Sábado, 31 de Janeiro de 2026

A situação de instabilidade e agitação no mundo actual

A situação de instabilidade e agitação no mundo actual

No fim da 2ª Grande Guerra tivemos um período de paz na Europa e até em muitos países do Mundo. Hoje a situação mudou por completo. Os países de ambições imperialistas como a Rússia e os Estados Unidos da América estão a criar o caos. A Rússia está a fazer guerra à Ucrânia que era um país independente. Os EUA invadiram a Venezuela para se apoderar das reservas de petróleo. Num livro que acabei de ler e que tem por título « A Hora Dos Predadores » o autor Giulliani da Empoli , diz-nos que os grandes países se servem da sua força para conquistar territórios e se apoderarem das suas riquezas naturais. A esses que pilham e roubam são chamados predadores.  E passo a citar algumas passagens do livro.  « Se a política é de facto a continuação da guerra por outros meios, daí decorre que tal actividade tende a atrair em toda a parte os caracteres mais violentos, aqueles que só na luta encontram sentido à sua vida. Ao  ocupar a Crimeia em 2024 , Putin quebrou o tabu,  laboriosamente construído após a 2ª Guerra Mundial, que proibia um país de recorrer à força para modificar as suas fronteiras.  Os EUA  passaram da era de negociações arduamente disputadas entre diplomatas para a diplomacia cinética por meio da força armada. Para esta situação estão a contribuir muitos países que passaram de um regime democrático para regimes autocráticos. Isto permitiu o regresso dos demiurgos que reinventam a realidade e pretendem moldá-la de acordo com os seus desejos. »

O Presidente Norte Americano Trump já deu provas no início do seu mandato de se querer apoderar do Canadá e da Gronelândia. Pois o lema dele é « América Great » ou  « América First »  . O Presidente Americano ameaçou também impor tarifas adicionais  aos países europeus que enviassem tropas para a Gronelândia. »

No Mundial de Davos estiveram  presentes vários políticos que fizeram críticas a Trump e aos EUA. Desses políticos passo a destacar os seguintes : Primeiro Ministro do Canadá Justin Trudeau, Jordan Bardella da Uniâo Nacional de Marie Le Pen, ZellensKy da Ucrânia.

Para o Primeiro Ministro do Canadá a velha ordem não vai voltar. Viver dentro da mentira de benefícios mútuo através da integração torna-se  fonte da vossa subordinação sobre a soberania do Ártico. Estou firmemente ao lado da Gronelândia e da Dinamarca e damos pleno apoio ao seu direito de determinar o futuro da Gronelândia.

Jordan Bardella ( União Maria Le Pen ) disse no seu discurso que quando um Presidente dos EUA ameaça território Europeu  usando pressão comercial , isso não é diálogo é coerção. E a nossa credibilidade está em jogo. A escolha é simples : submissão ou soberania.

Finalmente Zellensky disse que a Europa precisa de defender-se sozinha. Em vez de se tornar em poder global, a Europa mantem-se como um caleidoscópio de poderes médios. Alguns líderes europeus são da Europa mas não pela Europa,» E acrescento como exemplo a Hungria onde temos um presidente autocrata que é mais pro-Putin do que pro-Europa.

No período que se seguiu ao fim da 2ª Guerra Mundial a Europa viveu um período de paz e de confiança  de que os EUA   poderia ajudar no caso de uma agressão externa. Hoje tudo mudou com o Presidente Trump de ambições imperialistas e que só ajuda se daí extrair qualquer benefício. A Europa não pode continuar adormecida  e terá que se unir criando uma força e uma estrutura que lhe permita fazer face a qualquer agressão ou ataque externo.

 

A

publicado por pontodemira às 19:11
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2025

IGUALDADE. O que é e porque é tão importante.

 

Este é o título de um livro em que o economista Thomas Piketty e o filósofo  Michael J. Sandel  abordam o tema da Igualdade  e debatem a desigualdade propondo soluções.

Ao longo dos anos sempre houve desigualdades sociais. Elas foram maiores há cem ou duzentos anos. Hoje têm vindo a diminuir mas ainda existem  tanto na Europa como nos Estados Unidos e na América, na Índia e no Brasil. Com a Revolução Francesa foram abolidos os privilégios da aristocracia. No século XIX foi abolida a escravatura. No século XX surgiu  a ascensão dos movimentos sindicais, do sufrágio masculino universal e do sufrágio feminino universal. As desigualdades têm  a ver não só com os rendimentos básicos, mas também com a igualdade política e a dignidade das pessoas. Para a prosperidade é necessário um aumento de um sistema socioeconómico mais inclusivo e igualitário e um acesso mais inclusivo à educação. Para Sandel tem que haver uma tributação mais progressiva, um desenvolvimento mais pleno do Estado-Providência e impostos sucessórios que garantam heranças para todos. Os bens humanos fundamentais podiam ser desmercantilizados tais como o acesso à educação, à saúde, à  habitação, à voz e influência e participação política. Se a desmercantilização for suficientemente longe é evidente que a desigualdade monetária se torna quase irrelevante. Se a educação for altamente mercantilizada surge obviamente a questão do acesso desigual. A globalização conduz também ao populismo. Piketty diz que se não controlarmos o comércio livre  não controlamos os fluxos de capitais e veremos as alternativas nativistas e nacionalistas promovidas por Trump. É preciso controlar muito mais os fluxos de capitais e fluxos de comércio. Com o fluxo de mão de obra é necessário haver regras sobre como pagar a educação e a habitação das pessoas que chegam. Por outro lado a Teoria do Mérito é o terceiro pilar da era neoliberal. Assim temos a globalização, a financialização e a meritocracia. Para ter mérito na entrada na Universidade é preciso que as oportunidades sejam iguais para todos. As crianças com pais pobres tendem a ser pobres na idade adulta.. As Universidades haviam de ter regras de admissão para todos, ou talvez dar mais oportunidades a pessoas vindas de famílias com baixos rendimentos. Havendo muitos candidatos deveria ser usado um sorteio entre os que estão bem qualificados. A Universidade de Havard nos EUA costuma dar prioridade no acesso de candidatos  filhos de pais que frequentaram a Universidade ou de doadores. Poderia haver mais recursos para a educação com um sistema fiscal mais equitativo e uma tributação fortemente progressiva de rendimentos e de riqueza. Piketty defende mesmo uma espécie de Estados Unidos do Mundo com tributação progressiva. Os multimilionários e as grandes multinacionais deviam pagar quer estejam nos EUA, na China ou na Europa.

