Quarta-feira, 27 de Abril de 2022

A SABEDORIA EM TEMPO DE CRISE

                                       

Estamos a viver uma época de crise. Tudo começou com a pandemia que matou milhares de pessoas. As medidas de contenção  impostas obrigaram muitas empresas e restaurantes a fecharem as portas lançando no desemprego centenas de trabalhadores. Os funcionários dos serviços públicos foram obrigados a trabalhar on line e a fazer  horas extraordinárias para cumprir as tarefas de que foram incumbidos. O mesmo aconteceu com os profissionais de saúde, médicos e enfermeiros que foram sobrecarregados com serviços e tiveram de empenhar-se a fundo para salvar vidas.

Agora temos a Guerra da Ucrânia que está a reduzir a cinzas um país livre e  independente e que vivia em paz. Tudo isto se deve às ambições imperialistas de um governante que tem ódio aos países democráticos e as melhores relações com países de regime autocrático que não respeitam a liberdade dos cidadãos, que subordinam o poder judicial ao político de maneira a poderem perpetuar-se no poder. Fico impressionado com as imagens que vejo na televisão e que mostram a crueldade com que se matam cidadãos inocentes e que viviam em paz.

Muita gente pensou que com a queda do Muro de Berlim e com o fim da Guerra Fria se iria viver um período de liberdade de democracia e de paz. Tal não veio a acontecer e o que nos espera no futuro é a guerra em determinados países e a paz noutros. Será que não é possível estabelecer a paz no mundo ? Para o filósofo Rousseau o homem é por natureza bom mas a sua vida em sociedade fá-lo inclinar-se para o mal. Mas o filósofo Hobbes pensa de maneira diferente. Para ele o homem já nasce mau e não sabe viver em sociedade e por isso é preciso um Estado autoritário para o meter na ordem. Com o pensamento de Hobbes se identificam hoje os ditadores e autarcas e todos os políticos que reduzem a liberdade e os direitos dos cidadãos para se eternizarem no poder. Reflectindo bem, os homens não são como os animais irracionais e podem, se houver entendimento,  praticar o bem e estabelecer a paz.

À pandemia e à guerra na Ucrânia podemos juntar também as alterações climáticas que se estão a agravar de dia para dia. Há terras na África que estão a secar  e a tornar impossível a agricultura. A temperatura do ar está subir  e a derreter as calotas de gelo polares aumentando o volume da água do mar que pode depois invadir as terras que ficam junto à costa. As ondas de calor podem também provocar furacões e tempestades que se estão a tornar cada vez mais frequentes. E se não se tomarem medidas caminharemos para uma situação catastrófica.

Perante estas situações tão dramáticas que acabei de enumerar é conveniente agir com sabedoria. O Historiador José Mattoso abordou este tema num livro que escreveu que tem por título “ Levantar o Céu- Os labirintos da sabedoria “  A sabedoria pode estar associada à Razão ou à Fé.

  • Sabedoria e Razão. Neste caso a sabedoria tem a ver com os conhecimentos científicos, tecnológicos e artísticos. Os conhecimentos científicos e tecnológicos contribuíram para o desenvolvimento, para a melhoria do nível de vida e para o aumento da longevidade no século XX e XXI. Mas nem tudo é positivo no desenvolvimento. Há desperdícios e consumismo exagerado; concentração de riqueza nas mãos de uma percentagem reduzida de pessoas enquanto outras vivem na miséria. Também têm dado origem a utopias pessimistas. Orwell imaginou uma sociedade totalitária em que  há um big brother( chefe totalitário) a que todos têm de obedecer.
  • Sabedoria e Fé. A Fé nasce muitas vezes de uma experiência pessoal: contemplação das belezas da natureza, de uma obra de arte e dos ensinamentos de Jesus Cristo que podemos ler nos Evangelhos e nas Epístolas de São Paulo. A Fé como diz o Historiador José Mattoso não é uma doutrina mas uma práxis. No contacto com os que sofrem, os que passam fome podemos desenvolver o nosso espírito de solidariedade e fraternidade. E é assim ,como diz o Papa Francisco na encíclica Fratelli Tutti, que todos em conjunto podemos construir uma sociedade mais humana e mais justa, pôr fim à guerra e construir a Paz. A guerra como diz o Papa Francisco é um fracasso da política e da Humanidade, uma rendição vergonhosa, uma derrota perante as forças do mal.Com o dinheiro usado em armas e noutras despesas militares, devia construir-se um Fundo Mundial para acabar de vez com a fome e para o desenvolvimento dos países pobres, a fim de que os seus habitantes não recorram a situações violentas ou enganadoras, nem precisem de abandonar os seus países à procura de uma vida mais digna.

E para terminar vou transcrever uma passagem do livro “ Levantar o Céu “ em que o Historiador José Mattoso diz o seguinte :  «  Enquanto houver sobre a Terra alguém que procure levantar o Céu, quer dizer, implantar um pouco de bondade e de beleza sobre a Terra, restabelecer equilíbrios, perdoar ofensas, renunciar ao poder, vibrar com uma cantata de Bach, arriscar a vida para matar a fome a alguém, comover-se com o riso de uma criança, sentir-se interpelado pelo mistério de Jesus Cristo no  Getsémani como Aquele que carrega os pecados do mundo- enquanto houver alguém que teime entregar-se à Vida sem pensar em si mesmo, mas tendo em mente os seus semelhantes- não é insensato manter a esperança. »

                                                                      

publicado por pontodemira às 21:26
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Quarta-feira, 30 de Março de 2022

A NOVA ARTE DA GUERRA- Sean Mc Fate

A NOVA ARTE DA GUERRA

Este    é o título de um livro escrito por Sean Mc Fate professor de estratégia na Universidade de Defesa Nacional e na School of Foreign Service da Universidade de Georgetown. Foi também paraquedista da 82ª divisão Aerotransportada do exército americano e mais tarde trabalhou numa empresa militar privada, onde integrou algumas missões a que faz referência . Neste livro  dá-nos uma visão actual sobre os conflitos mundiais  e a geoestratégia do futuro. Em breves palavras irei fazer um resumo dos pontos essenciais tratados no livro.

