Segunda-feira, 27 de Maio de 2024

A PRÓXIMA GUERRA CIVIL- Notícias da América do futuro

 

Este é um livro escrito por Stephen Marche , canadiano e articulista da revista Esquire e colabora também nas publicações de língua inglesa como New York Times e Guardian.

Os regimes democráticos estão a entrar em decadência. A polarização partidária e o populismo estão a alastrar em muitos países. A História diz-nos que os EUA tiveram a sua origem numa guerra de Secessão ou Guerra Civil que decorreu entre 1861 e 1865. Foi uma guerra entre Unionistas e Confederados devido a uma longa controvérsia sobre a escravização dos negros. O conflito eclodiu em Abril de 1861 quando os separatistas atacaram o Fort Sumter na Carolina do Sul pouco depois de Abraham Lincoln ter tomado posse como presidente dos Estados Unidos. E passo a transcrever as passagens mais importantes do livro

Hoje tudo se encaminha para uma guerra civil. As causas que podem desencadear esta situação são as desigualdades económicas e ambientais que aumentam a cada ano que passa levando a que a riqueza produzida  se encaminhe para os que estão no topo. Por outro lado há também  um híper- partidarismo  entre Republicanos e Democratas que não têm compromisso com uma política específica e os eleitores votam neles como se pertencessem a uma tribo. O ódio partidário é também evidente. Segundo o autor do livro, neste preciso momento há xerifes eleitos a promoverem abertamente a resistência à autoridade federal. Há também milícias a armarem-se e a treinarem-se em preparação para a queda da República. Na internet, na rádio, na televisão por cabo, nos centros comerciais disseminam-se doutrinas que defendem uma liberdade radical,  inatingível, messiânica. A fé na democracia está estilhaçada. No rescaldo da eleição de Biden uma sondagem revelou que 88% dos Republicano não acreditavam que a sua vitória fosse legítima. Os governos estrangeiros têm de se preparar para uma América fragmentada com diferentes centros de poder. Têm de se preparar para uma América sem rumo. A próxima guerra civil deixou de se ser ficção científica.

Na conclusão final o autor não deixa de ter esperança na América. É bom não esquecer que durante a maior parte dos séculos  XIX e XX, a América foi sinónimo de esperança. E dá como exemplo a generosidade do Plano Marshall na Europa que ajudou a reconstituir a economia de um inimigo que a tinha tentado aniquilar. A esperança no futuro é possível se os EUA puserem em prática um sistema eleitoral moderno, restaurarem a legitimidade dos tribunais, reformarem as forças policiais, alterarem o código fiscal de modo a atacar as desigualdades prepararem as suas cidades e a sua agricultura para os efeitos das alterações climáticas, regularem e controlarem os mecanismos da violência. É necessária uma política que sirva o povo e não o contrário. Os EUA precisam de inventar uma política para uma nova era. Precisam também de uma nova Convenção Constitucional.  Na América  estão a emergir identidades étnicas distintas:  a América enquanto república de colonos brancos e a América enquanto democracia multicultura .Pode ter-se uma ou outra.  Não é possível que ambas sobrevivam a não ser enquanto países distintos.

 

                                                                                                              

publicado por pontodemira às 21:56
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Quarta-feira, 17 de Abril de 2024

A DEMOCRACIA MANIPULADA

 

Este é o título de um livro escrito por Martin Moore , director do Centro de Estudos de Media e professor catedrático no Departamento de Economia Política no King´s College de Londres.

Há muito que a democracia entrou em crise e se encontra a colapsar. Os regimes democráticos não só na Europa mas de uma maneira geral em todos os Continentes estão a resvalar e a transformar-se em autocracias ou ditaduras. Nas campanhas políticas e oficiais o eleitorado é influenciado por mensagens específicas que vão orientar os votos a favor de um determinado partido. Nas campanhas não oficiais levadas a cabo por indivíduos abastados , organizações e por grupos de pressão as decisões e os resultados alteram-se ainda mais. Em 2014 na Índia Narenda Modi é eleito com maioria absoluta e em 2016 nas Flipinas Rodrigo Duarte tem também uma vitória chocante. Na Itália em 2018 ascendeu ao poder o Movimento Cinco Estrelas em Itália.

A revolução nas comunicações digitais, Google, Facebook ou Twitter, vão ter um peso importante nas eleições, derrubando os candidatos tradicionais e apagando os partidos centristas. Na Rússia, Vladimir Putin tentou impor a soberania digital, obrigando a um controle dos dados oficiais dos cidadãos e exigiu que todos os blogues com uma audiência de mais de três mil visitantes por dia se registassem como organizações de comunicação regulada. No Irão e na China havia também meios para controlar e policiar a Internet.

No ano de 2016 os velhos sistemas democráticos estavam já sujeitos a manipulações por três tipos de « piratas informáticos » : 1- indivíduos ; 2- plutocratas ; 3-estados estrangeiros. No primeiro grupo há a salientar movimentos extremistas radicais como o AFD na Alemanha. Dele faziam parte neonazis, tecno libertários, anarquistas nacionais.  Havia uma destruição deliberada das normas democráticas na esfera digital colocando a liberdade, a soberania on line acima de tudo o resto. No segundo grupo os multimilionários tendem a perverter a política democrática usando a sua riqueza para sabotar o sistema político existente. Estes plutocratas procuram subverter os meios de comunicação social mainstream .  A família Mercer doou 11 milhões de dólares a um fundo eleitoral que apoiava Ted Cruz, o candidato republicano mais odiado pelo partido. Os extremistas da liberdade representam o maior perigo evidente para a democracia. As plataformas digitais nomeadamente a Internet e  a Google contribuíram para a maior experiência de anarquia  que alguma vez tiveram. No terceiro grupo estão os Estados Estrangeiros. O KGB investiu enormes quantidades de tempo, energia e esforço na recolha, produção e disseminação de propaganda e desinformação. Em 2013 o jornal Russo independente Novaya Gazeta  descobriu uma empresa criada nos arredores de São Petesburgo que contratava pessoas para comutar, publicar e escrever blogues online  a favor do governo Russo e para desacreditar os políticos da oposição e os inimigos da Rússia.

Que caminhos irá seguir a democracia no futuro ? Muitos países estão já a utilizar plataformas digitais que vão ajudar a facilitar os serviços na área da saúde e da educação. A outra opção é a democracia da vigilância utilizada pela  China, a Índia, Singapura, Malásia, Sri Lanka  e Indonésia para controlar a vida dos cidadãos.   Mas aqui põe-se em causa várias das liberdades que os cidadãos gozam  e que passam a ser mais restritas. Existe ainda uma terceira direcção que é a de uma democracia remanipulada para a era digital. Muitas pessoas estão a reconhecer que os nossos sistemas políticos democráticos já não estão a funcionar como deviam. As plataformas digitais podem melhorar esses sistemas mas  estão também a debilitá-los e a remodelá-los. Há provas de abusos políticos das plataformas. Estamos pois a caminhar para uma nova era  que poderá ser mais eficiente e conveniente mas que será também menos tolerante, compassiva e menos livre. É possível no entanto seguir um caminho diferente e permitir  que a democracia evolua de forma a beneficiar da tecnologia digital sem ser dirigida por ela  e renovando a confiança das pessoas, na eficácia dos sistemas políticos democráticos mas só seguindo regras adequadamente.