No último capítulo Sandel diz o seguinte: « há três espécies de igualdade que discutimos: um é económico sobre a distribuição de rendimentos e da riqueza; o segundo é político, sobre a voz , o poder e a participação ; depois uma terceira categoria sobre a igualdade, estatuto , respeito, reconhecimento, honra e estima. E qualquer esperança que se possa ter na redução da desigualdade económica e política, tudo dependerá da criação de condições para uma maior igualdade de reconhecimento, honra, dignidade e respeito.

E para terminar Thomas Piketty conclui o seguinte: « Penso que as origens da desigualdade e a origem dos problemas que temos de abordar são múltiplas e decorrem de desigualdades na propriedade e desigualdade no talento a que as pessoas tentarão depois dar um sentido moral para poderem justificar o vencedor e  estigmatizar o perdedor. O problema não é as pessoas que possuem uma casa  ou  um carro. O problema é a concentração incrível de propriedade em poucas mãos e isso acompanha a concentração de poder. Quando uma pessoa não possui nada ou quando a única coisa que tem é dívidas tem de aceitar qualquer condição de trabalho, qualquer salário, porque precisa de pagar as suas contas. Concordo com Rousseau quando diz que o problema é a acumulação, a acumulação ilimitada de propriedade privada.»

Para concluir, e pessoalmente, diria que tanto Sandell como Piketty  fazem propostas justas para reduzir as desigualdades como tributações e impostos progressivos para todos os países , mas difíceis de concretizar e  em alguns casos utópicas. É possível no entanto fazer mais e muito mais desde que haja boa vontade em o fazer . O dinheiro que se gasta em armamento militar nos países que estão em guerra daria para ajudar a desenvolver os países mais pobres.

publicado por pontodemira às 21:38
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Quarta-feira, 30 de Abril de 2025

O TEMPO VOA ( Tempus fugit )

 

A Quaresma e a Páscoa que foram tempo de reflexão para os cristãos já ficaram para trás. Com o falecimento do Papa Francisco surgiu outro tempo para meditar pois deixou-nos muitas encíclicas e livros que nos ajudam também a reflectir. E passo a citar e a analisar sinteticamente aquilo que é mais importante e merece ser lido.

1.Laudato Si- trata do cuidado com o meio ambiente e com todas as pessoas pois todas as coisas da nossa Casa Comum foram criadas por Deus.

2-Fratelli Tutti- O Papa exorta todas as pessoas a edificarem um mundo fraterno e de diálogo.

3-Evangellium Gaudium.  Menciona que a alegria do Evangelho deve ser partilhada com aqueles que sofrem mas  aponta também para uma justiça social, do respeito pela criação, do diálogo inter-religioso e  do papel das mulheres na Igreja.

4-No livro Sonhemos Juntos -No caminho para um futuro melhor o Papa Francisco diz-nos que Deus quer construir o mundo connosco como colaboradores a todo o momento e convida-nos que nos unamos a Ele desde o princípio, em tempos de paz e em tempos de crise, desde sempre e para sempre. Precisamos de uma economia que permita a todos o acesso aos frutos da criação e às necessidades básicas da vida: terra, teto e trabalho. O caminho para um futuro melhor tem de ser percorrido em três etapas: é necessário um tempo para ver, um tempo para escolher e um tempo para agir. Na primeira etapa tem de se abrir os olhos e deixar que penetre em nós o sofrimento que nos rodeia, para que desta forma possamos escutar a voz do Espírito de Deus que nos fala a partir das periferias. Na segunda etapa temos que reflectir nos princípios orientadores da nossa escolha e naquilo que nos diz a doutrina social da Igreja que se rege pelo princípio da solidariedade e da subsidaridade. Na terceira tapa temos de agir de acordo com os princípios atrás mencionados. Temos todos que agir unidos cooperando uns com os outros e segundo o princípio da fraternidade. A solidariedade não é partilhar as migalhas da mesa mas fazer com que na mesa haja lugar para todos. A dignidade dos povos é um chamamento à comunhão: partilhar e multiplicar os bens, com a participação de todos e para todos. A dignidade dos nossos povos exige corredores seguros para os migrantes e refugiados, de modo que possam viajar sem medo, de zonas de morte para outras mais seguras.

5- Finalmente temos o livro  “ O que vos peço em nome de Deus “  Aqui o Papa Francisco apresenta 10 ideias para um Futuro de Esperança e que passo a citar : 1- Que a cultura dos abusos seja extirpada da Igreja ; 2-Que protejamos a Casa Comum;3.Uma comunicação social que combata as fake news e evite os discursos de ódio; 4-Uma política que trabalhe para o bem comum;5-Que cesse a loucura da guerra; 6-Que sejam abertas as portas aos  migrantes e refugiados ; 7-Que  a participação das mulheres  seja promovida e encorajada na sociedade ; 8  Que seja facilitado e defendido o crescimento dos países pobres ; 9- Que seja garantido a todos o direito à saúde; Que o nome de Deus não seja utilizado para fomentar guerras.