Sean Mc Fate  diz-nos logo de início que ganhar não é matar o maior número de inimigos ou capturar a maior extensão do território. A França foi derrotada na Argélia e na Indochina, a Grã Bretanha na Palestina e em Chipre, a URSS no Afeganistão, Israel no Líbano e os Estados Unidos no Vietname, Somália, Iraque e Afeganistão. As Nações Unidas não fizeram nada para travar os genocídios no Ruanda e no Dafur. Nem desafiaram a usurpação da Crimeia pela Rússia, nem puseram fim a décadas de matança no Médio Oriente.  Dos 194 países do mundo, quase metade vive alguma forma de guerra. A desordem tomou conta do Médio Oriente e da África, de partes significativas da Ásia e da América Latina. E avança na Europa. Os conflitos não começarão e acabarão, mas eternizar-se-ão em guerras sem fim. A desordem duradoura está aí e aqueles que souberem combatê-la ganharão. Precisamos de nos equivaler ao inimigo  e aprender a jogar segundo as regras da nova arte de guerra

1ª Regra A guerra convencional morreu . É um combate de Estado-contra-Estado em que o instrumento primordial do poder é a força bruta em que a batalha decide tudo o resto Apesar disso, continua ser o nosso modelo, e essa é a razão por que o Ocidente perde guerras contra inimigos mais fracos..É preciso reequilibrar as forças militares de modo a incluírem menos armas convencionais e mais forças de operações especiais  que desempenham tarefas como recolha de informações, engenharia, apoio médico, logística e uma miríade de competências altamente necessárias para apoiar os combatentes em cenário de guerra.. A 2ª  Regra A tecnologia não nos salvará.Os conflitos actuais já nos demonstraram que a tecnologia superior e o poder de fogo não vencem guerras. A guerra é uma forma de política armada e procurar uma solução técnica para um problema político é uma loucura. O poder do cérebro é superior ao poder de fogo e devemos investir nas pessoas, não em plataformas.. 3ª Regra. Guerra e Paz vão coexistir sempre. Conquistar os corações e as mentes é o único caminho para a vitória quando se travam guerras convencionais. É preciso adoptar estratégias. No sentido mais lato a grande estratégia é uma política que rege a maneira como o país se comporta nas relações internacionais.  4ª Regra . Conquistar o coração e a mente não basta.  A legitimidade em sociedades como a iraquiana ou a afegã não é conferida por um contrato social democrático, mas sim pelo Islão político. Devoção sincera a Deus e a observância das leis da sharia são mais importantes e é por isso que a Al-Quaeda, o Estado islâmico e os talibãs ganham terreno. A coerção tem funcionado em muitos casos. Em 1999 a Rússia esmagou a revolta chechena pondo cerco a Grózni, a capital da Chechénia e arrasando-a. Outra estratégia é a deslocalização. Durante a 2ª Guerra Mundial os chechenos queriam aproveitar a oportunidade para se separarem da União Soviética. Em resposta o Exército Vermelho espalhou os chechenos à força pelos 11 fusos horários da URSS.  Há uma terceira estratégia que é a importação e a diluição.  Mao na China anexou o Tibete e enviou para o Tibete milhões de chineses tornando os tibetanos uma minoria na sua própria pátria.5ª Regra. As melhores armas não disparam balas.  Hoje em dia, quando a Rússia pretende desestabilizar a Europa, não ameaça com uma acção militar, como era prática da antiga União Soviética. Em vez disso, bombardeia a Síria. Esta tática empurrou dezenas de milhares de refugiados para a Europa e exacerbou a crise da imigração, instigando o Brexit e alimentando políticas anti-establishment por todo o continente. 6ª Regra.Os mercenários vão dominar o panorama militar. Os mercenários são mais económicos e é por isso que sempre têm existido ao longo da história, sendo os exércitos nacionais actuais a excepção. Os relatórios indicam que existem na Síria 2 500 mercenários a soldo da Rússia. A Rússia utiliza-os igualmente na Ucrânia. A ONU abdicou do seu papel de prevenção de conflitos, a sua missão principal desde 1946. Nada fez para travar o crescimento dos mercenários, tal como não fez nada de significativo para travar as guerras no Iraque, Síria…por toda a parte. O Direito internacional não funciona nem  a ONU.. 7ª Regra. Vão surgir novas potências mundiais A erosão dos Estados encorajará novos tipos de superpotências a preencher o vazio de autoridade. Em 2016, os governos da Turquia e do Egipto avançaram mais abertamente para ditaduras de Estado policial em que o Estado profundo é o único Estado existente.  8ª Regra. Haverá guerras sem Estados O México é um exemplo de uma guerra sem Estados. Os carteis da droga combatem-se uns aos outros pelo controlo da região, enquanto os Estados são marginalizados e transformados em narco-estados zombies .Os conflitos na Somália e na República Centro-Africana inserem-se nesta categoria, uma vez que estes Estados não existem de facto. Chamamos-lhe Estados unicamente para poder localizá-los no mapa. A guerra do Congo é palco de outra guerra sem Estados. 9ª Regra. As guerras na sombra prevalecerão Perto do início da guerra da Ucrânia, forças russas por procuração fizeram explodir nos céus o voo 17 da Malaysia Airlines, matando 298 pessoas a bordo. A Rússia tornou-se uma superpotência de desinformação, adoptando uma estratégia de « matem-nos com confusão». E está a resultar. As evidências estão por toda a parte: tornar invisível uma guerra na Ucrãnia, recorrer à pirataria informática para interferir nas eleições presidenciais de 2016 nos EUA, influenciar a votação no Brexit, apoiar grupos políticos marginais, alimentar o nacionalismo de direita nos países da NATO e engendrar o seu papel dúbio no Médio Oriente. Quando Putin chegou ao poder em 1999, tinha perante si uma nação fraturada, devorada pelo crime organizado e pela anarquia. Então ele teve o seu momento. Uma série de explosões atingiu 4 edifícios de apartamentos em 3 cidades russas, incluindo Moscovo, matando 293 pessoas e ferindo 1000. Em breve se descobriu que as explosões foram obra de terroristas chechenos e ondas de pânico varreram a Rússia. Só que não foram os chechenos; foi Putin a tentar consolidar o seu poder político, facilitando a sua ascensão do cargo primeiro-ministro para a presidência.10ª Regra. Existem muitas maneiras de assegurar a vitória  A guerra híbrida descreve os conflitos actuais como uma mistura de prática da guerra convencional e não-convencional. Por exemplo a Rússia conquistou a Crimeia usando material convencional, como os tanques, e meios não convencionais, como os homenzinhos verdes