 

publicado por pontodemira às 20:09
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Sábado, 16 de Março de 2024

NENHUM CAMINHO SERÁ LONGO

NENHUM CAMINHO SERÁ LONGO

Este é o título de um livro escrito pelo cardeal José Tolentino de Mendonça que actualmente  desempenha o cargo de Arquivista e Bibliotecário da Santa Sé.  É especialista em estudos bíblicos e tem-se distinguido também como poeta e ensaísta.

O tema que serviu de base ao livro e desenvolveu ao longo de 21 capítulos é o da Amizade. Logo nas primeiras páginas esclarece que hoje se fala mais em Amor  do que em Amizade. Mas o termo mais apropriado nas relações pessoais e práticas afectivas será o de Amizade. A grande diferença entre amor e amizade reside no facto do amor tender sempre para o ilimitado, para a perfeição que nem sempre conseguimos. Mesmo a nossa relação com Deus devia ser organizada em termos de amizade. No fundo persistimos numa imagem de Deus que exige de nós sacrifícios, quando o Deus de Jesus Cristo quer uma vida justa, plena, levada à sua alegria. Na amizade, aceitamos do outro o que ele dá ou pode dar, e fazemos disso um ponto de partida alegre. Também é preciso amar a Deus sem ser por nada. O cardeal Tolentino diz-nos também que temos de ultrapassar uma determinada concepção do cristianismo como máquina de fabricar castigos e recompensas. Os santos ensinaram-nos o mistério da amizade divina : aceitar o que Deus me quer dar, aceitar a morte e o nada, o silêncio e a demora, aceitar a graça e a fraqueza.  O que a experiência da amizade traz de iluminante para  estruturar a nossa relação com Deus é o seguinte: aceitação do outro, o reconhecimento sereno dos limites, a ausência de domínio, a liberdade, a gratuitidade.  Como figuras bíblicas da amizade destaca : Abraão, Moisés, Lázaro e São Paulo.

Na filosofia é importante referir Aristótoles que na Ética a Nicómano distingue várias formas de amizade : 1- A amizade útil  fundada no interesse que nos pode abrir a uma relação onde existe partilha mútua ; 2-A amizade aprazível estabelecida sobretudo no prazer que a companhia nos dá ; 3-A amizade virtuosa que procura antes de tudo o bem do outro. No Evangelho de São João ( 15, 12-15 ) Jesus faz um discurso-chave « Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei . Ninguém tem mais amor do  que quem dá a vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando. A vós chamei-vos amigos porque vos dei a conhecer o que ouvi a meu Pai. »  No momento em que assistimos a um enfraquecimento institucional das Igrejas é fundamental que se dê testemunho de uma vida com simplicidade e alegria no seguimento de Cristo.

Passando para a Amizade Espiritual podemos dizer que a Amizade é antes o próprio lugar de encontro entre o homem e o divino ou seja um lugar “teofânico “. A amizade coloca-nos dentro de Deus.« Basta que  um ser humano se torne amigo de outro  para se tornar imediatamente amigo de Deus ». Devemos amar um amigo não pelo que ele possui ou pelo que ele nos pode dar, mas pelo que ele é.  A  amizade é também uma fonte de alegria. A alegria nasce do acolhimento. A alegria nasce  quando eu aceito construir a minha vida numa cultura de hospitalidade. A alegria é um dom de amizade acolhida. São Paulo é também considerado o  « teólogo da alegria » . Das 326 vezes que o vocabulário da Alegria aparece no Novo Testamento, 131 vezes é em textos do Apóstolo. Na Epístola aos Romanos São Paulo diz:  Que o Deus da Esperança vos encha de toda a alegria e paz( R15,13 ).  Há no entanto casos em que debaixo da capa da amizade se encontra a traição.  Temos como exemplo Judas que em hebraico significa « Predilecto » e que acabou por trair Jesus.

Todos nós na nossa vida passamos por momentos de solidão. A solidão pode ter origem em situações de sofrimento ou humilhação, mas também pode ser provocada por nós para meditação e encontro com outros e com Deus. Para o Mestre EcKart, a perfeição depende somente de acolher a pobreza, a  miséria, as durezas, os desapontamentos e tudo o que couber no deserto de uma vida, livremente, avidamente até à morte, como se a pessoa estivesse preparada para tal.  Em silêncio e sem perguntar porquê.   Quem sabe usar o silêncio sabe usar o tempo. É importante não perder o tempo com trivialidades e banalidades.

E o cardeal Tolentino termina dizendo que a despedida talvez seja a parte mais difícil da amizade. A dor da separação é maior do que qualquer palavra, mas as palavras como que nos seguram enquanto certas despedidas desprendem o seu vazio lentíssimo.

publicado por pontodemira às 11:23
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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2024

A BÍBLIA TINHA RAZÃO

 

Este é um livro escrito  pelo padre Jesuíta Francisco Martins, professor de literatura bíblica na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Neste livro o autor faz uma análise crítica, literária e teológica dos vários livros que compõem o Antigo Testamento. É um facto que a Bíblia não pode ser interpretada de forma literal. É necessário um estudo heurístico dos vários textos. Nela vamos encontrar vários géneros  literários. O padre Carreira das Neves no livro intitulado « A Bíblia – O Livro dos Livros » indica mesmo 6 géneros : 1- O Mito da Criação ( Génesis ); 2-Grandes Sagas ( Saga de Moisés ) , 3-Grandes Provações ( O dilúvio ) ;4-Grandes Sacrifícios ( Os sacrifícios no Levítico ), 5. Os Grandes Poemas ( Cântico dos Cânticos e Salmos ) ;6- Grandes Profetas ( Livro de Isaías, Livro de Emmanuel )

E depois desta breve introdução passo a citar os aspectos mais relevantes do livro atrás citado.  As três fontes que  servem de base ao estudo científico da História de Israel Antigo são:  a Bíblia, as descobertas arqueológicas e os achados epigráficos. Os mais antigos documentos bíblicos datam do século VII a.c. e são os chamados manuscritos de Qumram. Há  também  a referir os códices mais antigos do século IV, V d.c. contendo juntamente com o Novo Testamento, a tradução grega dos livros do Antigo Testamento em hebraico e arameu e a chamada Bíblia do Setenta ou Septuaginta em Latim que data do período helenístico  ( século III a.c. )

-O Livro do Génesis  diz.nos que Jacob teve 12 filhos que segundo o relato bíblico dão origem às doze tribos de Israel.  Os ciclos de Abraão e de Isac parece ter como pano de fundo a zona Sul da terra de Canaã ( o futuro território de Judá ao passo que o ciclo de Jacob se desenrola principalmente na zona de Efraim ( centro geográfico e político do futuro reino de Israel )

- O Êxodo. A fome em Canaã forçou o patriarca Abraão e a sua família a descer ao Egipto pouco tempo depois de terem chegado à terra prometida. Jacob enviou os filhos ao Egipto em busca de trigo num período de carestia. Depois de muitos anos de opressão, Moisés torna-se o escolhido de Yahvé para enfrentar o faraó do Egipto e libertar o povo da escravidão. As dez « pragas do Egipto » e  a « separação das águas do Mar Vermelho », irão facilitar a fuga. O Êxodo acabará por vir a ocupar um lugar de destaque na Bíblia, que enquanto « história de histórias», é um produto do trabalho  dos escribas do Sul, o reino de Judá.