E para terminar podemos concluir o seguinte:

Pela sua longa actividade ao serviço da Igreja , Francisco foi um Papa que ganhou a simpatia de crentes e não crentes. Foi um Papa simples, humilde e fraterno. Lutou pela Paz e pelo fim da guerra. Entendia e muito bem que a Igreja não podia ficar fechada em si mesma e que tinha de ir para as periferias dar a mão a quem precisava de ajudas. Lutou também pela preservação do meio ambiente e da casa Comum que Deus criou para todas as criaturas. Chamou a atenção para a economia que mata que visa apenas o lucro e fecha os olhos à miséria e á pobreza. Aponta o dedo à globalização da indiferença e ao mercado livre que pouca atenção dá aos pobres e miseráveis. Convocou um Sínodo mas muitas ideias e caminhos a seguir estão em stand by.  Convém lembrar que o mais importante no cristianismo não é como alguns pensam saber muita doutrina  mas pô-la em prática. Doutrina sem práxis pouco ou nada vale.

Vamos todos esperar que o novo Papa que vai ser eleito dê continuidade ao trabalho deixado pelo Papa Francisco.

 

publicado por pontodemira às 19:33
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Sexta-feira, 7 de Março de 2025

UCRÂNIA EM GUERRA E EUROPA ADORMECIDA

 

A Ucrânia está há três anos em guerra. Tudo começou quando a  Crimeia  foi invadida e anexada pela Rússia em 2014. Como a Europa não reagiu as tropas russas avançaram e detêm hoje 20% da Ucrânia. Tudo isto se deve às ambições imperialistas de Putin que violou as leis do direito internacional invadindo um país autónomo e independente. E como se isto não bastasse, através de bombardeamentos vai destruindo habitações, hospitais e escolas. Em vez de lutar contra as tropas ucranianas mata adultos e crianças indiscriminadamente cometendo um genocídio. Durante o tempo em que Biden foi presidente dos EUA  as ajudas em material de guerra foram importantes para impedir o avanço das tropas russas. Com a eleição do presidente Trump tudo mudou pois é um imperialista que apenas se preocupa em fazer a América Grande. Por outro lado só aceita ajudar a Ucrânia se puder tirar benefícios da exploração da riqueza mineral da Ucrânia.

Na revista VISÃO de 27 de Fevereiro vinha um artigo muito elucidativo com o título Europa Ataque à Defesa escrito por Filipe Fialho do qual passo a citar algumas passagens :  « Com Trump e Putin amancebados sobre a Ucrânia e uma nova ordem imperial, os Europeus unem esforços para reforçar a segurança  conjunta e não depender dos EUA. » E mais à frente acrescenta o seguinte: «  Como escreveria Tucídides, o historiador que nos  relatou a Guerra do Peloponeso, há 25 séculos entre Esparta e Atenas.  « Os fortes fazem o que podem e os fracos suportam o que devem». Francis Fukuyama  o politólogo americano que escreveu  há três décadas  O Fim da História e o Último Homem, acusa  Donald Trump de ter cometido algo que classificou de   traição, relativamente ao conflito da Ucrânia. Na plataforma digital Persuasion apresentou um argumento simples: « Encontramo-nos a meio de um combate global entre as democracias liberais e os governos autoritários; e nesta luta, os EUA mudaram de lado e juntaram-se ao campo autoritário». O tempo encarregou-se de lhe dar razão porque o seu artigo , publicado a 20 de Fevereiro antecedeu um momento histórico na Assembleia Geral da ONU. Na mesma data em que se cumpria o terceiro aniversário da invasão, na sede da organização em Manhattan , a Ucrânia apresentou uma Resolução de três páginas a condenar a agressão russa e a solicitar uma paz justa e  duradoura. O resultado foi o seguinte: 93 votos a favor  (  quase todo o Ocidente, com excepção de Israel, Hungria e Eslováquia e 18 contra, com os EUA  a colocarem-se ao lado da Rússia, da Bielorrússia, do Irão, da Coreia do Norte e de outros regimes autocráticos De tudo isto Francis Fukuyama e Laurance Nordon  investigadora do Instituto  Francês de Relações Internacionais concluem que os  EUA  de Donald  Trump são hoje adversários estratégicos e ideológicos da Europa e defendem o regresso  das esferas de influência e do regresso do imperialismo colonial e Stephen M. Walt professor em Havard é ainda mais radical:  «Sim a América é agora a inimiga da Europa » título do seu artigo na Foreign Policy

Como ao longo de muitos anos a Europa não se preparou para uma possível guerra vai ser difícil agora ajudar a Ucrânia  a vencer as forças russas. Segundo dados técnicos de algumas prestigiadas instituições seriam necessários 300 000  homens para conter as tropas russas e muitos países têm baixos níveis de equipamento para  cumprir as suas tarefas. Alguns países como o reino Unido já manifestaram interesse  em juntar-se à União Europeia para ajudar a Ucrânia. E como vai sempre haver guerras  é melhor seguir o adágio latino que nos diz: «  si vis pacem para  bellum ( se queres paz prepara-te para a guerra )

 

publicado por pontodemira às 19:22
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Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2025

ESPERANÇA -Autobiografia do papa Francisco

 

Este é um livro escrito pelo Papa Francisco em que relata as memórias desde a infância até ao momento actual.