N a parte final do livro o autor termina dizendo que  o Ocidente será derrotado se não se adaptar ao futuro da guerra. As guerras deslocar-se-ão para a zona da sombra. Na era da informação, o anonimato é a arma de eleição. A subversão estratégica ganhará guerras, não as vitórias no campo de batalha. Numa era de desordem a grande estratégia devia procurar evitar que os problemas se transformassem em crises, e as crises em conflitos. A vitória será conseguida ou perdida no espaço da informação e não no campo da batalha

 

 

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Quarta-feira, 9 de Março de 2022

O PRÍNCIPE_ MAQUIAVEL

Maquiavel nasceu na cidade de Florença em Itália e de todos os livros que escreveu  «O Príncipe » é considerado por muitos como a sua obra prima. Viveu em plena época renascentista e foi contemporâneo de grandes artistas : Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci, Ticiano e outros.  Ao escrever o livro “ O Príncipe “ dedicou-o a Lourenço de Médicis, pensando que daí  pudesse obter algum proveito, mas tal não veio a acontecer. Para compreendermos o seu pensamento selecionei algumas frases mais relevantes que passo a citar:

1-O desejo de conquistar é uma coisa muito comum e de acordo com a natureza, e todas as vezes que os homens que puderem fazer conquistas, serão louvados por isso ou, não serão censurados. 2-Quando como disse, os países que se conquistaram estão habituados a viver segundo as suas leis e em liberdade há três maneiras de conservar a sua posse: a primeira é destruí-los; a segunda é ir viver para lá pessoalmente; a terceira  é deixá-los viver segundo as suas leis e cobrar um tributo, depois de formar um governo de poucas pessoas que conservem a sua amizade.3- Na verdade, não existe maneira mais segura de fruir uma província conquistada do que arruinando-a. 4-O príncipe não deve ter outro objectivo nem outro pensamento, nem tomar a peito outra matéria, que não seja a arte da guerra, a organização e a disciplina militar. 5-O príncipe que deseja manter a sua posição, precisa também de aprender a não ser bom e a servir-se ou não dessa faculdade de acordo com a precisão. 6-É melhor ser temido do que amado, se só se puder ser uma delas. 7-Não deve preocupar o príncipe o facto de, para conservar todos os seus súbditos em união e obediência, ganhar fama de cruel, pois será muito mais compassivo do que os príncipes que, por excesso de clemência, deixam alastrar as desordens, das quais se geram assassínios e rapinas.8-Quando um príncipe comanda um exército, tendo às suas ordens uma multidão de soldados, então não se deve preocupar nada com a fama de cruel. 9-Convém saber que há dois tipos de  combates: pelas leis e pela força. A primeira é própria dos homens e a segunda é própria dos animais. Mas como muitas vezes aquela não chega, há que recorrer a esta, e por isso o príncipe precisa de saber ser animal e homem. É necessário ser raposa para reconhecer  as manhas e leão para meter medo aos lobos.

