Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011

DIA MUNDIAL DA PAZ

 

1-A mensagem do Papa Bento XVI para o dia Mundial da Paz tem por tema : “ Educar os jovens para a Justiça e a Paz”. Todos os anos, 2011 não foge à regra, há convulsões, revoltas, agitação social e perseguições políticas e religiosas. Ainda recentemente uma igreja na Nigéria foi atacada por radicais muçulmanos havendo a registar 40 mortos. A Primavera Árabe que acabou com regimes ditatoriais na Tunísia, Egipto e Líbia veio trazer instabilidade ao Norte de África.  Estas revoltas propagaram-se depois ao Médio -Oriente pondo em ebulição países como a Síria, o Líbano, Iémen e provocando também mortos e destruição. A intervenção americana no Iraque não resolveu nada pois continua acesa a luta entre xiitas e sunitas.  E por incrível que pareça, até na Igreja da Natividade em Belém dois grupos de cristãos, arménios e ortodoxos gregos, que de cristãos só têm o nome, envolveram-se em cenas de pancadaria. Como se vê a guerra está a pôr em causa a tão ambicionada paz.

2-Mas a paz não é só a ausência de guerra. Existem outras circunstâncias que impedem uma convivência pacífica. A título de exemplo citarei  as seguintes : violação dos direitos humanos nomeadamente o direito à liberdade de expressão e à liberdade religiosa, desigualdades sociais, desemprego, pobreza e fome. Para pôr termo a estes problemas terá que  haver interesse e empenho do Estado e uma resposta solidária da sociedade civil. É sem dúvida uma tarefa difícil pois estamos numa economia de mercado que procura apenas o lucro e para quem a dignidade humana pouco conta. Terá que se começar pelo princípio e como diz Bento XVI na sua mensagem para o dia Mundial da Paz só educando os  jovens para a justiça e a paz se poderá oferecer uma nova esperança ao mundo.  A primeira escola é a família que deve educar para a verdade e a liberdade. Para tal é necessário” ultrapassar o horizonte do relativismo e saber distinguir a verdade do que é bem do que é mal.” Só educando para a Justiça se poderá chegar à Paz. Bento XVI chama ainda  a atenção para a importância “ de procurar adequadas modalidades de redistribuição da riqueza, de promoção do crescimento, de cooperação para o desenvolvimento e de resolução de conflitos. “ E termina dizendo que “ não são as  ideologias que salvam o mundo mas unicamente o voltar-se para Deus vivo, que é o garante do que é deveras bom e verdadeiro “.

3-Portugal está a viver uma grave crise económica e financeira como aliás outros países da Europa. As medidas de austeridade atingiram de forma significativa a classe média e baixa. Se forem exigidos mais sacrifícios aos portugueses, aumentando impostos e reduzindo salários e pensões de reforma, a situação pode agravar-se e gerar uma onda de revolta, criando um clima insustentável. Até agora os sacrifícios não foram equitativamente distribuídos por todos os portugueses. Seria bom que os políticos reflectissem e compreendessem que sem justiça jamais se atingirá a paz.

 

FRANCISCO JOSÉ SANTIAGO MARTINS

 

publicado por pontodemira às 20:55
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

NATAL DE CONTRASTES

1-Sentado à mesa onde não falta o essencial para um jantar de consoada, o meu pensamento voa para os sem-abrigo, os desprotegidos da sorte, os pobres, os excluídos da sociedade, para os desempregados a quem falta o trabalho e para todos os que vivem numa pobreza envergonhada  e a passar fome. Para todas estas pessoas que se encontram feridas na sua dignidade, a noite de consoada foi certamente diferente da minha. Se a riqueza do país fosse equitativamente distribuída por todos não existiria um fosso tão grande entre ricos e pobres. Os bens que há na Terra e são necessários à sobrevivência das pessoas não são propriedade absoluta de ninguém e existem para que todos possam usufruir deles. Se fossem bem distribuídos não se registariam situações de fome. Só que uns têm de mais e  dão-se ao luxo de desperdiçar o que faz falta a outros que por vezes morrem de desnutrição. Alguns destes casos só pela partilha e solidariedade de todos se conseguem resolver.

2-Enquanto para algumas pessoas,  cristãos e não todos , o Natal tem a ver com o nascimento do Menino -Jesus e por isso se constrói o presépio e se colocam nele  as figuras que lhe estão associadas , para outras , talvez a maioria, a figura em destaque é o Pai -Natal importado da Lapónia e que nada tem a ver com a tradição cristã.  Uma festa tão bonita e tão rica de significado está assim a ser destruída pelo modernismo pagão que não joga bem com a nossa cultura de raiz cristã.  Por este andar as crianças acabam por escolher como figura central desta quadra festiva o Pai Natal e relegar para segundo plano o presépio.