A esperança é um dos elementos da trilogia ( Fé, esperança e caridade ) ou seja o verdadeiro caminho que nos pode conduzir a Deus. Todos podemos saber muita doutrina e ir muitas vezes à missa mas isso de nada vale se ficarmos indiferentes e insensíveis ao que se passa à nossa volta como a fome, a guerra  e a discriminação. O Papa Francisco é filho de pais Italianos que devido à instabilidade económica e política tiveram de emigrar para a Argentina. Esta viagem  não era nada fácil pois muitas pessoas morriam durante a viagem  e antes de chegar ao destino. O Papa teve ainda  conhecimento do horror  e da tragédia da 2ª Guerra Mundial através dos migrantes que nessa altura chegaram da Itália. Sabemos também que o Papa Francisco frequentou o Colégio Salesiano na área metropolitana de Buenos Aires onde fez o sexto ano em 1949. Pensava ser médico mas aconselhado pelo tio Luigi   e pelo tio Vicente escolheu  entrar para a escola técnica e frequentar o curso de química. Em 1950 iniciou os seus estudos na Escola Técnica Especializada em Indústria Química. Também teve uma paixão infantil por uma rapariguinha de Flores que foi colega dele na escola primária. Mas um dia ao passar perto da Igreja de São José apercebeu-se que alguma coisa o impelia a entrar.  E aqui surgiu  a sua vocação religiosa. E Deus não se limita a tranquilizar ao nível psicológica nem é um ansiolítico. Faz muito mais: oferece-nos esperança de uma vida nova. E em 1956 entrou no seminário diocesano da Imaculada Conceição de Vila Devoto. Gostava do Seminário mas devido ao surto da gripe asiática tiveram de o tirar do seminário numa maca quase a morrer. Retiraram-lhe um litro e meio de água da pleura. E para fazer a endoscopia aos pulmões sedaram-no com morfina. Mas pouco a pouco, as febres decidiram abandoná-lo e a luz começou a regressar. Quando saiu do hospital a decisão estava tomada : entrou como noviço na Companhia de Jesus. Depois da ordenação em 1990 enviaram-no para Espanha  para o Colégio Santo Inácio em Alcalá de Henares, a cidade natal de Cervantes. Professaria os seus últimos votos perpétuos  a 22 de Abril de 1973 em São Miguel quando já era professor dos noviços. A 31 de Julho de1973  era já superior provincial  da Ordem. Tinha 36 anos  e era o mais jovem a ocupar aquele cargo na Argentina. Em 1992 tinha acabado de ser nomeado  bispo vigário de Flores. Diz-nos o Papa  que sonha com uma Igreja cada vez mais mãe e pastora cujos ministros saibam ser misericordiosos, cuidar das pessoas, acompanhando-as como um bom samaritano. Uma Igreja que procure novos caminhos e que é capaz de sair de si mesma. A Igreja é de Cristo. E Cristo é de todos e para todos. Todos são chamados. Todos. Bons e maus, jovens e velhos, sãos e doentes. Não existem duas crises separadas: uma ambiental e outra social mas uma única e complexa crise socio ambiental. É  preciso restituir a dignidade aos  excluídos, combater a pobreza e a exploração, cuidar do ambiente e salvaguardar as  nossas próprias vidas. Acrescenta também que se não se fabricarem armas durante um ano, a fome no mundo acabaria por completo num só dia  e sem despesas militares salvar-se-iam 34 milhões de pessoas, mas em vez disso escolhe-se aumentar as despesas militares tal como nunca aconteceu e   ….fabricar a fome. Devemos opor-nos aos ladrões do futuro com a crença de que o único  futuro possível pertence a mulheres e a homens solidários e a povos irmãos e também que a única autoridade legítima é a que representa  serviço a esta causa, pois a autoridade que não é serviço é ditadura. Nós cristãos, devemos viver na consciência de que os nossos melhores dias estão para vir.

Mais de três milhões e meio de pessoas vivem hoje em regiões sensíveis às devastações das mudanças climáticas. É  preciso deixar para trás as divisões entre fãs , entre catastrofistas e indiferentes, entre radicais  e  negacionistas e unir forças para sair progressiva e resolutamente da noite escuríssima das devastações ambientais.

E no último capítulo que tem por título « Eu sou apenas um passo » o Papa Francisco diz-nos o seguinte:  A Igreja tem raízes no passado , em Cristo  vivo, vivo durante o seu tempo, na sua Ressurreição e raízes no futuro e na promessa  de Cristo, que permanece até ao fim dos séculos. No mundo contemporâneo fala-se muito em secularização. A Igreja sempre teve momentos de secularização  nas primeiras heresias, o arianismo, por exemplo, com os bispos cortesãos para quem a política religiosa do imperador era a norma suprema a seguir e com os imperadores que perseguiam os bispos católicos não arianos. A Igreja tem a necessidade de todos, de cada homem e de cada mulher e todos temos necessidade uns dos outros. A indiferença pode matar. O amor não tolera a indiferença. Não podemos ficar de braços cruzados, indiferentes nem de braços caídos., fatalistas. O Cristão estende a mão. Para nós cristãos o futuro tem um nome e esse nome é esperança. A felicidade é sempre um encontro e os outros são uma  ocasião concreta para encontrar o próprio Cristo. A ternura não é senão isto:  o amor que se torna próximo e concreto. É  usar os olhos para ver o outro, usar os ouvidos para ouvir o outro, para ouvir o grito dos pequenos, dos  pobres que temem o futuro. É necessário sermos humildes, deixar espaço ao Senhor, não às nossas fingidas seguranças. A ternura não é fraqueza é verdadeira força. É a estrada que os homens e  as mulheres mais fortes e corajosas percorreram. Percorrei-a, lutai com ternura e com coragem. Eu sou apenas um passo. E para terminar diria que todos nós deveríamos ser capazes de também dar um passo em frente.

