Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

EXPECTATIVA E REALIDADE

 

 

1-A eleição do Presidente dos Estados Unidos da América suscitou o interesse e a curiosidade não só da Europa mas de uma grande parte dos países do mundo. Muita gente desejou que Obama ganhasse e as previsões que lhe davam a vitória não falharam. As razões que motivaram a simpatia pelo candidato democrata prendem-se com o desejo de mudança na política internacional que em regra é influenciada pelo poder económico e militar dos E.U.  Como a administração do Presidente Bush foi desastrosa e com efeitos perniciosos em muitos países é de certo modo compreensível este crescente movimento de mudança.  Foram muitos e grandes os erros cometidos pelo actual presidente . Em primeiro lugar a invasão do Iraque condenada por muitos países e até por alguns americanos.  O Iraque não constituía qualquer perigo ou ameaça para a Paz no mundo nem estava, como Bush afirmava, a produzir armas de destruição maciça. Por outro lado a tentativa de impor a democracia à força, num país constituído por várias etnias que se odeiam e digladiam, veio a mostrar-se totalmente errada. Como resultado instalou-se o terrorismo e os atentados bombistas passaram a ser uma constante no dia a dia. Hoje, a paz e a democracia são ainda uma miragem.

Um outro legado que a administração Bush nos deixou foi a crise financeira internacional que abalou e fez tremer a credibilidade das instituições financeiras e bancárias um pouco por todo o mundo. O lado mais negativo do neoliberalismo veio assim ao de cima. A filosofia do lucro fácil que norteia a maioria dos bancos não olha aos meios para atingir os fins. A regulação e a fiscalização bancária ou não existe, ou fecha os olhos aos investimentos mais arriscados, e os aforradores são sempre as principais vítimas se não houver uma intervenção atempada do Estado. Nos Estados Unidos facilitou-se de tal maneira o crédito  e os investimentos de risco que até os cidadãos que subscreveram PPRs estiveram na iminência de ficar sem nada.

 

2-As expectativas neste momento estão viradas para o Presidente Obama. Nos Estados Unidos espera-se um forte investimento público que seja capaz de revitalizar a economia e criar mais empregos. As prioridades irão para as energias renováveis , para as ferrovias e barragens de forma a preservar o ambiente, evitando assim a poluição e o consumo exagerado de combustíveis. Uma outra prioridade será a implantação de um serviço nacional de saúde, tornando os serviços médicos e hospitalares acessíveis a todos os cidadãos e não apenas aos que possuem seguros de saúde. Dizem os economistas que tudo isto só será possível se houver uma redução das despesas militares. Veremos se os lobbies não irão dificultar a acção do presidente.

 

3-No que diz respeito às relações internacionais é de esperar uma nova atitude de Obama. Com o fim da guerra fria, os E.U têm vindo a assumir o papel de mandões da política internacional. Converteram-se em polícias do mundo e tomaram decisões sem aprovação da ONU, como aconteceu na invasão do Iraque e do Kosovo.  Espera-se também que os E.U. sejam capazes de  reduzir as emissões de CO2 , dando assim um exemplo a outros países industrializados que mais poluem o meio ambiente.  A ajuda tecnológica e alimentar aos países subdesenvolvidos seria outra prioridade importante a ter em conta, pois só assim se reduziriam os fluxos migratórios provocados pela fome e pelo desemprego. É preciso pôr um freio na globalização capitalista impedindo que os pobres sejam cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. Como diz o teólogo dominicano Albert Nolan, no livro “ Jesus, Hoje (1 )“ é necessário que a globalização do Império Americano dê lugar a outra globalização a partir de baixo, ou seja a globalização da paz e da luta pela justiça.

4-Um outro assunto que tem estado na ordem do dia tem sido a situação financeira do BPN.  Como é possível que o Banco de Portugal não se tenha apercebido  de nada. O simples facto de o BPN praticar juros mais altos, nos depósitos, que qualquer outro banco,  só isso seria razão suficiente para levantar suspeitas. Por outro lado, também não se compreende que o dr. Dias Loureiro tenha notado irregularidades nas Contas do Banco, pois nelas não figurava um negócio efectuado em Porto Rico, e não o tivesse denunciado aos órgãos de supervisão do Banco de Portugal.  Há ainda as discrepâncias no teor da conversa que o dr. Dias Loureiro teve com o dr.António Marta do BdP, que vieram lançar mais achas na fogueira.. O certo é que o dr.Dias Loureiro não se deixou surpreender com a crise no BPN e tratou de pôr a salvo os seus investimentos e capitais.

Os burlões, especuladores e corruptos podem ficar descansados  pois com um pouco de “engenho e arte “ saberão sempre contornar o controle do BdP. O mesmo não acontece com os aforradores, pois ,a partir de agora, passam a olhar com desconfiança a instituição bancária onde depositam as suas economias.

 

(1) Albert Nolan, Jesus Hoje, edições Paulinas

 

Francisco Martins

 

publicado por pontodemira às 21:41
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