3-Outra nota que caracteriza o Natal é a oferta de lembranças. Na minha infância eram apenas as crianças que tinham direito a presentes. Bastava um  pequeno livro de contos, uma peça de vestuário ou até um chocolate, deixados no canto da chaminé, para nos sentirmos felizes.  Agora ,ninguém é esquecido nem mesmo os adultos.  E nas famílias com mais recursos não se dá à criança apenas um brinquedo mas vários e por vezes dos mais sofisticados. Decorridas algumas semanas a maior parte desses objectos vão parar ao sótão da casa e aí ficam esquecidos. Estes gastos e desperdícios não se encaixam bem no momento de crise em que vivemos nem tão pouco com o significado do Natal em que o Menino-Jesus nasceu pobre num humilde presépio em Belém.  O que verdadeiramente conta para  Deus não é o poder nem a riqueza mas a solidariedade e  a partilha. Nada melhor para terminar do que as palavras do Papa bento XVI numa das suas recentes homilias : “ O Natal converteu-se hoje numa festa de comércio em que as luzes ofuscantes escondem o mistério da humanidade de Deus que nos convida à humildade e à simplicidade. “

 

FRANCISCO JOSÉ SANTIAGO MARTINS

publicado por pontodemira às 21:11
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Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011

DAR PARA TIRAR

1-Na discussão do Orçamento para 2012 o Governo quis atenuar as medidas de austeridade concedendo um regime mais favorável aos pensionistas e funcionários ,no leque compreendido entre os 600 € e os 1100 € ,aos quais só foi cortado um subsídio. Este benefício deve-se à pressão exercida pelo líder do PS e às críticas feitas pelo Presidente da República e até da Igreja que puseram em causa a equidade dos sacrifícios pedidos aos portugueses.  Se é verdade que os trabalhadores privados não contribuem para a despesa do Estado não é menos verdade que o corte dos dois subsídios funcionou como um autêntico imposto que atingiu apenas os funcionários públicos.  E aqui, sim, está posta em causa a equidade e a igualdade dos cidadãos perante a lei.  Compreende-se que para o Governo este processo seja o mais fácil e rápido para arranjar o dinheiro necessário para cobrir os buracos orçamentais. Resta saber se estas medidas tão drásticas ficarão por aqui, ou se iremos ter num futuro próximo mais do mesmo.

O primeiro-ministro já foi dizendo nas entrelinhas que o ano de 2012 vai ser difícil e não exclui novas medidas de austeridade. E para compensar o bónus concedido aos pensionistas e reformados chegou a falar-se na subida da taxa do IRS nos depósitos a prazo.  Como há uma folga nos fundos de pensões dos bancários transferida para o Orçamento do estado não sei se será uma media para levar a sério no próximo ano. Se tal vier a acontecer isso terá efeitos perversos. Muitos depositantes serão levados a transferir as sua economias para bancos estrangeiros ou para offshores. Por outro lado os bancos portugueses que precisam de dinheiro para se recapitalizarem ficarão ainda mais fragilizados e dependentes dos empréstimos externos com juros mais elevados.

2- Portugal está a atravessar um período de recessão económica como acontece também com  outros países da União Europeia. Para sairmos da crise temos de aumentar as nossas exportações e ao mesmo tempo pôr a nossa agricultura a funcionar de forma a produzirmos os bens essenciais de que necessitamos, sem termos de recorrer ao exterior. Da redução das importações depende em grande medida o equilíbrio da nossa balança de pagamentos. Para estimular a economia são necessários investimentos significativos mas o pagamento da dívida pública e respectivos juros irão absorver durante largos anos todas as poupanças do Estado.  Se  os empréstimos a que recorremos  não forem renegociados reduzindo as taxas de juro e dilatando os prazos de pagamento, correremos o risco de incumprimento . Como os impostos estão a atingir limites incomportáveis a única forma de aumentar as receitas é cortar nas despesas, pela única via que julgo possível  , ou seja, fazendo as reformas estruturais da administração pública. Assim,  é urgente reduzir o número de freguesias, das empresas públicas e municipais e das fundações que vivem à custa dos dinheiros do Estado. Em tempo de crise é também necessário acabar com os privilégios e mordomias que alguns políticos ainda usufruem e estabelecer um tecto salarial máximo para as remunerações dos gestores  e altos quadros da administração pública ,tendo como base o vencimento do Presidente da República.

3-Vamos ver quais são as decisões que o Conselho Europeu vai tomar para a estabilidade e consistência à EU. Fala-se que vão ser tomadas medidas para que o défice orçamental não ultrapasse os 3%.   Provavelmente haverá um ministro das finanças europeu que controlará as contas de cada país e aplicará sanções aos infractores. Sem a emissão de eurobonds  ou da ajuda directa do BCE aos Estados membros que se precisem de se financiar, a Europa irá fatalmente desmoronar-se. A dupla Alemanha –França tem  de decidir que tipo de Europa quer: ou uma federação de Estados em que as decisões sejam tomadas democraticamente pela maioria ou uma associação de Estados soberanos com regras comuns mas em que cada Estado possa definir no plano interno as suas opções políticas.

Seja quais forem as decisões do Conselho Europeu a UE só poderá sobreviver com a ajuda solidária dos países mais desenvolvidos..  Para Portugal a saída do euro e o regresso ao escudo seria um verdadeiro desastre com a nossa dívida a subir para níveis incomportáveis e as poupanças nos bancos a desvalorizarem  em flecha.

 

Francisco José Santiago Martins

 

publicado por pontodemira às 00:15
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