 

 

publicado por pontodemira às 19:42
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Sexta-feira, 20 de Dezembro de 2024

DEUS , A CIÊNCIA, AS PROVAS

 
 
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Este é o título de um livro escrito por Michel Yves Bolloré engenheiro informático e mestre em Ciências e doutor em gestão de empresas pela Universidade de Paris e por Olivier Bonnassies licenciado em Teologia pelo Instituto Católico de Paris.
O tema do Universo e da existência de Deus tem sido abordado há muitos séculos por filósofos e cientistas. Na filosofia temos Platão no século IV a.c. que nos diz existir uma divindade suprema “ Demiurgo “, um grande organizador que está acima de tudo o que está organizado. Para Aristótoles tudo o que se move é movido por outro e por isso tem de haver um Primeiro Motor, um ser pensante que é Deus. Mais tarde São Tomás de Aquino propõe cinco vias para chegar à existência de Deus: do 1-A prova do movimento que se assemelha à de Aristótoles ; 2- A prova pelas causas eficientes : tudo o que recebe existência é causado por alguma coisa, mas não se pode ir até ao infinito ; 3-A prova da contingência que exige a existência de um ser necessário , 4- A prova pelos graus de perfeição ou seja as coisas imperfeitas supõem a existência de uma perfeição absoluta. ; 5- A prova pelas causas finais ou seja a orientação dos seres para um objectivo não pode ser explicado pelo acaso.
No período iluminista o interesse vai sobretudo para o Homem e é pobre nas provas da existência de Deus. No século XVIII o filósofo Kant na Crítica da Razão Pura pretende demonstrar que pela Razão não se pode chegar ao transcendente e provar a existência de Deus. As ciências experimentais levam filósofos como Diderot, d’ Alembert, d’ Holbbach a afirmar que não existe mais nada senão matéria em movimento. Finalmente e no fim do século XX surgem os filósofos Nietzche, Marx e Freud que pretendem convencer as pessoas que só os moralmente doentes ou os socialmente alienados ou obcecados podem querer provar a existência de Deus.
Ao longo dos anos desenvolveram-se assim duas teorias sobre o Universo: uma materialista defende que o Universo é exclusivamente material .Segundo esta teoria o Universo é eterno e por isso não teve um começo nem terá fim. A outra teoria aponta para a existência de um Deus criador. Esta teoria que reconhece a existência de um Deus criador baseia-se nas seguintes provas ligadas à ciência:
1-Morte térmica do Universo. É hoje aceite quase unanimemente que o Universo inteiro acabará com a uma morte térmica inelutável. ; 2- BIG BANG . Se o Universo se dirige para a morte térmica e esta ainda não ocorreu é porque o tempo no passado não é infinito ou seja teve um começo. A cronologia diz-nos também que o Universo está em expansão e teve um começo designado por Big Bang , 3-Princípio Antrópico. As condições iniciais no momento do Big Bang foram ajustadas com uma precisão alucinante de forma a permitir a vida na Terra, 4- Biologia. O salto vertiginoso do inerte ao vivo e o ajuste fino de ordem biológica veio juntar-se ao ajuste fino cosmológico.
Resumindo podemos dizer que a Ciência provou que o Universo teve um começo um Big Bang e que tudo foi ajustado desde o início de forma a permitir a existência de seres vivos. Na parte final do livro são apresentadas provas não científicas da existência da existência de um Deus criador. A afinação do Universo segundo leis complexas não pode provir do acaso. Tem todo o fundamento que a religião acredite num Deus omnipotente e criador. Por outro lado se Deus não existe o mal não existe e tudo é permitido. O cosmos é o único absoluto e não há diferença entre o homem e o mosquito: não passam ambos de subprodutos temporários da matéria e da energia
A conclusão final do livro é a seguinte: A explicação materialista do Universo nunca foi mais do que uma crença e é doravante uma crença irracional. Esta poderá ser a opção de muitas pessoas mas é sem dúvida uma escolha desprovida de qualquer fundamento racional. As provas atrás referidas são claras e universalmente aceites
publicado por pontodemira às 21:35
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Sábado, 19 de Outubro de 2024

A ESCOLA DA ALMA- Da forma de educar à maneira de viver

 

Este é o título de um livro escrito por Josep Maria Esquirol, professor da Universidade de Barcelona

O homem é diferente de todos os outros animais pois tem uma alma, ou para os que não são crentes, tem uma consciência ou espírito reflexivo. E é esta alma que deve ser iniciada e formada na Escola, com bons Mestres, e atingir a maturidade na experiência da vida.

Ao longo do livro o filósofo diz-nos que há situações que podem tornar as pessoas felizes. E passo a citar nove. Assim, são felizes:

1-Os  que vão à Escola.  A Escola é também um lugar, aquele onde se cultiva a alma mediante atenção às coisas do mundo. Skolé ( em grego ) significa ócio, tempo liberto das exigências do trabalho e da produção. Ócium em grego significa descanso e tempo livre e afasta-se do negotium , isto é do emprego e do trabalho.

2-Os que encontram bons Mestres  Não há escola sem Mestres, sem bons mestres. O encontro com o mestre acontece na Escola. O mestre leva consigo um propósito: acompanhar o aluno na descoberta do  mundo. Se tiver um bom mestre vai recordá-lo  e lembrar-se dele com frequência.

3- Os que vão contra o destino.  Estes são os que derrotaram o destino porque para eles não existe destino. Não somos  escravos de um poder metafísico supremo, nem de um poder imanente ( matéria, natureza, sociedade). Cada um de nós é um início. Não foi o resultado de determinada circunstância, mas do confronto com determinada circunstância.

4-Os que prestam atenção e treinam o seu espírito para receber. A atenção é a disposição que permite que algo de bom chegue até nós.  Prestar atenção conduz-nos á interrogação e ao diálogo. Quem treina a atenção torna-se uma pessoa atenta, que respeita as coisas do mundo, os outros e a si mesmo.

5-Os que fazem amigos de traços, números, palavras ou gestos. São fortes. Sem uma forma de ser, nada seria. Ora o ser humano é uma forma de ser capaz de adquirir ainda mais forma e capaz de gerar ainda mais formas. A formação é o processo que leva à aquisição de uma determinada forma. A maturidade humana é uma vida reflexiva que gera.  As boas formas do mundo geram reflexividade ( alimenta a alma ) que por sua vez é fonte de boas formas.