- O Deus da Biblia- A História de Yahvé.  A divindade chamada Yahvé começou por se apresentar com outro nome : « El Chadai ». Ambos são uma e a mesma divindade. A PALAVRA « Israel » contém o elemento teofórico « El ». El tornou-se em hebraico o nome genérico de « deus ». No fundo El era equivalente, no Levante, de Zeus na Grécia e Júpiter em Roma. Yahvé provém da região ( Seir, Edom ) na qual este grupo étnico lançou as suas raízes e emergiu como entidade étnica durante o século XIII a.c.. Na transição para o primeiro milénio já se começa a anunciar a emergência do que viria a ser os  dois« reinos irmãos » de Israel ao Norte e de Judá ao Sul. O monoteísmo ( bíblico ) tem na figura de Moisés o seu primeiro e, de alguma forma, o seu máximo expoente. O monoteísmo  bíblico, na sua expressão mais estrita ( rejeição da existência de outros deuses além de yahvé) só terá emergido a partir do século VI a.c.) O exílio da Babilónia terá desempenhado um papel importante na reformulação da teoria local.

-Israel em Canaã: os livros de Josué e Juízes. Moisés morre às portas da terra prometida propriamente dita. E cabe ao seu sucessor Josué, liderar o povo na conquista. Josué dá início à repartição do país pelas nove tribos e meio restantes. O livro de Josué  refere-se repetidas vezes à prática de exterminar( herém) os habitantes das cidades cananeias conquistadas. O herém ou « anátema » bíblico que era aplicado em Jericó. Josué tomou também todas essas cidades e respectivos reis e passou-os ao fio da espada. O facto do herém muito provavelmente, nunca ter sido verdadeiramente praticado por Israel não invalida que se levantem questões de ordem teológica e ética a respeito do carácter de Deus da bíblia. Yahvé é uma divindade ciumenta e não olha a meios para garantir a fidelidade do povo que escolheu.

- O início da monarquia em Israel: Saul, David e Salomão.  Saul assegurou a monarquia em Israel e combateu contra todos os inimigos: Moabitas,Amonitas, Edomeus, reis de Sabá e Filisteus. David vai destacar-se sobretudo como guerreiro num combate singular contra o gigante filisteu Golias e depois como comandante do exército do rei .  Salomão herda o império de seu pai e consolida o seu estatuto como grande rei, tornando-se genro do faraó do Egipto, A Bíblia atribui-lhe uma sabedoria e uma inteligência proverbiais.

-Israel :  O reino esquecido ?   Vítima do império assírio o reino de Israel desaparece da História após dois séculos de existência. Muitos Israelitas foram exilados para a a Assíria e outros emigraram para o reino do Sul.

-Judá: História do reino do Sul.  O século IX a.c  parece ter sido uma época de recuperação ou expansão territorial para o reino de Judá. Em 701 a.c. o rei Senaqueribe chega ao Levante à cabeça do terrível exército assírio para impor uma vez mais a Pax Assyriaca ( pax Assíria ). A campanha culmina com a invasão de Judá e o rei Ezequias encerrado em Jerusalém « como um pássaro numa gaiola ». Manassés, o filho e sucessor de Ezequias, gozou do mais longo reinado foi i«o rei de Judá: 55 anos. Em 586 a.c. os Babilónios invadem Jerusalém e devastam a cidade levando os habitantes para o exílio

-A morte e a lenta ressurreição de Jerusalém ( séculos VI- IV  a.c. ) Para a maioria dos  investigadores as deportações para a Babilónia em 597 como em 586 a.c., foram mais selectivas do que os relatos deixam a duvidar. Aos Babilónios interessava mais privar Judá da capacidade para se reorganizar politicamente e suster o movimento de se reorganizarem politicamente e  de suster  um movimento de revolta. As elites políticas, religiosas e económicas foram por isso, com toda a probabilidade as principais vítimas. Com a queda do  império neobabilónico em 539 a.c. e a subida ao poder do rei Ciro da Pérsia foi permitido aos judeus exilados na Babilónia regressar a Jerusalém. Durante o longo período persa foi permitida a a reconstrução do templo Yahvista,   a reedificação das muralhas de Jerusalém e a proclamação da Torá ( Pentateuco )  , sobretudo as suas partes legislativas, como Lei local.. Um dos heróis da restauração de  Judá foi Neemias que terá chegado a Jerusalém com o beneplácito do rei persa para exercer as funções de governador de Judá/ Yehud.   Esdras parte também para Jerusalém com o encargo de verificar se os habitantes da província de Yehud estavam efectivamente a cumprir a Lei de Deus ( Torá ). Judá só recuperaria  a independência  nos séculos II a I  a.c. mas os séculos VI a V a.c. foram absolutamentre decisivos para o nascimento da Bíblia como livro Sagrado

-O início do Judaísmo. O  fim da História do Israel Antigo (no sentido estrito do termo) e o início do Judaísmo Antigo.  O termo  «Israel » que tinha uma acepção fundamentalmente poltico-social ( reino de Israel ), adquiriu no seio do reino de Judá e da tradição Bíblica, o significado teológico que ainda hoje conserva como designação da totalidade do povo eleito por Yahvé . Com a transformação da pertença étnico-geográfica numa pertença étnico-religiosa, o « Israel bíblico » enquanto família de tribos e o Yahvismo enquanto culto herdado dão lugar a uma nova entidade – o Judaismo- que combina aspectos de estirpe e de nação com características de estilo e religião

A pergunta que se coloca no fim do livro é: A  Bíblia tinha mesmo razão ? Há muitos textos na Bíblia que têm características lendárias como o Livro o Génesis. Não há dúvidas que as invasões  de Assírios e Babilónios aconteceram mesmo. O culto exclusivo a Yahvé e a proclamação da unicidade divina resultaram de um longo processo histórico que só culminou depois do exílio. Quanto ao Êxodo não se sabe ao certo se  este acontecimento pertenceu ao primeiro milénio ou se é mais remoto e tem de ser localizado no segundo milénio. Nele provavelmente podemos ler histórias como as dez pragas do Egipto e a separação das águas do mar morto.

