Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Os casos da semana

1-Segundo informações divulgadas pelo Semanário Expresso a banca portuguesa está doente. Os três maiores bancos nacionais BCP,BES e BPI só valem metade do que valiam em Janeiro. O que a Bolsa perdeu daria para dois aeroportos e dois TGV. Os números são significativos e não deixam margem para dúvidas de que as coisas não vão bem e são um reflexo da estagnação económica em que mergulhou o nosso país. Os que pensavam que a crise do imobiliário na América, designada por subprime, não nos afectava, enganaram-se. Razão têm aqueles que dizem que quando a economia americana espirra todos os outros países, em particular os mais frágeis, se constipam.

Mas as causas que conduziram a esta situação são também endógenas. A Banca através da publicidade estimula as pessoas a consumir  e a recorrer ao crédito. Através do empréstimo bancário compra-se casa, carro , electrodomésticos e até viagens para passar férias no estrangeiro. Se a vida por qualquer razão corre mal começam a surgir as primeiras dificuldades. Não havendo dinheiro para pagar,  negoceia-se com outro banco a importância necessária para solver a dívida. A bola de neve vai aumentando e a situação torna-se incontrolável. Surgem as penhoras sobre os ordenados e os leilões de casas para pagar dívidas incobráveis. Perdem os bancos e os credores ficam em situação desesperada.

 

2-O presidente do BPI disse numa entrevista à televisão que devia ser aumentada a taxa do IRS para os que têm lucros e vencimentos acima da média. Teve a coragem de o sugerir sendo ele uma das pessoas a ser atingida com essa proposta. É de louvar esta atitude e vem de encontro àquilo que parece óbvio -  quem ganha mais deve pagar mais. Só através de uma justa redistribuição da riqueza se poderá estreitar o fosso entre os que ganham chorudos vencimentos e os que vivem com ordenados de miséria.. O governo devia por sua própria iniciativa tomar as medidas mais adequadas às finanças do país sem  estar à espera da opinião individual ou colectiva dos cidadãos.

 

3-Chegou ao fim o caso Maddie. Apesar dos meios modernos e sofisticados utilizados na investigação não foi possível apurar a verdade. A polícia judiciária que partiu inicialmente da tese de rapto terminou admitindo a hipótese de morte. Um jornalista do Semanário Expresso  considerou este caso como uma derrota para a PJ dado que a sua competência técnica foi posta em causa.. Pessoalmente não estou de acordo com esta opinião. As melhores polícias do mundo nem sempre descobrem os criminosos e por vezes também erram nas investigações que fazem. O mesmo jornalista compara ainda o desaparecimento de Maddie com o de Joana para concluir que a PJ se enganou ou pensar que a história se repetia.. É fácil emitir opiniões para quem está de fora. Mas partindo dos factos apurados -um corpo desaparecido e sem haver confissão nem provas evidentes - é muito difícil chegar a conclusões definitivas..

 

4-Já lá vai o tempo em que as brigadas da GNR iam para a estrada para prevenir os acidentes e tinham uma missão essencialmente dissuasora. Hoje têm apenas como objectivo a autuação. Para tal e para serem mais eficazes escondem-se como os ladrões para apanhar as vítimas. Se um condutor se aproxima de um sinal stop e fica quase no limite da imobilização, de pouco lhes interessa saber que no momento não havia veículos a passar. Há uma transgressão e portanto a Lei é para se aplicar.. Como os agentes da GNR quase nunca ficam no local a fiscalizar, perseguem o condutor como se fosse um criminoso e mandam-no parar mais à frente ( por vezes 500 metros  ou mais..) para o informar que transgrediu e lhe aplicarem a respectiva coima. Se o condutor afirma que parou os agentes dizem que não. E a opinião deles é que vale a menos que se vá dirimir o caso em tribunal. A tolerância é sempre zero mesmo que a manobra seja feita com todas as precauções e sem pôr minimamente em risco a segurança do trânsito.. Se é como se ouve dizer que os guardas da GNR progridem na carreira em função da quantidade de autuações que fazem, então está tudo explicado. Os objectivos são para cumprir e .., se não há transgressões, então é preciso inventá-las. Este é o país que temos.

 

 

Francisco Martins

 

 

 

publicado por pontodemira às 21:29
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