Da leitura do livro podemos concluir que para Maquiavel quem queria conquistar o poder todos os meios são lícitos O que conta é a razão de Estado e não os princípios éticos e morais. Segundo informações que recolhi o livro “ O Príncipe “ era uma obra de leitura obrigatória na Academia de Informações Externas da antiga União Soviética, da qual foi aluno Vladimir Putin que formava os espiões do KBG. Deste modo Putin leu este livro e aprendeu muito com ele. Era bom que ele tivesse lido também  a Encíclica Fratelli Tutti do Papa Francisco pois aprendia outra maneira totalmente diferente de fazer política. O Papa diz-nos, e todos nós sabemos, que a Paz não se constrói  com a guerra. Todos somos filhos de Deus e por isso devíamos ser irmãos uns dos outros. Com a polarização política em muitos países nega-se ao outro o direito a existir e de pensar. O mundo existe  para todos, porque todos nós, somos seres humanos, nascemos nesta Terra com a mesma dignidade. É possível um Planeta que garanta  terra, tecto e trabalho para todos. Este é  o verdadeiro caminho da Paz e não a estratégia insensata e míope de semear medo e desconfiança perante ameaças externas. Para tornar possível o desenvolvimento de uma comunidade mundial capaz de realizar a fraternidade é necessária a política melhor, a política colocada ao serviço do bem comum. Mas esta política não é a dos partidos populistas nem do liberalismo económico. A política populista está ao serviço do seu projecto pessoal e da sua permanência no poder. Os liberalismos sem controle estão ao serviço dos interesses económicos dos poderosos. A paz não é a ausência de guerra, mas o empenho incansável de reconhecer, garantir e reconstruir concretamente a dignidade, tantas vezes esquecida ou ignorada. A falta de desenvolvimento integral impede que se gere a paz. A partir do desenvolvimento incontrolado de armas nucleares, químicas e biológicas, conferiu-se à guerra um poder destrutivo, incontrolável que atinge muitos civis inocentes. A guerra não é uma solução pois os riscos são sempre superiores à hipotética utilidade que se lhe atribua. Toda a guerra  deixa o mundo pior do que se encontrava.

Para terminar direi que o Papa Francisco faz uma análise profunda do ponto de vista político, económico e sociológico, de todos os aspectos relacionados com a paz. Para se conseguir a paz é necessária a colaboração, o diálogo e o consenso entre Estados e instituições. É preciso também reconhecer que todos os homens são iguais em direitos e que tem de se respeitar a dignidade humana. Tudo isto tem na sua base a fraternida-de  e a amizade. Pela força, pela violência ou pela guerra nada se resolve e caminharí-amos para o caos.  Espero que Putin ponha termo a esta guerra absurda e reflita  nos estragos e no sofrimento que provocou ao povo Ucraniano. Mas para Putin a democracia não tem qualquer sentido e por isso tenta pela guerra tirar proveito da fragilidade de alguns países democráticos com pouca capacidade de resposta a agressões desencadeadas por grandes potências.

 

 

 

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Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2022

A Consciência Do Limite

 

1-Wittgenstein  nasceu em Viena no dia 26 de Abril de 1889. Em Berlim estudou engenharia mecânica e mais tarde em  Manchester iniciou os estudos em aeronáutica. Em 1911 começou os estudos de Filosofia com Russel no Trinity  College de Cambridge. No começo da 1ª  Grande Guerra alistou-se como soldado no exército austríaco. Em 1919 obteve  o título de professor do ensino primário na Escola Normal de Viena e foi colocado numa escola rural da Baixa Áustria. Em 1929 volta a Cambridge e obtém o doutoramento com o Tratactus. Na 2ª Grande Guerra trabalhou como voluntário em Londres. Em 1947 renuncia à cátedra e escolheu a Irlanda como destino de trabalho. Em 29 de Abril de 1951 morreu em Cambrige em casa do seu médico.

2-As obras de referência que nos deixou para análise do seu pensamento são:  O Tratado Lógico Filosófico,  As Investigações Filosóficas e o livro Da Certeza. O primeiro livro foi  a única obra filosófica publicada em vida.

3- Tratado Lógico Filosófico. Neste livro Wittgenstein pretende mostrar que há uma correspondência entre a forma da linguagem e a forma do mundo. Esta é a primeira fase da Filosofia de Wittgenstein e a que costuma designar-se como teoria figurativa ou pictórica do significado. O Tratado é considerado um dos textos de referência do atomismo lógico herdado de Russel que estabeleceu uma relação isomórfica entre a linguagem lógica e a realidade. O Mundo e a Linguagem teriam a mesma essência lógica o que possibilitaria que as palavras figurassem as coisas e as proposições os factos. E passo a citar algumas passagens do Tratado:

O mundo  é a totalidade dos factos não das coisas ; a realidade total é o mundo ;a imagem é um modelo da realidade ; a imagem lógica dos factos e o pensamento ; o pensamento é a proposição com sentido ; a totalidade das proposições é a linguagem ; o objectivo da Filosofia é a clarificação lógica  dos pensamentos  ,toda a dedução ocorre à priori ; os limites da minha linguagem significa  os limites do meu mundo ; a Matemática é um método da Lógica ; existe no entanto o inexprimível. É o que se revela, é o místico ; O método correcto da Filosofia seria o seguinte: só dizer o que deve ser dito isto é as proposições das ciências naturais. E o Tratado termina dizendo ; Acerca daquilo de que se não pode falar, trem que se ficar em silêncio

4-As Investigações   As Investigações começam com um texto extraído das Confissões de Santo Agostinho onde ele procura explicar como começou a falar. As pessoas mais velhas apresentavam-lhe objectos e nomeavam-nos.  Pegavam por exemplo numa maçã e diziam : «maçã ». E assim a pouco e pouco aprendia o que significavam as palavras e começava a utilizá-las para  dizer às pessoas o que queria. Isto pode levar as pessoas a pensar que a linguagem tem uma essência, uma única função e que a única função seria nomear objectos. Mas Wittgenstein  nas Investigações compara a linguagem a uma caixa de ferramentas. As palavras são ferramentas pois adquirem o seu significado quando se utilizam e por isso admite diferentes utilizações. Isto leva a pôr de  lado a ideia de que o significado de uma palavra era algo de imutável que a acompanhava sempre. Mas o significado da palavra estaria no uso que dela se faz num determinado contexto linguístico. Todos sabem que existe uma grande variedade de jogos: cartas, xadrez , futebol, jogo das escondidas, etc. Nuns há vencedores e vencidos. Uns têm regras a respeitar . Mas nem todos têm uma característica comum. Assim devemos ver a palavra « jogo » enquanto termo para semelhanças de família. Diz-nos ainda que muitos filósofos esvoaçam à toa como moscas dentro de uma garrafa a bater nas paredes. A forma de resolver este problema é tirar a rolha e voar para fora da garrafa.