 

publicado por pontodemira às 17:32
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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2024

QUEM GOVERNA O MUNDO

 

Este é um  livro escrito por Noam Chomsky que estudou Linguística, Matemática e Filosofia na Universidade de Pensilvânia, onde se doutorou em 1955. Os seus textos políticos têm tido uma influência notável no mundo contemporâneo. Ao longo de 23 capítulos o autor faz uma análise política da evolução  do Mundo e relata as guerrilhas que foram surgindo durante os séculos XIX e XX.

No fim da 2ª Guerra Mundial os Estados Unidos era a maior potência política e militar a nível mundial. Dominava o Pacífico, a América Latina e alguns países da Ásia Oriental. Mas o seu poder tem vindo a diminuir desde o ano de 1945. A partir do 11 de Setembro os EUA começaram a combater o terrorismo invadindo o Afeganistão e o Iraque. Por decisão de Kennedy foi invadido o Vietnam do Sul e a Indochina. Entretanto surgiram outras potências como a China, a Índia e a Rússia. Quando a União Soviética colocou misseis nucleares em Cuba esteve em risco de eclodir uma guerra com os EUA que poderiam destruir o Hemisfério Sul. Tudo isto começou, e passo a citar,  com o ataque terrorista de Kennedy a Cuba , como uma ameaça de invasão em Outubro de 1962. No que respeita ao conflito israelo-palestiniano, enquanto os EUA e Israel persistirem na sua posição de rejeitar, bloqueando o consenso internacional relativamente à criação de dois Estados, não será implementado nenhum plano com vista à garantia de segurança nacional e, portanto nenhum passo será dado no sentido de criar uma zona isenta de armas nucleares e de mitigar, ou talvez mesmo fazer desaparecer, aquilo que os EUA e Israel afirmam ser a mais grave ameaça à paz.

Hoje a Humanidade está confrontada com dois grandes problemas: a destruição ambiental e a guerra nuclear. Coloca-se diante de nós a possibilidade de qualquer esperança de vida digna ser destruída, e não num futuro distante. O que está a acontecer na Palestina é realmente dramático. Os Israelitas estão a ir longe de mais atacando civis, hospitais, abrigos de refugiados.  O Direito norte-americano defende que «  não poderá ser prestado qualquer assistência no plano de segurança a nenhum país cujo governo adopte um padrão consistente de violações flagrantes aos direitos humanos, internacionalmente reconhecidos ». Ora, Israel é, sem margem de dúvida, culpável por esse padrão consistente.

No capítulo 17 do livro Chomsky afirma que os Estados Unidos são  uma das principais nações terroristas. E afirma que o comandante terrorista Henry Kissinger ficou «apoplético » perante a insubordinação do « insignificante « Castro o qual entendeu que devia ser  «esmagado ». Aponta ainda a guerra terrorista dos EUA contra a Nicarágua e o terrorismo de Estado que Bussh entusiasticamente apoiou em El Salvador e na Guatemala. Em Cuba, as operações terroristas foram lançadas com a máxima impetuosidade pelo presidente Kennedy e pelo irmão para castigar os Cubanos pela derrota na Baía dos Porcos. As operações incluíram o bombardeamento de  hotéis e instalações industriais, o afundamento de embarcações de pesca, o envenenamento de colheitas  e gado, a contaminação das exportações de açúcar entre outros. Sondagens mundiais revelam que os EUA são vistos como a maior ameaça à paz mundial. O Irão e o Paquistão constituem também uma ameaça à paz mundial.

No capítulo final faz a seguinte pergunta: Quem governa a Mundo  ? É óbvio que nas questões mundiais os actores são os  Estados e essencialmente as grandes potências. Para Adam Smith   « Os Senhores da Humanidade » eram os comerciantes, e fabricantes de Inglaterra. No nosso tempo são os conglomerados industriais, as enormes instituições financeiras, os impérios do comércio retalhista e afins. Ainda, segundo Smith, « os senhores da Humanidade têm como máxima « Tudo par nós e nada para os outros. », ou seja uma amarga luta de classes, em largo detrimento do povo e do país de origem e do mundo. A segunda superpotência ou seja a União Europeia tem vindo a cambalear devido aos severos efeitos das políticas de austeridade durante a recessão. A democracia foi-se debilitando à medida que as tomadas de decisões foi sendo transferida para a burocracia de Bruxelas. Desde o fim da Guerra Fria, diz o autor citando um colunista do Finantial Times,«  o esmagador poder militar dos EUA tem sido um elemento central da política internacional ». Este aspecto é particularmente relevante em três regiões : na Ásia Oriental onde a marinha dos EUA se acostumou a tratar o Pacífico como « um lago Americano » ; na Europa onde a NATO tem  três quartos da despesas militares  pagas pelos EUA que garantem a integridade dos seus Estados-Membros ; e no Médio Oriente onde as bases navais e aéreas norte-americanas « existem para tranquilizar amigos e intimidar rivais ». Mas o problema da Ordem mundial é que «  esta ordem de segurança está a ser desafiada nas três regiões por causa da intervenção na Ucrânia e na Síria e porque a China transformou os seus mares vizinhos em « águas claramente contestadas ». Por outro lado a China está a construir uma versão modernizada das velhas rotas da seda ,com a intenção não só de colocar a região sob influência chinesa, mas também de chegar às regiões produtoras de petróleo da Europa e do Médio Oriente. Está também  a criar um sistema energético e comercial integrado com vias férreas de alta velocidade e oleodutos.  Na Europa de Leste há a crise que separa a NATO da Rússia. E as ambições imperialistas de Putin. Um outro desafio no Mundo Islâmico. Um enorme fluxo de armas jiadistas espalhou o terror desde a África ( agora campeã de assassínios terroristas ) ao Levante. 

Um dos grandes problemas no futuro será uma resposta digna « à crise dos refugiados »  que surgiu em plena força na Europa em 2015. Tal opção implicaria no mínimo um aumento acentuado de auxílio humanitário aos campos do Líbano, Jordânia e Turquia, onde miseráveis refugiados sírios mal conseguem sobreviver. A Europa também geme sob o fardo  dos refugiados dos países devastados de África. Actualmente, acrescento eu, temos as vítimas da guerra na Palestina que precisam também de uma ajuda rápida para não morrerem à fome num conflito que está para durar devido ao terrorismo israelita que não respeita os direitos humanos.                                                                                                             

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publicado por pontodemira às 12:16
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Sábado, 25 de Novembro de 2023

O QUE VOS PEÇO EM NOME DE DEUS

 

