Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

O BALANÇO DO ANO 2008

 

O ano de 2008 foi pródigo em acontecimentos. Ficou bem vivo na memória o terramoto na China que matou milhares de pessoas e a invasão da Geórgia pela Rússia e do Tibete pela China. Mas de tudo o que de mais importante se passou queria destacar em especial a crise financeira internacional, a subida do preço dos combustíveis , a greve dos professores e o aumento do desemprego.

 

A crise financeira teve o seu epicentro nos Estados Unidos e propagou-se como um tsunami a quase todos os países do Mundo. O neoliberalismo e tudo o que a ele anda associado- economia de mercado e globalização- mostraram realmente os seus efeitos perversos. As comissões reguladoras que tinham por missão fiscalizar os bancos falharam e puseram em jogo a segurança dos depositantes. A ganância e os lucros desmedidos dos banqueiros que não olham a meios para atingir os fins ia levando tudo a perder se não fosse a intervenção oportuna do Estado que evitou a falência de muitos bancos. A teoria de que o mercado se auto-regula não resultou, como os factos demonstram à saciedade. O Estado terá sempre um papel fiscalizador e tributário da sociedade civil assegurando aos cidadãos os bens e serviços que esta não for capaz de satisfazer.

 

A subida dos combustíveis veio provocar uma aumento generalizado dos preços dos serviços e dos bens de primeira necessidade. Trouxe também ao de cima a dependência muito estreita dos países produtores de petróleo. Como há cada vez mais carros a circular e a procura de combustível é muita, as empresas petrolíferas valem-se disso e sobem os preços. Por outro lado as distribuidoras actuam quase sempre em cartel neutralizando a concorrência que devia ser a regra numa economia de mercado. Tudo isto aponta para o investimento em massa nas energias alternativas como a melhor solução para o problema: baixava o consumo dos combustíveis cujas reservas não são eternas e diminuía também as descargas de CO2 na atmosfera que estão a causar danos irreparáveis no meio ambiente.

 

A greve relacionada com a avaliação dos professores foi um assunto polémico em 2008 e continua a sê-lo pois não há perspectiva de qualquer entendimento com o sindicato. É natural que haja intransigência de parte a parte. A FENPROF não admite dialogar se a avaliação não for suspensa. A ministra já procedeu a alterações e está receptiva a mais emendas desde que  o modelo avaliativo não vá para o caixote do lixo. Postas as coisas nestes termos parece óbvio que o sindicato e alguns professores não querem na realidade a avaliação.  Neste caso seria um erro crasso e uma verdadeira injustiça para os professores que trabalham. Nivelar bons e maus sem olhar a diferenças não será sem dúvida o melhor caminho. É bom distinguir os que se esforçam e preparam cuidadosamente as  aulas dos rotineiros e absentistas. Se estivesse no lugar da ministra pediria aos professores e sindicatos para apresentarem um novo modelo alternativo, que seria ratificado caso fossem respeitadas duas condições : existência de quotas e classificações diferenciadas dentro da mesma escola.

 

O desemprego tem vindo a aumentar de mês para mês e as previsões quanto ao futuro são as mais pessimistas. O que vemos todos os dias na televisão são fábricas a fechar e empresas a despedir pessoal. Numa economia em recessão as encomendas diminuem, a produção baixa e os trabalhadores começam a ser excedentários e  na maioria dos casos são despedidos sem qualquer alternativa. Esta situação transforma-se num drama para muitas famílias que se vêm privadas do dinheiro necessário para fazer face às despesas correntes do dia. Competirá ao Estado ajudar o melhor que puder as empresas viáveis e fazer os investimentos públicos que foram necessários ao desenvolvimento e ao crescimento económico do país. Seriam no entanto de evitar a as obras megalómanas que agravem o endividamento externo do nosso país e ponham em causa o nosso futuro.

 

 

Francisco Martins

 

publicado por pontodemira às 20:08
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