5-Da Certeza Este é o último livro escrito por Wittgenstein . Podemos duvidar de muitas coisas mas também há certezas que não podemos pôr em causa. E vou citar alguns exemplos que o filósofo nos dá: Pelo facto de me parecer a mim- ou a toda a gente – que uma coisa é assim, não se segue que ela o seja; O que podemos perguntar é se faz sentido duvidar dela ; Eu sei «isso» significa. « Sou capaz de errar acerca disso» Mas se o sou, tem de se poder comprovar objectivamente ; Se a experiência é o fundamento da nossa certeza, naturalmente que se trata da experiência passada; Nós sabemos que a água ferve quando a pomos ao lume. Como sabemos ? A experiência ensinou-no-lo; Não posso estar em erro  acerca de 12X12= 144; E não se pode opor a certeza matemática à relativa incerteza das proposições empíricas.

6-Conclusão.  Wittgenstein é um representante da filosofia pós-moderna. Partilhou a certeza de Shopenhauer de que não podemos conhecer o mundo tal como ele é mas que lidamos sempre com a nossa representação, com a imagem que dele construímos. Concorda ainda com a crítica ao conhecimento humano que Kant desenvolveu na Crítica da Razão Pura de que só podemos conhecer o mundo dos fenómeno, isto é, a  realidade tal como ela é recebida pelos nossos sentidos. A realidade tal como é em si mesma é-nos vedada. Para Wittgenstein os limites da filosofia são a ética, a estética, a metafísica e a Religião. A filosofia só pode preocupar-se dos factos e só as proposições da ciência natural se podem afirmar. Considerava a Matemática como um método da Lógica. A filosofia serviria apenas para desatar nós e clarificar ideias. Para terminar direi que Wittgenstein é dos filósofos de pensamento mais complexo e de mais difícil interpretação.

 

 

publicado por pontodemira às 18:41
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Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2022

O HOMEM EM BUSCA DE UM SENTIDO

 

Este é o título de um livro escrito por Victor Frankl, formado em Neurologia pela Universidade de Viena onde viria a doutorar-se  em Psiquiatria.. Especializou-se no estudo da depressão e do suicídio. No início foi influenciado por Sigmund Freud e Alfred Adler de quem se afastou mais tarde. Foi obrigado a interromper a sua carreira devido à ascensão do Nacional Socialismo (nazismo ) em Viena de Áustria onde vivia. Foi-lhe oferecida a hipótese de emigrar mas decidiu permanecer na Áustria para auxiliar os pais que era judeus. Em 1942 foi deportado para um gueto e mais tarde seguiu para o campo de concentração de Auschwitz. Conseguiu sobreviver e regressou à Áustria onde desenvolveu a Logoterapia que divulgou como professor em várias Universidades. Morreu aos 92 anos em 1997. No fim da guerra a mulher estava morta tal como os pais e o irmão.

Na sua actividade como médico usou com método a Logoterapia que procura dar sentido à vida às pessoas que caíram em depressão e se encontram num vazio existencial. O livro que escreveu  “ O Homem Em Busca De Um Sentido “, foi lido por 12 milhões de pessoas em todo o mundo. O livro procura transmitir a mensagem que só a procura de um sentido na vida nos pode libertar do sofrimento. Irei fazer um pequeno resumo do livro pondo em destaque os aspectos mais importantes.

Logo na Nota Introdutória Victor Frankl diz-nos que a vida não é uma busca de prazer como pensava Freud nem uma busca de poder como ensinou Adler- mas sim uma busca de sentido. A mais importante tarefa de qualquer pessoa é descobrir o sentido para a sua vida. E há 3 fontes possíveis de sentido : o trabalho (fazer alguma coisa significativa ) ; o amor (cuidar de outra pessoa ) e a coragem em tempos difíceis. O sofrimento em si mesmo e por si mesmo é destituído de sentido. Conferimos sentido ao sofrimento pela maneira como lhe reagimos. As forças fora do nosso controlo podem levar-nos tudo excepto a liberdade de escolhermos como responderemos a uma situação. Não podemos controlar o que nos acontece na vida mas podemos sempre controlar o que iremos fazer quanto àquilo que nos acontece.