Este é um livro escrito pelo Papa Francisco em que nos faz alguns pedidos tendo em conta o período de grande instabilidade que estamos a viver. O mundo está a mudar dadas as transformações provocadas pela tecnologia de vanguarda nas telecomunicações, modificando radicalmente muitos aspectos da vida quotidiana de milhões de pessoas. A inteligência artificial pode trazer benefícios positivos  na saúde e na ciência mas também pode colocar no desemprego muitos trabalhadores. Depois há ainda as transformações provocadas pelas  guerras e pelo aquecimento global que põe em risco a sobrevivência de milhares de espécies incluindo a humana. O Papa apela aos jovens para que intervenham numa política posta ao serviço do bem comum universal. O ideal é que nas medidas urgentes que é necessário tomar devemos ser nós os primeiros a dar o exemplo assumindo as mudanças que queremos ver.  E passo a citar os dez pedidos que o Papa Francisco faz em nome de Deus:

  • PEÇO EM NOME DE DEUS, QUE A CULTURA DOS ABUSOS SEJA EXTIRPADO DA IGREJA. Quando o abuso de menores é cometido por membros da Igreja, já não é apenas um crime atroz, torna-se também uma ferida infligida a Deus. Referi este crime como « homicídio psicológico » devido às consequências irreparáveis que pode ter para a vida mental. Destrói a infância numa época da vida em que deveria ser de brincadeira e aprendizagem, e causa danos físicos , psicológicos e espirituais. Por isso decidimos também que os casos de abuso não prescrevem ao fim de vinte anos. São tempos de justiça que devem adaptar-se às vítimas e não contrário.
  • PEÇO , EM NOME DE DEUS, QUE PROTEJAMOS A CASA COMUM. O nosso planeta está em perigo. Vivemos as últimas décadas sob um sistema voraz, que apenas empurrou para as margens da exclusão milhões de seres humanos, mas também sujeitou a nossa Casa Comum, a Mãe da Terra, a danos nunca dantes vistos. Um paradigma socioeconómico estruturado na base da voracidade e da ganância permitiu saquear também a Natureza para sustentar e promover o ritmo do consumo e do esbanjamento que o guia. Um excesso consumista desenfreado só para alguns, poucos, e  que apenas foi possível graças à exclusão e marginalização de muitos outros e à agressão do meio ambiente, que ameaça ser irreparável.
  • PEÇO, EM NOME DE DEUS, UMA COMUNICAÇÃO SOCIAL, QUE COMBATA AS FAKE NEWS E EVITE OS DISCURSOS DE ÓDIO. Todos somos chamados a promover uma cultura que combata as chamadas fake news, que evite o discurso do ódio e se desenvolva dentro de um quadro tecnológico atento à proteção dos mais indefesos. Na vida civil, na vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado, os meios de comunicação social começam a falar mal das pessoas, dos dirigentes e, com a calúnia, com a difamação, assim os aviltam. Depois entra a justiça, condena-os e, no final, o golpe de Estado é realizado. É um sistema entre os mais indecorosos que existem.
  • PEÇO, EM NOME DE DEUS, UMA POLÍTICA QUE TRABALHE PARA O BEM Populistas tanto podem ser os dirigentes como os partidos, quando se transformam numa elite que vira as costas às pessoas que os ajudaram a ascender ao poder. Conhecemos casos de populismo do século XX que partiram da legitimidade das urnas para a sua deriva totalitária. Mesmo na Igreja não estamos isentos deste problema: até entre nós há grupos que buscam a divisão impondo as categorias de « direita e esquerda » ou « progressistas e conservadores ». O líder político deve colocar o bem comum acima dos seus interesses privados. Servir o povo e não servir-se do povo. Assim como na Igreja procuramos pastores « cheirando a ovelha » , que vivam no meio do seu rebanho, assim também a Política  está sedenta de servos que vivam no meio do povo.
  • PEÇO, EM NOME DE DEUS, QUE CESSAIS A LOUCURA DA GUERRA. A guerra é o sinal mias claro da desumanidade. Hoje enquanto peço em nome de Deus o fim da cruel loucura da guerra, também considero a sua  persistência entre nós como o verdadeiro fracasso da política. Possuir armas nucleares é imoral. A existência das armas nucleares e atómicas põe em risco a sobrevivência da vida humana na Terra.
  • PEÇO, EM NOME DE DEUS, QUE SEJAM ABERTAS AS PORTAS AOS MIGRANTES E REFUGIADOS. A  emigração hoje, que  afeta todos os continentes, já não está limitada a algumas áreas particulares, adquire a dimensão de uma dramática questão mundial. Homens , mulheres e crianças são forçados a abandonar as suas casas, na esperança de se salvarem a si próprios e de obterem  a paz e a segurança noutros locais. E o Papa convida-nos a fazer eco destes quatro verbos; acolher, proteger, promover e integrar
  • PEÇO, EM NOME DE DEUS, QUE A PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES SEJA PROMOVIDA E ENCORAJADA NA SOCIEDADE. Mesmo no seio da Igreja, procuramos avançar com processos de uma participação feminina efetiva. O nosso mundo precisa de mais dirigentes do sexo feminino, dos seus dotes e intuições, da sua dedicação. Na Igreja, como em toda a sociedade, o papel da mulher é fundamental e indispensável. Também no Evangelho as vemos como a primeiras testemunhas da ressurreição. A sociedade de exclusão em que vivemos, marcada pela globalização da indiferença, multiplicou situações de maus-tratos às mulheres. As mulheres têm a mesma dignidade que os homens. Em cada um dos cinco continentes e em cada país.

8-PEÇO, EM NOME DE DEUS; QUE SEJA FACILITADO E DEFENDIDO O CRESCIMENTO DOS PAÍSES POBRES.  No decurso da pandemia as dez pessoas mais ricas do mundo duplicaram as suas fortunas. As estatísticas dos dois últimos anos também mostram o fracasso das teorias da « recaída favorável », segundo as quais a maioria deveria contribuir para o enchimento dos copos daqueles que possuem mais, esperando que algumas gotas transbordem e caiam sobre a massa dos mais desfavorecidos. Mas o que se verifica é que os pobres são cada vez mais e estão a ficar cada vez mais pobres. A Terra, a Casa e o Trabalho deve estar ao alcance de todos.

9-PEÇO, EM NOME DE DEUS, QUE SEJA GARANTIDO A TODOS O DIREITO À SÚDE

O acesso à saúde deve ser universal e  manter os laços de fraternidade e solidariedade com o próximo. É necessário dar acesso imediato, universal e homogéneo aos medicamentos, para que não seja a lógica do mercado e dos interesses particulares a orientara distribuição dos fármacos que salvam vidas entre os habitantes do planeta.

10-PEÇO EM NOME DE DEUS, QUE O SEU NOME NÃO SEJA UTILIZADO PARA FOMENTAR AS GUERRAS. A fraternidade é o veículo do nosso futuro, se quisermos ter um futuro.  É importante que todos nos unamos na condenação unânime de qualquer tentativa de usar o nome do Todo- Poderoso para justificar qualquer tipo de violência e agressão. Queremos ser artífices da paz, revolucionários da ternura, portadores de amor e misericórdia. O inimigo da fraternidade é o individualismo, que se traduz no desejo de alguém se pôr a si mesmo e ao seu grupo acima dos outros.. Gosto de lembrar que nenhuma religião é terrorista. Não há um terrorismo cristão, não há um terrorismo judaico e não há um terrorismo islâmico. Em todas as religiões, assim, como em todos os países, há pessoas fundamentalistas e violentas que  « se reforçam com generalizações intolerantes, se alimentam de ódio e de xenofobia. A violência em nome de Deus é uma traição à religião.

