estados Unidos da América. Surgem então partidos populistas, racistas e xenófobos a fechar as portas e as fronteiras às pessoas que precisam de ajuda e que são tratadas como animais. Algumas democracias degeneraram e passaram rapidamente para regimes autocráticos e ditatoriais. É o que está a acontecer na Hungria, na Polónia e na Turquia.
Num artigo publicado na revista “ Visão “ traduzido da Time magazine, o americano James Stavridis diz o seguinte : “ Os ditadores surgem porque os governos eleitos têm dificuldade em enfrentar novos desafios: migrações globais, avanços tecnológicos, terrorismo transnacional e instabilidade internacional. A maioria dos países mais industrializados do mundo continuam a ser constituídos por democracias sólidas designadamente o Japão, o Canadá, a França, a Austrália e a Alemanha “
A sociedade global tem coisas boas mas também aspectos negativos. É certo que tirou da pobreza extrema muitas pessoas em países como a China e a Índia. Este é o lado bom. Acontece porém que a deslocalização de algumas empresas para os países de mão de obra barata atirou para o desemprego noutros lugares milhares de trabalhadores. As democracias liberais capitalistas que têm em vista a maximização do lucro pouco se importam com a justa distribuição da riqueza e com o respeito pelos direitos humanos. As estatísticas mostram que mais de 80% da riqueza mundial está concentrada nas mãos de 1% da população. Uma pergunta que se impõe é esta: Haverá alguma esperança no futuro desta sociedade global ? Será que se pode fazer alguma coisa para a melhorar ?
Num livro que tinha na minha estante com o título “ Religiões no Mundo “ e que só agora li, o padre e teólogo Hans Kung diz o seguinte: “ Não há sobrevivência no mundo sem um etos mundial. A nova constelação mundial exige uma nova ordem mundial que não pode ser alcançada pelas nações se não contarem com o apoio das religiões. E acrescenta; “ As Nações Unidas muitas vezes criticada e mais vezes ainda ignorada e entregue à sua própria sorte, encontra-se diante de tarefas imensas neste milénio: a vertiginosa globalização da economia, tecnologia e média exige uma direcção global por uma política global. Mas uma política global precisa de estar fundamentada numa ética global, numa ética mundial que possa ser sustentada e vivida pelos homens de todas as culturas e religiões, por crentes e não crentes. O nosso globo encontra-se ameaçado a partir de dentro. Ele pode explodir. Mas o novo globo também pode voltar a ser são, mais pacífico, mais humano se as pessoas em vez de se ameaçarem e se combaterem, dialogarem umas com as outras, se tolerarem e se respeitarem mutuamente. E termina com uma visão realista de esperança:
“ Não haverá sobrevivência da humanidade sem paz entre as nações
Não existirá paz entre as nações sem paz entre as religiões
Nem paz entre as religiões sem diálogo entre as religiões. “
Resta saber se políticos como Trump, Puttin, Kim Jong-un, Herdogan serão capazes de entender estas verdades e de as pôr em prática.
publicado por pontodemira às 11:09
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