1-Experiências no campo de concentração. No campo de concentração havia prisioneiros que actuavam como administradores gozando privilégios especiais. Os prisioneiros fracos ou doentes incapazes de trabalhar eram enviados para um dos grandes campos centrais que estavam dotados de câmaras de gás e crematórios. Só os mais brutais de entre os preso eram escolhidos para essas tarefas. Em geral só conseguiriam ficar vivos aqueles que, anos a saltar de campo em campo, tinham perdido todos os escrúpulos na sua luta pela existência. Victor Frankl diz-nos que em dado momento sentiu que transcendia aquele mundo sem sentido e que, vindo não sabe de onde, encontrou um vitorioso  “ SIM “ em resposta à pergunta sobre a existência de um sentido último. Qualquer homem pode, mesmo nas circunstâncias mais difíceis decidir o que será feito dele, mental e espiritualmente. Uma vida activa pode dar ao homem a oportunidade de realizar valores num trabalho criativo, enquanto a vida passiva de fruição lhe concede a oportunidade de se realizar mediante a experiência da beleza, da arte e da natureza. Se existe um sentido na vida então tem de haver um sentido no sofrimento. O sofrimento é parte inextirpável da vida tal como o destino e a morte. Sem o sofrimento e a morte  a vida humana não está completa. A forma como o homem aceita o seu destino e todo o sofrimento que ele acarreta, a forma como ele carrega a sua cruz concede-lhe bastas oportunidades - de mesmo nas circunstâncias mais difíceis – para dar sentido à sua vida. Quando um homem descobre que  o seu destino é sofrer, terá de aceitar esse sofrimento. Terá que reconhecer o facto de que, até mesmo no sofrimento não é o único e não está só no universo. Ninguém pode libertá-lo do sofrimento ou sofrer em seu lugar. A sua oportunidade única reside na forma como carrega o seu fardo. Disse também aos seus camaradas que a vida humana, fosse quais fossem as circunstâncias, nunca deixaria de ter sentido e que esse significado infinito da vida incluiria o sofrimento e a decadência física, as provações e a morte.

2-Logoterapia  Para Frankl a logoterapia afasta-se da psicanálise na medida em que considera o Homem um ser cuja principal preocupação é o preenchimento de um sentido e não a mera gratificação e satisfação de impulsos e instintos, ou, a mera reconciliação de pretensões conflituantes do id, ego e superego ou a mera adaptação  e ajustamento à sociedade e ao meio ambiente.

Na parte final do livro Frankl diz o seguinte: « Nos campos de concentração pudemos ver e testemunhar como camaradas se comportavam como porcos enquanto outros agiam como Santos. O Homem tem ambas as capacidades  dentro de si mesmo; qual delas é transformada em acto depende de decisões mas não das condições. O Homem é esse ser que inventou as câmaras de gás em Auschwitz ; no entanto é igualmente o ser  que entrou nas câmaras de gás de cabeça erguida com o Pai Nosso na boca ou Shema Israel nos lábios. »

publicado por pontodemira às 22:42
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Domingo, 9 de Janeiro de 2022

VIVO ATÉ À MORTE

 

Este é o título de um livro de que é autor Paul Ricoeur que começou a escrever em 1996 e acabou um mês antes da sua morte. Quem é Paul Ricoeur ?  É um filósofo que fez o doutoramento em Sorbonne e deu aulas como professor em Strasbourg, Paris e Chicago . A sua actividade como filósofo e pensador começou no período que se seguiu à 2ª Guerra Mundial. O seu nome está ligado ao pensamento filosófico da hermenêutica mas também à filosofia da vontade, à ética, à antropologia filosófica, à epistemologia das ciências humanas, à filosofia do tempo e da narratividade. Ficou órfão prematuramente e acabou por ser criado pelos avós que eram protestantes. Deles herdou a crença na religião. Foi cristão ao longo da sua vida e aluno de Gabriel Marcel e de Emmanuel Mounier. Morreu em Paris em maio de 2005 com 92 anos de idade.

O livro Vivo até à Morte é constituído por 2 textos e 2 fragmentos. Todos eles são meditação sobre a morte.

1º texto  Até à morte : do luto e da boa disposição. Quando alguém desaparece uma questão surge e ressurge obstinadamente. Existirá ainda ? E onde ? Em que lugar ? Que espécie de seres são os mortos ? Todas as respostas dadas pelas outras culturas relativamente à sobrevivência dos mortos inserem-se nessa questão não posta em causa : passagem a um estado de ser, expectativa de ressurreição, reencarnação ou para espíritos mais filosóficos, alteração do estatuto temporal , elevação a uma eternidade imortal. Paul Ricoeur associa também a morte  à mortalidade ao dever-morrer um dia e ao ter de morrer. A ideia que morrerá necessariamente um dia, não sabendo quando nem como, veicula uma certeza( mors certa , hora incerta )  . À ideia de  morte Ricoeur associa também a de agonizante e a de moribundo. A tese ricoeuriana é a de que até à morte está-se sempre vivo e mesmo aquele que agoniza com a proximidade da morte deve ser visto e respeitado como vivente. Diz ainda que  luta contra o imaginário do morrer ligado ao olhar do espectador para quem o agonizante é um moribundo. Toda esta reflexão sobre o morrer e sobre o após-vida ( a ressurreição) passa pela meditação de 2 textos escritos por 2 sobreviventes dos campos de concentração ( Jorge Semprun Primo Levi). Na origem de muitas mortes está o Mal. Não é a morte que tem maiúscula mas o Mal, quando o contágio é extermínio, isto é programa de morte organizado pelo Malvado.