6-Os que não fazem mal aos outros :  fazem já muito bem Toda a Terra devia ser uma Terra de paz. Mas não é assim e provavelmente nunca o foi. A Escola deve educar respeitando  três regimes éticos e morais :  o de não fazer mal, o da igualdade e o da generosidade. E o autor cita Santo Agostinho quando diz “ Ama e faz o que quiseres »

7-Os que seguem atentos ao mundo verão o caminho  A maturidade, a vida espiritual é o horizonte da educação. A maturidade expressa-se na maneira de viver. Existem dias sombrios, e abissais no mundo. A vida está ameaçada pela morte.  O sentido pelo sem sentido.. A bondade pela maldade .A paz pela guerra. A saúde pela doença. A alegria pela desolação. A maturidade e a vida espiritual expressam-se em três reiterações:  a contemplativa juntamente com a beleza e a profundidade do mundo; a médica diante da doença e da profundidade do mundo ; a cosmopoética no envio do mundo , tornando o mundo mais mundo.

8-Os que permanecem atentos à vida verão a maneira de viver a forma de vida A melhor transformação é muitas vezes a transformação da vida quotidiana numa vida quotidiana melhor. Há tempo para agir,  e tempo para repousar e é como se o repouso da alma se realizasse em sintonia com o repouso do mundo. Na vida reflexiva e madura não nos limitamos a viver, mas testemunhamos a vida.

9-Os que regressam à Escola da Alma tomarão nota num caderno .Todas as Escolas da Alma, aquelas que realmente o são, entenderam que a alma devia ser cultivada, porque pode perder-se. Tanto o mundo como a  alma pedem amor. Sem amor tudo se retrai. Todos somos educadores, porque nos orientamos uns aos outros. A viver aprendemos uns com os outros. Mas morremos e não teremos ainda aprendido o suficiente a viver. A esperança não anula o desespero, mas não deixa que ele tome conta de tudo e mantem uma brecha aberta. Cada vida humana traz consigo o impulso da criação e o desejo da salvação. O mestre ensina-nos a ser criadores do mundo e irmãos de tudo, de forma vinculada. As pessoas têm necessidade de poesia e de mística para não  enlouquecerem. Para os nihilistas não há nada que realmente valha a pena. O auge da geração- da criação- é a generosidade- O mundo não se explica a si mesmo. O homem transcende os factos e é metafísico e religioso. As pessoas com bom senso, são pessoas místicas porque sabem que vivem no mistério da vida e do mundo

No final  do livro o autor termina dizendo o seguinte sobre o último dia de aulas: À maneira reflexiva e madura de viver opõe-se o fechamento. E é nesta situação que aparecem o fundamentalismo religioso, o totalitarismo político. O fundamentalismo transforma-se em dogmatismo, imposição e até de violência O totalitarismo leva a movimentos de extrema-direita e não está ao serviço da justiça ou da democracia. O caminho da vida é o caminho da busca do sentido da vida. Quem realmente pensa  deseja que o sem-sentido, o absurdo, a injustiça e a escuridão não tenha a última palavra. A paixão do principiante deve fazer frente e resistir ao diletantismo académico, à cultura nihilista de baixo tom , à sonolência consumista, ao cientifismo convertido em ideologia e sobretudo a todas as formas de fundamentalismo e de totalitarismo.

E para finalizar J.M. Esquirol diz-nos que no último dia de aulas reza-se a última oração filosófica  pela paz e dedica-se um tempito à meditação sobre a vida. A oração é um pedido e também uma intenção de acção. E a meditação serve para que o pensamento nunca deixe de ser um pensamento vivo.

 

 

publicado por pontodemira às 15:59
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Segunda-feira, 30 de Setembro de 2024

LIBERDADE E IGUALDADE- O QUE SERÁ UMA SOCIRDADE JUSTA ?

LIBERDADE E IGUALDADE

O QUE SERÁ UMA SOCIEDADE JUSTA ?

Este é o título de um livro escrito  por Daniel Chandler formado em Filosofia,  Economia e História em Cambridge.  Tem como tema base a Teoria da Justiça, livro escrito por John Rawls. Sobre este último livro já escrevi em 5 de Outubro de 2013 um texto que publiquei no meu blog pontodemira.

O livro de Daniel Chandler divide-se em duas partes. Na primeira faz uma análise dos aspectos mais importantes da Teoria da Justiça: 1- O que é justo; 2-Um novo contrato social, 3- Rawls e os seus críticos.

 A política é cada vez mais volátil dando origem a um populismo autoritário com ameaças aos valores democráticos liberais. Temos como exemplo Donald Trump nos Estados Unidos, Maria Le Pen em França, Jair Bolsonaro no Brasil e Naranda Modi na Índia. O objectivo do livro é esboçar uma visão do que poderia ser  uma sociedade justa e convencer o leitor de que isto é normalmente desejável e praticamente viável mas exige determinação e empenho na acção.

O que é justo- Para Rawls há dois princípios de justiça a considerar: Primeiro princípio . Liberdades básicas  Cada pessoa deverá ter um direito igual ao mais amplo sistema de liberdades básicas iguais que sejam compatível com um sistema semelhante de liberdades para todos; e neste sistema  as liberdades políticas iguais, e apenas estas devem ter garantido o seu valor equitativo.; Segundo princípio: Igualdade equitativa de oportunidades. As desigualdades económicas e sociais devem  satisfazer duas condições: em primeiro lugar, que estejam ligadas a posições e funções abertas a todos nas condições de igualdade equitativa de oportunidades; em segundo, que redundem nos maiores benefícios possíveis para os mesmos,  beneficiando, de uma forma que seja compatível com o princípio da poupança justa .As liberdades básicas podem ser agrupadas em três categorias: pessoais, políticas e processuais. As liberdades pessoais incluem a liberdade de consciência, de pensamento, expressão, de associação e os direitos à integridade física e a não sofrer coerção, liberdade de movimento, escolha livre de ocupação, direito a uma vida familiar privada, liberdade de escolha em questões de sexualidade, reprodução, direito a deter propriedade pessoal como roupa e habitação. Na liberdade política inclui-se o direito de votar e de se recandidatar a cargos públicos. As liberdades processuais sustentam as proteções vitais como a liberdade  contra a detenção arbitrária e o direito a um julgamento justo.