Os pedidos  do Papa Francisco  dão para pensar e refletir. Com a boa vontade de todos, cidadãos, políticos, economistas, Estados e da Igreja, podiam ser levados à prática e deste modo teríamos  um mundo melhor e mais pacífico.

 

 

 

 

publicado por pontodemira às 19:56
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Sábado, 4 de Novembro de 2023

A ECONOMIA PODE SALVAR O MUNDO- Ideias Simples para resolver Grandes Problemas

 

Este é um livro escrito por Erik Angner qu é professor de Filosofia  na Universidade de Estocolmo, onde dirige o programa de Filosofia, Política e Economia. Tem doutoramento em Economia e em História e Filosofia da Ciência.

A palavra Economia vem do grego e significa administração da casa conforme a sua raiz etimológica  oikos (casa) + nomia ( administrar) . A Economia hoje é uma ciência complexa que exige análise, investigação e cálculos matemáticos para se tirarem conclusões e tirarem conclusões  e traçarem caminhos que ajudam a tornar o mundo melhor. O autor defende a ideia de que a Economia enquanto ciência pode ser aplicada  para o bem da humanidade e do planeta. Há inúmeros problemas no mundo de hoje em relação aos quais a Economia pode dar uma ajuda. Ao longo do livro EriK aborda nove casos em que ela pode ser útil e que passo a enumerar: Como acabar com a pobreza; Como criar crianças felizes e manter a sanidade; Como resolver as alterações climáticas; Como alterar os maus comportamentos ; Como dar às pessoas aquilo que elas precisam ; Como ser feliz ; Como ser humilde ; Como enriquecer; Como construir uma comunidade.

1-Como acabar com a pobreza. A Economia é e sempre foi uma ciência profundamente moral. Na melhor das hipóteses, pode inspirar compaixão pelos pobres desapossados, um desejo de fazer algo em relação à sua situação e estratégias reais e exequíveis para a resolver

2-Como criar crianças felizes e manter a sanidade. Há apenas alguns anos, a economia da parentalidade não era assunto. Agora é. No entanto , ter e educar filhos está claramente dentro do alcance da disciplina. O tópico é abordado usando todas as ferramentas, incluindo econometria e teoria da escolha racional.

3-Como resolver as alterações climáticas. A racionalidade permanece central para a economia moderna e inclui soluções exequíveis para as alterações climáticas, soluções que podem ser apoiadas por evidências. Pode ajudar-nos a perceber de onde vêm as externalidades- porque há tanta poluição, por exemplo. Pode ajudar-nos a resolver alguns dos maiores desafios que a humanidade enfrenta, incluindo as alterações climáticas. A Economia pode traçar caminho para um mundo melhor.

4-Como alterar os maus comportamentos. A Economia das normas sociais reconhece que os seres humanos, por vezes, fazem coisas muito más e por períodos muito longos- mas também são capazes de mudar, ocasionalmente, de forma dramática e rápida. A teoria diz-nos como podemos realizar mudanças sociais e, assim promover os direitos humanos e a propriedade do ser humano. Oferece também conselhos práticos sobre a melhor forma de incentivar as pessoas, grupos e sociedades a melhorar.

5-Como dar às pessoas aquilo que elas precisam A concepção do mercado fornece novas pistas sobre o papel dos valores na economia . Os designers do mercado têm de responder aos valores da comunidade em que funcionam. A concepção do mercado visa explicitamente tornar o mundo um lugar melhor  e construir um ambiente no qual as pessoas possam atingir os seus objectivos com segurança e simplicidade.

6-Como Ser feliz  A  economia não lhe diz categoricamente para tentar ganhar mais dinheiro, embora ter dinheiro possa ajudar. Mantenha as suas experiências e aspirações sob controlo. Evite comparar-se com os outros, a menos que seja necessário. Em primeiro lugar, a sua felicidade é até certo ponto, limitada por factores externos sobre os quais não pode fazer nada enquanto indivíduo.

7-Como ser humilde . A humildade epistémica é uma virtude intelectual. Baseia-se na percepção de que o nosso conhecimento é sempre provisório e incompleto. A confiança excessiva leva à imprudência, ao fracasso, à tristeza e à desilusão. Como Moore apontou o excesso de confiança tem sido implicado em crises financeiras, falências, disputas legais, partidarismo político e até guerra.

8-Como enriquecer Há quatro conselhos a seguir: (1) economize quanto puder.(2) Invista em fundos indexados, não em activos individuais.(3) Peça crédito de forma criteriosa. E finalmente (4) melhore as suas competências. A literacia financeira é também importante para processar informações económicas e fazer escolhas financeiras sábias.

9-Como construir uma comunidade. Um recurso de bem comum concentrado numa pequena localização geográfica e com um pequeno número de utilizadores potenciais é mais bem gerido por uma pequena instituição. As regras de gestão devem ser adaptadas às condições locais e as pessoas afectadas pelas regras devem ter permissão para participar para participar na sua criação e modificação.

Para concluir e na minha opinião pessoal diria que para a Economia salvar o mundo seria necessário corrigir as desigualdades sociais. Como diz o papa Francisco Esta Economia mata pois tem em vista o capital e os lucros financeiros. Há que respeitar os direitos do homem a uma existência digna onde não falte uma casa para habitar e um emprego que lhe garanta os meios de subsistência.

Hoje em dia temos de dizer não a uma economia de exclusão e da desigualdade. A autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira estão na origem da desigualdade social. Seria também necessário proceder a uma justa redistribuição da riqueza nacional tributando com impostos mais altos as grandes fortunas para poder beneficiar as classes de baixos rendimentos.

 

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Segunda-feira, 9 de Outubro de 2023

NENHUM HOMEM É UMA ILHA

 

Este é o título de um livro escrito por Thomas Merton o mais influente autor católico americano do século XX. Depois de uma adolescência e juventude exuberantes, formou-se em Inglês na Universidade de Columbia, antes de ingressar na Abadia de Gethsemani na Ordem dos Trapistas.