2º Texto A morte.   Paul Ricoeur diz-nos que a morte é verdadeiramente o fim da vida no tempo comum dele, enquanto vivente, e daqueles que lhe sobreviverão. É necessário um desprendimento que consistirá na transferência  para o outro do amor pela vida. Amar o outro, seu sobrevivente. Essa componente da renúncia à nossa sobrevivência completa o « desprendimento» para cá da morte não é somente perda mas ganho, libertação para o essencial.  Na 2ª linha de pensamento estão as implicações da confiança em Deus. Todas elas dizem respeito ao sentido, à inteligibilidade, à justificação da existência. Jesus utilizou uma linguagem diferente da linguagem do depois-da-morte e do fim dos tempos e nisso afasta-se da tradição profética onde tudo está no futuro. Não é somente no fim dos tempos que será concedida a «ressurreição» no último dia, mas é a partir de agora que o crente « passou » da morte à vida  ( Jo 5,245 )

Fragmentos.  Paul Ricoeur diz  que o cristianismo dele é fruto do acaso transformado em destino através de uma escolha contínua. Se fosse chinês haveria poucas possibilidades de ter sido cristão. É cristão devido às suas convicções e motivações. Na motivação estão os aspectos, as emoções e as paixões. Na convicção está o lado racional dos seus argumentos. Por destino entende o estatuto de uma convicção da qual pode dizer: assim me mantenho a isso adiro. Por adesão entendo o apego a uma figura pessoal através da qual o Infinito, o Altíssimo se deixa amar.  A sua adesão à figura de Jesus é assim duplamente mediada pelos textos canónicos e pelas tradições de interpretação que fazem parte da herança cultural e da motivação profunda das suas convicções. Ricoeur diz-nos ainda que não é um filósofo cristão mas um cristão filósofo. É um filósofo preocupado, dedicado e versado na antropologia filosófica. É sim um cristão de expressão filosófica, tal como Rembrand é um pintor em quanto tal e um cristão de expressão pictórica e Bach um músico enquanto tal e um cristão de expressão musical.

Ricoeur confessa que há uma coisa que o atormenta de forma insistente na sua adesão refletida à figura de Cristo. Será que Jesus morreu na cruz para satisfazer a justiça implacável de Deus que pede satisfação aos homens por um pecado que é em si mesmo digno de morte e encontra satisfação pelo próprio Filho de Deus Pai, que morre por nós ?

Eu que sou cristão, mas não teólogo, diria que Jesus morreu pregado na cruz porque não teve medo de dizer a verdade que a hierarquia religiosa e política dos judeus não aceitava mas também por amor aos Homens que quis redimir do pecado. Jesus ao ser crucificado disse: « Perdoa-lhes Pai, porque não sabem o que fazem » ( Luc.23,34 )

publicado por pontodemira às 21:15
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Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2021

A arte de viver em Deus- A imaginação cristão para elevar o real

 

Este é o título de  um livro escrito por Timothy Radcliffe biblista e teólogo. É frade dominicano, formado em Oxford e Paris. Foi Mestre-Geral da Ordem dos Pregadores entre 1991 e 2001. Actualmente desempenha as funções de docente em Oxford  e de consultor do Pontifício Conselho de « Justiça e Paz », sendo frequentemente solicitado para conferências e palestras em todo o mundo.

Gostei muito de ler este livro pois pude reforçar a minha fé em Deus e também o recomendo tanto a crentes como a agnósticos. Afinal o que vem a ser a arte de viver em DEUS ?  Se Deus criou o Universo e o Homem também nós devemos corresponder amando Deus e ao próximo como a nós mesmos. No dia a dia devemos pôr em prática aquilo que Jesus nos ensinou por palavras e por obras. Somos seres sociais e por isso devemos na comunidade em que vivemos ser solidários e colaborantes e partilharmos sempre que seja possível o pouco que temos com os que precisam da nossa ajuda. Não podemos ficar insensíveis à miséria e à exclusão. Temos que fazer como o bom Samaritano que nos relata o Evangelho e que não ficou indiferente ao sofrimento do que estava caído na estrada. Temos também que saber perdoar como o pai fez com o filho pródigo que também nos relata o Evangelho.

Para chegar ao transcendente também podemos fazer uso da nossa imaginação. Quando apreciamos a beleza da natureza, um concerto musical, uma bela pintura ou poesia, uma obra de arte a nossa imaginação também nos conduz a Deus. O mesmo acontece com a liturgia da Igreja e com os Salmos que lemos na Bíblia. Para Einstein « a imaginação é mais importante do que o conhecimento. De facto o conhecimento restringe-se a tudo o que agora conhecemos, ao passo a imaginação abarca o mundo inteiro e tudo quanto existirá para conhecer e compreender »

À imaginação cristã opem-se hoje a imaginação tecnológica. As pessoas perdem demasiado tempo com os smartphones,com as redes sociais como o facebook e outras tecnologias. É claro que a ciência e tecnologia são importantes mas as pessoas também podem ficar prisioneiras delas. Quando ficamos enredados num modo de ver as coisas somos como uma mosca presa dentro de uma garrafa, esbarrando contra as paredes e incapaz de sair conforme o exemplo que nos dá  o filósofo Wittgenstein a propósito de uma imagem que nos mantem  cativos e que reside na nossa linguagem. O nosso desafio é também libertar a nossa imaginação do cativeiro e da visão do mundo que nos cega para nossa unidade em Cristo.

Numa grande parte do livro o autor vai abordar o modo como o Evangelho nos incita a seguir o verdadeiro caminho para Deus. Na 1ª secção VIAJAR acompanhamos os discípulos de Jesus no seu caminho para Jerusalém. Na 2ª secção ENSINANDO- Jesus ensina os discípulos a abraçar a abundância da vida e os conselhos que dá sobre a amizade e a renúncia à violência. Na secção final A  VIDA RESSURGIDA, o autor explica como partilhar  a vida do Senhor ressuscitado no plano espiritual e físico através da justiça, da liturgia e da oração. Nos primeiros séculos o cristianismo teve de combater duas teorias dualistas: o gnosticismo e o maniqueísmo. O gnosticismo entendia que só através da vida espiritual e pela fuga ao corpo nos podíamos salvar. O maniqueísmo imaginava que havia um profundo antagonismo entre o espiritual (alma) e o físico (corpo). Santo Agostinho foi durante muito tempo maniqueísta enquanto não se converteu ao cristianismo.