  Igualdade equitativa de oportunidade   Rawls  defendia a igualdade «equitativa » de oportunidades, em que todos teriam a mesma hipótese de desenvolver as suas aptidões e capacidades naturais, independentemente da classe, raça e do género.

Na 2ª parte do livro o autor faz uma análise detalhada dos seguintes temas : 1-Liberdade, 2-Democracia; 3-Igualdade de oportunidades, 4- Democracia no local do trabalho. Para cada tema vou citar algumas sugestões indicadas por Daniel Chandler.

1-Liberdade-  Devemos promover uma cultura de tolerância e de respeito mútuo e proteger a dignidade e segurança das minorias oprimidas . O mecanismo institucional mais importante para garantir as nossas liberdades básicas é de longe uma constituição e um poder judicial independente. Devemos acolher os refugiados que fogem da perseguição ou da privação extrema. 2-Democracia- O sistema de representação proporcional é mais representativo que o sistema de escrutínio maioritário uninominal. As doações das empresas a partidos devia ser totalmente banido. 3- Igualdade de oportunidades. É uma igualdade equitativa que depende de duas coisas: em primeiro lugar os empregos e os cargos devem ser atribuídos com base no talento e não no nepotismo ou no preconceito; em segundo lugar, todas as pessoas devem ter oportunidades igual de desenvolver os seus talentos e as suas capacidades. Não deve haver discriminação de raça nem de género. 4-Prosperidade partilhada. Segundo o princípio da diferença, as desigualdades só são justificadas se todas as pessoas beneficiarem delas- por exemplo, porque providenciam incentivos que,  por sua vez encorajam a inovação e o crescimento económico. Na maioria dos países ricos, a desigualdade excede em muito o nível que pode ser justificado segundo o princípio da diferença.. Para satisfação das necessidades básicas o autor propõe a defesa de um rendimento básico universal e incondicional  ou  RBU. Trta-se de um pagamento regular em dinheiro a todos os cidadãos. É universal no sentido em que seria pago a todas as pessoas, ricas e pobres e é incondicional porque seria pago sem qualquer obrigação de trabalho ou de procurar trabalho.  Na minha opinião este rendimento só seria aceitável se um grande número de pessoas não fosse capaz de satisfazer as suas necessidades básicas com o trabalho. Este rendimento implica grandes custos e por isso teria que ser limitado no tempo e atribuído por exemplo durante 5 anos. O autor propõe ainda um imposto progressivo sobre a riqueza que seria uma fonte de rendimento para a despesa geral do Estado. Outra proposta seria um imposto sucessório mais progressivo ou até um imposto anual sobre as maiores fortunas.5- Democracia no local do trabalho Deve haver leis que garantam um nível mínimo de segurança, decência e de dignidade para todos. A lei do trabalho deve assegurar o direito das pessoas ao lazer e a uma vida decente fora do local do trabalho. Sugere ainda uma cogestão das empresas. Na Alemanha os trabalhadores têm direito de eleger um terço de do Conselho e Administração em todas as empresas com mais de 500  empregados. Uma outra ideia seria substituir os acionista pelos trabalhadores organizando Cooperativas de trabalhadores.

COMCLUSÃO FINAL  A Democracia fez grandes progressos ao longo dos anos. Foi abolida em muitos países a escravatura, estabelecido o sufrágio universal e o Estado Providência. Mas hoje a democracia está a degenerar-se e a caminhar para regimes ditatoriais e autocráticos. É necessário fortalecer a democracia instituindo  as liberdades básicas propostas por Rawls através de uma constituição escrita e pelo reforço da independência dos Tribunais e  adaptando um sistema de representação proporcional. Tem também de se lidar com a emergência climática e ecológica reduzindo as emissões de carbono e proteger os ecossistemas. Fazer esforços para  lutar contra as desigualdades de raça e de género.. É preciso também romper com o neoliberalismo e colocar a sociedade na rota da justiça, da equidade e da igualdade. Daniel Chandler termina dizendo que as nossas sociedades só mudarão quando nós, o povo, o  exigirmos. Cada um de nós tem a responsabilidade de fazer isto acontecer, não só através do voto, mas também pela adesão e pela candidatura a eleições, ir para a rua e juntar as pessoas para construir um movimento social mais amplo. Mas cabe-nos a nós , individual e coletivamente, construir uma sociedade em que sejamos, por fim, verdadeiramente livres e iguais.

publicado por pontodemira às 21:35
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Quarta-feira, 31 de Julho de 2024

DESMASCULINIZAR A IGREJA ?

Desmasculinizar a Igreja ?

Este é o título do livro em que o padre e teólogo Luca Castiglioni  e as teólogas Lucia Vantini e Linda Pocher fazem uma análise crítica do « princípio mariano-petrino de Hans Urs Balthasar ( 1905-1988 ) onde há uma marginalização das mulheres.

