Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

ACTUALIDADE POLÍTICA

 

1-A crise financeira tem sido o tema dominante nos órgãos de comunicação social. O espectro da falência de alguns bancos norte-americanos parece ter-se propagado também à Europa pois já houve intervenções do Estado nos seguintes bancos: Dexia (França,Bélgica ) ; Bradford & Bingley ( Reino Unido 9 ; Hypo Real Estate ( Alemanha ) e Glitnir (Islândia) . Por cá o governo e os banqueiros apelam à serenidade e dizem que as poupanças dos portugueses não correm perigo. Será que falam verdade ? No semanário Expresso li que no caso de falência de um banco o Estado garante apenas 20000 € a cada titular de um depósito. No jornal de Notícias de hoje o ministro das Finanças declarava que a garantia era de 50000 €. Isto significa que apenas estão seguros os que tiverem quantias iguais ou inferiores a esse montante .Os outros verão as suas poupanças ir por água abaixo. A vida nunca esteve melhor para os banqueiros e especuladores que ganham e gastam quanto querem e ainda conseguem sair a tempo do barco antes de ele se afundar. Lembro-me que há muito tempo atrás e ainda não se falava em crise financeira, um gerente bancário me dizia em jeito de desabafo : “ imagine o senhor que todos os depositantes se dirigiam a este banco a resgatar as suas poupanças. Se tal acontecesse o banco não tinha liquidez para o fazer e teria de recorrer ao crédito interbancário. Naturalmente que não é muito vulgar um gerente dizer a verdade aos seus clientes. Isto levou-me a pensar que nem sempre a poupança é a melhor solução. Provavelmente haverá outras - gastar, investir, adquirir ouro- mas todas elas têm os seus riscos e ninguém pode fugir a eles.

 

2-No discurso proferido no pavilhão Multiusos de Guimarães no passado dia 20 de Setembro e subordinado ao título “ A força da mudança “, o primeiro-ministro José Sócrates aproveitou para afirmar que a governação socialista nunca permitirá que as pensões dos portugueses sejam jogadas na Bolsa. A este respeito um colunista do JN foi investigar qual o destino do dinheiro que os pensionistas descontam para a Segurança Social e verificou que são aplicados em fundos de investimento, que pela sua natureza não estão isentos de risco. Será que os portugueses que descontam para as suas reformas poderão dormir tranquilos e esperar com confiança o futuro ?  Se os PPR poderão não ser a melhor solução no caso da falência das Companhias Seguradoras, tal como aconteceu com a AIG nos EU, terá que ser o Estado a garantir a tranquilidade através de uma gestão cuidada dos fundos de reforma.

 

3-Toda a gente sabe que há políticos corruptos e que eles existem também de forma particular nas autarquias locais. Os jornais deram conta que na Câmara de Lisboa, durante a presidência de Santana Lopes, foram atribuídas casas de renda económica, de forma discricionária e arbitrária. Nestes casos deveria haver normas rígidas e critérios transparentes de forma a atribuir as casas a pessoas de baixos rendimentos e às mais carenciadas. Parece que não foi isso que se verificou. A chamada “ cunha “ tem ainda muito peso em Portugal e foi certamente um factor determinante na atribuição das casas. Nas Câmaras Municipais há ainda outros casos onde o factor cunha ainda tem um grande peso. Nos concursos para o preenchimento de lugares, e ainda antes de se efectuarem, já se sabe antecipadamente quem vai ficar. Outras vezes são os presidentes que criam lugares para os familiares. O argumento de que tudo é feito dentro da mais estrita legalidade não cola. É que em política o que parece é e a ética devia ser um ponto de  honra a não esquecer.  Um outro cancro são as empresas municipais , um meio fácil de colocar pessoas a ganhar bons ordenados e a trabalhar pouco, que irão contribuir de forma significativa para o endividamento das autarquias.

 

4-Um outro aspecto polémico é o da liberdade de voto dos deputados. A propósito de um Projecto de Lei que vai ser apresentado pelo BE e pelos Verdes que pretendem consagrar o casamento de homossexuais, as opiniões dividem-se entre a disciplina de voto- posição do Partido Socialista- e a liberdade de voto. Pessoalmente penso que em aspectos fracturantes como este que envolvem juízos de valor ou problemas de consciência, se deve dar a possibilidade aos deputados de votar livremente. Esta é também a posição do Prof.Marcelo Rebelo de Sousa. Concordo igualmente com António José Seguro quando diz que a liberdade de voto deve ser a regra e não a excepção. Só nos casos  que constam de programas eleitorais, sufragados pelo voto popular, se deverá exigir a disciplina partidária. As questões orçamentais são também outro aspecto a ter em conta na disciplina de voto, pois sem isso não haverá estabilidade governativa. No que respeita aos casamentos gay, com os quais não concordo, não me parece que seja um assunto prioritário quando há tanta coisa importante para resolver na sociedade portuguesa: protecção à família, combate à criminalidade e à corrupção, medidas que ajudem à criação de empregos e à reanimação da ecomomia, etc, etc..

 

5-A Revista” Visão “do dia 25 de Setembro , trazia uma reportagem muito completa sobre o panorama médico  em Portugal. Fiquei a saber que temos 3,4 médicos por cada mil habitantes. Este valor é igual ao da França e ao da Alemanha e superior ao da Suécia. Como se explica  então que haja milhares de portugueses sem médico de família e hospitais com falta de médicos ? Há várias razões que explicam este aparente paradoxo.Uma delas é que nem todos os médicos trabalham em exclusividade de funções. Se um médico está num hospital ou num Centro de Saúde e tem de fazer serviço cá fora, o trabalho não rende tanto como se estivesse a tempo inteiro.  Assim as intervenções cirúrgicas têm inevitavelmente de sofrer atrasos. Recordo-me de um dia ter ido consultar um médico otorrinolaringologista que trabalhava no Hospital da Universidade de Coimbra. Quando me disse que tinha de ser operado ao nariz pedi-lhe para me inscrever na lista do Hospital.  E a resposta veio rápida: “se o senhor quiser ser operado na minha clínica talvez o possa atender esta semana; caso contrário terá que se sujeitar à lista de espera que pode demorar alguns meses. Perante este exemplo é fácil explicar as demoras no serviço público. Há, no entanto , outras causas que emperram o sistema. O SNS prefere recorrer aos contratos individuais de trabalho e aos médicos tarefeiros para suprir a falta de médicos. Ora, os médicos tarefeiros fizeram o seu estágio e formação nos hospitais públicos e saíram para ganhar mais em empresas de saúde privadas. Se um médico dos serviços públicos ganha 1800 € no privado passa a ganhar 3000 €. A tudo isto se junta o facto de muitos doentes que passam pelas urgências dos hospitais poderem ser atendidos nos Centros de Saúde se estes estivessem devidamente apetrechados para o fazer. Deste modo, se não se alargarem os quadros do SNS  de forma a estancar o recurso aos serviços privados, o sector público irá entrar em colapso dentro de poucos anos.

 

Francisco Martins

 

publicado por pontodemira às 23:29
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