Como introdução diria, pessoalmente, que o homem é um ser social e por isso não deve nem pode viver isolado mas em comunidade. Todos os que trabalham são importantes e precisam uns dos outros. Não há ninguém perfeito porque só Deus é perfeito. Aqueles que têm grande capacidade intelectual ou os que são por natureza dinâmicos, atingem lugares importantes na sociedade. É claro que também há os preguiçosos, os que não trabalham e vivem da ajuda dos outros e do Estado. Numa sociedade funcional todos devem trabalhar e colaborar para o bem comum. Os cristãos vão ainda mais longe. Todos são filhos de Deus e portanto devem tratar-se como irmãos independentemente da raça, etnia ou religião

Para o autor do livro e para que a vida tenha um sentido é necessário pôr em prática certas verdades que expõe ao longo de 16 capítulos. Irei fazer um breve resumo pondo em destaca os objectivos mais importantes:

  • Só é possível ter amor dando amor. Uma felicidade que procuramos sozinhos nunca pode ser encontrada. A verdadeira felicidade encontra-se no amor altruísta.Para amar os outros com perfeita caridade, tenho de ser verdadeiro para com eles, para comigo mesmo e para  com Deus.
  • Frases sobre a esperança. Aquele que tem esperança em Deus confia em Deus. Pela fé conhecemos Deus sem O vermos. Pela esperança possuímos Deus sem sentir a Sua esperança. Ora uma esperança naquilo que se vê não é esperança ( Spes quae videtur non est spes ).
  • Consciência, liberdade e Oração. Há algo na própria natureza da minha liberdade que me leva a amar, a fazer o bem, a dedicar-me aos outros. Tenho um instinto que me diz que sou menos livre quando vivo sozinho. Onde não há fé em Deus, não pode haver ordem real; porque onde não há fé, a obediência não tem qualquer sentido. Se Deus não existe, nenhum governo é lógico, excepto a tirania. E na verdade, os estados que rejeitam a existência de Deus têm tendência para a tirania ou para a desordem absoluta.A consciência é a alma da liberdade, os seus olhos, a sua energia a sua vida. Sem consciência, a liberdade nunca sabe o que fazer consigo mesma. Uma das funções mais importantes da vida de oração é aprofundar, fortalecer e desenvolver a nossa consciência moral.
  • Intenção Pura   .As nossas intenções são puras quando identificamos a nossa vantagem com a glória de Deus e vemos que a nossa felicidade consiste em fazer a Sua vontade porque a Sua vontade é certa e boa. Uma intenção impura duvida que Deus quer o melhor para mim ao querer  o que é melhor para todos.
  • A Palavra Da Cruz. A palavra da cruz é a loucura para os que se perdem, mas para os que são salvos “ é a força de Deus “ ( 1ª Coríntios 1,18). Para sofrermos sem ficar agarrados à nossa aflição, devemos pensar numa aflição maior e voltar-nos para Cristo na cruz.
  • Asceticismo e Sacrifício. Só existe um asceticismo verdadeiro : aquele que é guiado não pelo nosso próprio espírito mas pelo espírito de Deus. Quando Cristo disse que “ a carne não serve para nada “ estava a falar de carne sem espírito, carne que vive para os seus próprios fins não apenas nas coisas sensuais, mas também nas espirituais. Viver segundo a carne é fazer da carne um fim em si mesma.
  • Ser e Fazer. Não preciso de me ver, só preciso de ser eu mesmo. Devo pensar e agir como um ser vivo, mas não devo mergulhar todo o meu ser naquilo que penso e faço. A felicidade consiste em descobrir precisamente o que pode ser “ a única coisa necessária “ nas nossas vidas e em renunciar alegremente a tudo o resto.
  • Vocação Todos temos algum tipo de vocação. Todos somos chamados por Deus para participar da Sua  vida e do Seu Reino. O que está aqui em causa não é apenas a vocação sacerdotal. O homem casado e a mãe de uma família cristã, se forem fieis às suas obrigações, cumprirão uma missão tão grande quanto consoladora: a de trazer ao mundo e formar almas jovens capazes de felicidade e do amor, algumas capazes de santificação e transformação em Cristo
  • A Medida Da Caridade. Na economia da divina caridade, só temos aquilo que damos. Mas somos chamados a dar tudo o que temos, e mais - aquilo que somos. Aquele que tenta conservar aquilo que é e aquilo que tem, e conservá-lo para si oculta o seu talento. Quando chega o julgamento do Senhor, verifica-se que esse servo não tem mais do que tinha no princípio. Só o amor pode verdadeiramente conhecer Deus tal como Ele é, pois Deus é amor
  • Sinceridade. Tornamo-nos reais dizendo a verdade. A sinceridade é fidelidade à verdade. É uma simplicidade de espírito que é preservada pela vontade de ser verdadeiro. Implica a obrigação de manifestar a verdade e defendê-la.
  • Misericórdia Podemos ter a misericórdia de Deus sempre que quisermos sendo misericordiosos com os outros ; pois é a misericórdia de Deus que actua neles, através de nós, quando Ele nos leva a tratá-los como Ele nos trata.
  • Recolhimento. É uma mudança do foco espiritual e um sintonia de toda a alma com o que está além e acima de nós. O verdadeiro recolhimento é conhecido pelos seus efeitos: paz, silêncio interior e tranquilidade do coração.
  • A minha Alma Lembrou-se de Deus. A lembrança de Deus que cantamos nos salmos, é simplesmente a redescoberta, na profunda compunção do coração, de que se lembra de nós. Em certo sentido, Deus não pode ser lembrado. Só pode ser descoberto O deus dos filósofos vive na mente que o conhece, recebe vida pelo facto de ser conhecido, vive enquanto é conhecido e morre quando é negado. Mas o verdadeiro Deus dá vida à mente que é conhecida por Ele
  • O Vento Sopra Para Onde Quer. Deus está em todo o lado, nunca nos abandona. Porém às vezes parece estar presente, e outras vezes ausente. Quem quer agarrá-Lo e prendê-Lo, perde-O. Ele é como o vento que sopra onde quer. Quem O ama deve amá-lo como alguém que chega não se sabe de onde e parte não se sabe para onde.
  • A Solidão Interior.  O segredo e a solidão são valores que pertencem à própria essência da personalidade. Se amar uma pessoa, irei amar o que mais faz dela uma pessoa: o secretismo, a dissimulação, a solidão do seu próprio ser individual, que só Deus pode penetrar e compreender. A verdadeira solidão é altruísta: logo rica em silêncio, caridade e paz. A falsa solidão é egocêntrica.
  • Silêncio. Não são raras as vezes em que o nosso silêncio e as nossas orações fazem mais para levar as pessoas ao conhecimento de Deus de que todas as palavras que proferimos sobre Ele. O silêncio de todos os desejos desmesurados dissolve a barreira entre nós e Deus. Aí, passamos a viver somente n´Ele. A vida não deve ser vista como um fluxo ininterrupto de palavras que é por fim silenciado pela morte.

 

 

Para terminar diria que neste belo texto do teólogo Thomas Merton podemos encontrar muitas sugestões que a serem cumpridas nos levariam ao verdadeiro caminho para Deus e a uma sociedade mais justa e pacífica.

 

publicado por pontodemira às 08:47
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Terça-feira, 5 de Setembro de 2023

O ROSTO DE DEUS

 

Este é o título de um livro escrito por Roger Scruton que foi um dos mais importantes filósofos do século XX e início do século XXI. Exerceu a sua actividade como professor no BirbecK College em Londres, no Boston University, no American Enterprise Institute  e na University of  St. Andrews.