Recordo-me quando era mais novo que as mulheres e os homens estavam separados na Igreja. Os homens ficavam à frente e as mulheres atrás. O Papa Francisco na Introdução ao livro diz que « é necessário que nos escutemos reciprocamente para «desmasculinizar a Igreja pois ela é a comunhão de homens e mulheres que partilham a mesma fé e a mesma dignidade batismal. Que não nos cansemos de caminhar juntos pois só quando caminhamos é que somos aquilo que devemos ser. »

De uma maneira geral diria que o princípio-mariano compara a Igreja à família e é aqui o lugar da mulher cuidando dos filhos e do governo da casa. O princípio-petrino diz-nos que a autoridade pertence ao homem pois foi a ele( São Pedro) que foram dadas as chaves da Igreja. Ao homem pertence o espaço da praça, a tarefa da justiça e da produção, a força da autonomia, a razão, a transcendência, a teologia.  Para a teóloga Lucia Vantini o princípio de Balthasar é problemático não apenas porque interpreta o princípio petrino-masculino como exclusivamente ministerial-institucional. A isto se opõe São Paulo que na Epístola aos Gálatas( 3,28) nos diz que  « não há judeus nem Gregos, não há servo nem homem livre, não há macho e fêmea, pois todos vós sois um só em Cristo  Jesus »

Para o padre  e teólogo Luca Castiglioni  são precisos outros princípios, outros padres para uma masculinidade evangélica. É necessário que os ministros ordenados estimulem e apoiem as dinâmicas virtuosas a que todos somos chamados. Durante milénios no Ocidente predominou um sistema  «androcêntrico» , «patriarcal » e de masculinidade hegemónica. Hoje o sistema patriarcal já não subsiste ou não encontra legitimação institucional e cultural.

No fim do livro a teóloga Linda Pocher esclarece que no tempo de Jesus não havia apenas discípulos. E refere-se a Maria e outras discípulas mitagogas. Maria junta-se como discípula exemplar à companhia de suas irmãs , a Samaritana, Marta de Betânia, Maria de Betânia e Maria de Magdala. Não se trata de mulheres solteiras, mas mulheres adultas, livres de obrigações familiares: podiam ser viúvas com filhos adultos ou então mulheres casadas que já tinham criado- ou não tinham tido –filhos a quem os maridos permitiam que deixassem o lar ; ou ainda quem sabe, poderia tratar-se de casais cujos membros seguiam Jesus. Na comunidade dos ressuscitados com Cristo as mulheres são bem-aventuradas porque acreditaram, oferecendo assim o próprio corpo e o próprio coração a Deus para que Ele possa realizar grandes coisas nelas e através delas.

Para terminar diria em resumo que  desmasculinizar a Igreja será acabar com certos estereótipos e preconceitos em relação às mulheres pois todos os batizados são filhos de Deus sem qualquer descriminação.

 

publicado por pontodemira às 12:34
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Segunda-feira, 27 de Maio de 2024

A PRÓXIMA GUERRA CIVIL- Notícias da América do futuro

 

Este é um livro escrito por Stephen Marche , canadiano e articulista da revista Esquire e colabora também nas publicações de língua inglesa como New York Times e Guardian.

Os regimes democráticos estão a entrar em decadência. A polarização partidária e o populismo estão a alastrar em muitos países. A História diz-nos que os EUA tiveram a sua origem numa guerra de Secessão ou Guerra Civil que decorreu entre 1861 e 1865. Foi uma guerra entre Unionistas e Confederados devido a uma longa controvérsia sobre a escravização dos negros. O conflito eclodiu em Abril de 1861 quando os separatistas atacaram o Fort Sumter na Carolina do Sul pouco depois de Abraham Lincoln ter tomado posse como presidente dos Estados Unidos. E passo a transcrever as passagens mais importantes do livro

Hoje tudo se encaminha para uma guerra civil. As causas que podem desencadear esta situação são as desigualdades económicas e ambientais que aumentam a cada ano que passa levando a que a riqueza produzida  se encaminhe para os que estão no topo. Por outro lado há também  um híper- partidarismo  entre Republicanos e Democratas que não têm compromisso com uma política específica e os eleitores votam neles como se pertencessem a uma tribo. O ódio partidário é também evidente. Segundo o autor do livro, neste preciso momento há xerifes eleitos a promoverem abertamente a resistência à autoridade federal. Há também milícias a armarem-se e a treinarem-se em preparação para a queda da República. Na internet, na rádio, na televisão por cabo, nos centros comerciais disseminam-se doutrinas que defendem uma liberdade radical,  inatingível, messiânica. A fé na democracia está estilhaçada. No rescaldo da eleição de Biden uma sondagem revelou que 88% dos Republicano não acreditavam que a sua vitória fosse legítima. Os governos estrangeiros têm de se preparar para uma América fragmentada com diferentes centros de poder. Têm de se preparar para uma América sem rumo. A próxima guerra civil deixou de se ser ficção científica.

Na conclusão final o autor não deixa de ter esperança na América. É bom não esquecer que durante a maior parte dos séculos  XIX e XX, a América foi sinónimo de esperança. E dá como exemplo a generosidade do Plano Marshall na Europa que ajudou a reconstituir a economia de um inimigo que a tinha tentado aniquilar. A esperança no futuro é possível se os EUA puserem em prática um sistema eleitoral moderno, restaurarem a legitimidade dos tribunais, reformarem as forças policiais, alterarem o código fiscal de modo a atacar as desigualdades prepararem as suas cidades e a sua agricultura para os efeitos das alterações climáticas, regularem e controlarem os mecanismos da violência. É necessária uma política que sirva o povo e não o contrário. Os EUA precisam de inventar uma política para uma nova era. Precisam também de uma nova Convenção Constitucional.  Na América  estão a emergir identidades étnicas distintas:  a América enquanto república de colonos brancos e a América enquanto democracia multicultura .Pode ter-se uma ou outra.  Não é possível que ambas sobrevivam a não ser enquanto países distintos.

 

                                                                                                              

publicado por pontodemira às 21:56
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