Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2017

A curiosidade pela geringonça já ultrapassou as nossas fronteiras

 

No jornal Público de domingo vinha publicada uma entrevista a Benoît Hammon, o candidato socialista às presidenciais francesas, que li com muito interesse. Para derrotar a direita xenófoba e populista encabeçada por Marine Le Pen é necessária uma esquerda unida e um programa que convença o eleitorado francês. Benoît Hammon quis que a sua primeira declaração no estrangeiro fosse em Portugal. Para ele trata-se de uma escolha política. É um país dirigido por um governo de esquerda, apoiado por uma coligação de esquerda, num país que virou costas à austeridade.. Disse ainda que iria discutir com António Costa um projecto de tratado orçamental para os países da zona euro que está a trabalhar com o economista Thomas Piketty. Comparou a Europa com uma bicicleta que cai quando deixamos de pedalar e que há muito tempo os dirigentes europeus deixaram de pedalar.

Quanto à estratégia para recuperar os eleitores de esquerda que fugiram para Marine Le Pen ao longo dos anos Benoît Hammon esclareceu e passo a citar :” Não podemos combater Le Pen com um projecto morno, que continue a oferecer soluções de ontem. É preciso “ propulsionar “ como ela diz um projecto político forte a que chamo “ esquerda total “ contra a “ direita total “ com um imaginário poderoso a longo prazo. Sempre que a República francesa falhou em garantir a igualdade de direitos- no acesso à educação, no acesso à saúde, à habitação- a extrema direita propõe um discurso violento e brutal mas que responde às angústias e cólera dos franceses. É preciso pensar na nova segurança social e mudar a forma como produzimos e consumimos, porque estamos a destruir a saúde do planeta.

Uma questão que se coloca é a de saber por que é que os partidos de esquerda muitas vezes vezes nas eleições perdem uma grande parte do seu eleitorado. Para Benoît Hammon a resposta é simples. Não pode haver uma esquerda híbrida. Todas as esquerdas que conheceram a experiência do poder na Europa, mas decidiram converter-se ao liberalismo no plano económico- à redução dos custos do trabalho e da despesa pública, à política de austeridade- foram castigados nas urnas: o PasoK ( Grécia) , Matteo Renzi ( Itália ), Hollande que terminou o seu mandato em condições difíceis.

Benoît acrescenta ainda que foram “ os mercados financeiros “ que criaram Marine Le Pen à força de fazerem o Estado pagar as consequências de um sistema que enlouqueceu em 2008. Criaram Le Pen, criaram Viktor Orbán, criaram essa gente toda. Hoje precisam de regulação para evitar a pior das desordens que seria a chegada da extrema direita ao poder.

Ao contrário do que pensa a direita em Portugal, PSD e CDS , é preciso tomar decisões correctas ainda que sejam contra os mercados. Benoît Hammon vai mais longe e defende mesmo a reestruturação e a anulação de parte das dívidas.

Não sou economista nem especialista em finanças públicas mas não é difícil perceber que sem estas medidas Portugal jamais conseguirá pagar a dívida. Só através de um crescimento económico acelerado e de uma desvalorização da moeda, que não pode fazer , é que teria possibilidade cumprir os seus compromissos.. Para se salvar a Europa tem de se ser realista. E é bom não esquecer que no fim da 2ª grande guerra mundial também foi perdoada à Alemanha parte da sua dívida. Só assim este país conseguiu ressurgir e tornar-se uma potência económica.

Na parte final da sua entrevista Benoît realça ainda que não se deve confundir terrorismo com a prática da religião muçulmana. Num Estado laico deve haver liberdade para todas as religiões. A laicidade não é a religião dos que não têm religião. É um princípio que permite aos que acreditam e aos que não acreditam viverem juntos.

publicado por pontodemira às 21:35
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