Deus é imanente e transcendente. É imanente pois está presente em todo o lado. É transcendente porque não se chega à imagem real de Deus empiricamente ou através da Ciência.. Para Roger Scruton a visão de Deus não está em nenhum lado( nenhures ). A sua natureza e ser colocam-no fora do mundo das particularidades empíricas. Como diz São Tomás de Aquino é o Deus « absconditus », o Deus oculto. E aqui ocorre perguntar : « Como podemos participar da visão a partir de nenhures, que é Deus ? » . De certo Deus tem de estar presente no mundo se devemos ter fé Nele pois a fé é uma relação de confiança, que exige o tipo de mutualidades que um ser livre pode oferecer a outro, no mundo do espaço e do tempo. A ligação entre a crença em Deus e a comunidade dos crentes é reconhecida no conceito cristão de comunhão. É pela comunhão que nos encontramos face a face com Deus.

Mas existe também a vista de algures que é o mundo em que vivemos e que é constituído por seres irracionais mas também por pessoas que têm um eu e uma personalidade própria. Há duas coisas que sei sobre mim como sujeito e sobre as quais não posso estar errado. A primeira é que sou um centro unificado de consciência. Continua a ser verdade que existe em cada um de nós uma esfera de autoconhecimento que é privilegiada. Sem essa esfera privilegiada não haveria  «eu ». A segunda coisa que sei com certeza é que posso dar e receber razões para a acção, juízo e crença. A pergunta:  Porquê ? Faz sentido para mim. Estamos num mundo onde há sujeitos e objectos. As pessoas não são apenas sujeitos: são objectos num mundo que compartilham. São seres vivos que respiram, agem, têm corpo e ocupam espaço físico. Estamos num mundo em que justo e injusto, virtuoso e vicioso, belo e feio, certo e errado são todos discerníveis. Entre os mais interessantes dos conceitos que imbuem e  dão  estrutura ao mundo humano está o rosto. É através da compreensão do rosto que começamos a ver como é que os sujeitos se dão a conhecer no mundo dos objectos.

O rosto torna-se o alvo e a expressão das nossas atitudes interpessoais e os olhares, relances e sorrisos tornam-se a moeda dos nossos afectos. Sorrir é uma maneira de estar presente no rosto; outra maneira é beijar.  Para os gregos existiam 2 tipos de amor: o amor romântico ( eros ) e o amor caridade ( ágape ) .Nenhuma sociedade poderia assentar exclusivamente no amor erótico ou no amor caridade. Uma sociedade baseada apenas no ágape está muito bem mas não se reproduziria nem  produzirá a  relação fulcral ente pais e filhos.  O rosto do mundo e da Terra vai sendo desfigurado pelo hábito de consumir. O problema ambiental surge porque tratámos a terra como um objecto e instrumento, um pouco como temos tratado o ser humano ou seja como objecto e instrumento. As praças e ruas estão a deixar de ser lugares onde caminhamos e conversamos; em vez disso são lugares pelos quais nos apressamos a caminho de um lar que talvez nunca encontremos. A degradação ambiental ocorre exactamente da mesma maneira que ocorre a degradação moral através do desfiguramento das coisas.

O último capítulo trata exclusivamente do rosto de Deus e do que devemos fazer para o conhecer. Toda  a beleza da Terra e do Universo são obra , graça e dádiva de Deus. Mas não é pelas leis quânticas da física que chegamos a Deus. Deus também é amor (ágape ) e é por este meio que Ele desce  até nós. Por isso também nós devemos ser doadores desinteressados sem esperar recompensas. Mesmo num mundo materialista e profano há pessoas   que poem de lado o seu interesse pessoal e agem por causa dos outros. E aqui ocorre perguntar: Onde está o rosto para aquele que acredita na sua presença real entre nós ? O autor do livro responde dizendo que  encontramos essa presença em toda a parte, em tudo o que sofre e renuncia por causa do outro. Eu diria que temos que ser como o bom samaritano que socorreu a vítima caída na estrada e necessita de ajuda.

E o autor do livro termina dizendo : Não nos devemos surpreender se Deus é tão raramente encontrado agora. A cultura do consumidor não contempla sacrifícios; o entretenimento fácil distrai-nos da nossa solidão metafísica. A reorganização do mundo como objecto de apetites obscurece o seu sentido como dádiva. É inevitável, portanto, que momentos de reverência sagrada sejam raros entre nós. O nosso mundo continha muitas oportunidades para o transcendental mas elas foram bloqueadas por lixo.

publicado por pontodemira às 11:50
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Domingo, 20 de Agosto de 2023

Ressaibos da Jornada Mundial da Juventude

 

Sou leitor da VISÃO há umas décadas pois para mim é a melhor revista semanal. Na revista do dia 03-09-2023 vinha um artigo intitulado «Um País de Joelhos » escrito por Pedro Marques Lopes que confessa ser ateu e ter dormente um mata- fradismo .Este texto deixou-me atordoado pelos ataques que faz às religiões monoteístas e sobretudo à Igreja católica. Estamos num país laico onde é possível uma convivência pacífica entre ateus, agnósticos e crentes desde que haja  respeito mútuo e sem ataques àqueles que são crentes. Sou católico e sei perfeitamente que a Igreja ao longo dos séculos cometeu vários erros como no tempo das Cruzadas, da Inquisição e recentemente com o assédio sexual de alguns sacerdotes. Mas por outro lado também sabemos que em todos os Continentes uma grande número de sacerdotes e  religiosas dedicam inteiramente a sua vida ao serviço dos que precisam de ajuda e apoio.

Todos os jovens que participaram na Jornada Mundial da Juventude vieram de livre vontade,  manifestaram a todos a sua alegria e voltaram para os seus países satisfeitos com o que viram. As jornadas Mundiais não se fizeram para promover um país ou para propaganda da Igreja. O Papa Francisco convocou a juventude para esta jornada pois ela é importante para revitalizar a Igreja onde todos são precisos.  Os  representantes da Igreja Católica nos hospitais públicos e nas Forças Armadas deve-se ao facto desta Igreja ser maioritária em Portugal e de poder prestar ajuda e apoio aos crentes que dela precisam. Não faz sentido que haja representantes de todas as igrejas ou seitas religiosas nestas instituições quando o número de fieis e praticantes é reduzido. Mas se alguém num  hospital pedir ajuda ao representante de uma instituição da qual faz parte certamente que não lhe será vedada a entrada.

Diz o autor que a vida de Deus dá sentido a muita gente. Eu acrescento que continua e continuará a dar sentido a muita gente. Uma vida sem sentido é uma vida vazia. A beleza da natureza e a complexidade das leis que regem o universo não vêm do nada. E se os ateus como Dawkins  dizem que tudo vem do nada podemos perguntar : De onde vem o nada ? É lógico  que haja no princípio do mundo uma inteligência superior que ordenou tudo sem falha.

publicado por pontodemira às 18:43
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