Na parte final do livro Timothy Radcliffe conclui o seguinte: «Nada do que é humano é estranho a Cristo. O que arruína a fé em Deus não é o ateísmo ou secularismo mas a globalização da superficialidade. Toda a civilização digna desse nome levanta questões fundamentais a saber: porque é que existe algo em vez de nada? Onde reside a felicidade humana ?  Quem quer que mergulhe com fé  ou sem ela , na  complexidade do ser humano, no acto de se apaixonar, no conflito de conceder o perdão, na descoberta de si como desordem e caos, na tentativa de entender a sua vida, é nosso aliado. O corpo não é uma prisão de que devemos libertar-nos. O corpo está aberto ao amor do outro e à encarnação daquele que é Amor. Como nos furtaremos à sedução da violência ou ao fascínio do dinheiro, do Reino da Mamona e às garras da imaginação tecnocrática ? Como descobriremos que o estranho é nosso irmão ou   irmã ?Como manteremos vivo o sentido de que vivemos num mundo de dádivas e de nem tudo é mercadoria ? »

A resposta a estas perguntas poderão ajudar-nos tornar o mundo mais humano, mais justo e pacífico e a seguir o verdadeiro caminho para Deus.

 

publicado por pontodemira às 19:14
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Domingo, 21 de Novembro de 2021

OS GRANDES FILÓSOFOS: HUME

OS GRANDES FILÓSOFOS- DAVID HUME

Encontrei na minha estante o livro “ Investigação Sobre o Entendimento Humano “ e “Diálogos Sobre a Religião Natural” do filósofo David Hume  e resolvi lê-lo. E é sobre ele que vou escrever este pequeno Texto.

1-David Hume é um filósofo da época iluminista. Nasceu em Edimburgo na Escócia em 1711 e desde cedo teve uma paixão pelas letras. Adam Smith foi seu contemporâneo e amigo íntimo. Hume tentou obter uma cátedra na Universidade de  Glasgow mas não conseguiu. Mais tarde foi colocado em Edimburgo numa vaga de bibliotecário na Faculdade de Advogados. Em1763 recebeu um convite para exercer as funções de secretário da Embaixada britânica em Paris. Aí acabou por se tornar protector de Rousseau e de acompanhá-lo a Inglaterra. Em 1769 estabeleceu-se definitivamente em Edimburgo. Em 1775 começou a sentir-se mal vindo a falecer em Agosto de 1776.

2-Dos livros que escreveu há a destacar os seguintes: Tratado da Natureza Humana, Investigação Sobre  o Entendimento Humano, Investigação sobre os Princípios Morais e História Natural da Religião.

3-Para Hume todas as nossas ideias e todos os nossos conceitos e conhecimentos derivam de percepções .Nada existe na mente a não ser as percepções que são de dois tipos diferentes: impressões e ideias.   As impressões incluem todas as nossas sensações, paixões e emoções.  As ideias são imagens débeis ou cópias das impressões. Para Hume é impossível pensar em algo que não tenha passado pelos nossos sentidos. Há no entanto termos filosóficos que escapam ao conceito de ideias. São eles : a substâncias, o eu ou mente e a causalidade. Para Hume  todas nossas percepções são substância. Também não existe um Eu distinto dos processos mentais transitórios. O Eu não tem realidade substancial é um resultado da imaginação. Só temos consciência das nossas emoções, desejos e outros conteúdos mentais. Todos os raciocínios acerca da realidade , observa Hume, baseiam-se na relação de causa e efeito, ou seja, no princípio da causalidade. Mas o conhecimento desta relação não pode ser atingido raciocinando” a priori” ou seja independentemente da experiência. Se tivermos uma bola de bilhar A com o nº 1 e se a movermos em direcção a outra bola B com o nº 2 de forma a chocar com ela, verificamos que a bola B com o nº 2 é posta em movimento. Concluímos assim que em circunstâncias idênticas a este caso particular é possível formular uma lei universal válida.

Um outro aspecto a focar na filosofia de Hume é que o seu empirismo levado às últimas consequências conduz a um cepticismo. O conhecimento não pode alcançar a verdade metafísica. A contemplação de ideias que não chegam a ser coisas não são mais que impressões subjectivas.

No  que toca à filosofia moral Hume não estabelece normas éticas ou morais de carácter universal. Para ele não se pode demonstrar como bom ou mau por argumentos racionais. Quanto à Religião verificamos com mais evidência o seu cepticismo. A substancialidade, a imortalidade da alma e a existência de Deus não de podem demonstrar pela razão. Mas Hume esqueceu-se  que a não existência de Deus também não se pode demonstrar. Dada a complexidade das leis que regem o universo é mais lógico e racional que exista Deus. Do nada não pode vir nada.

4-Para concluir diria que Hume é um empirista céptico pois só admite o conhecimento que nos vem pela observação da natureza e pela experiência. É notória a sua hostilidade à Religião e à Metafísica. Mas a sua importância na história da filosofia tem a ver com a análise da causalidade.

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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2021

THOMAS PIKETTY- PELO SOCIALISMO

 

Este é um livro escrito por Thomas PiKetty que nasceu em França e é professor catedrático na École des hautes Études  em Sciences Sociales e professor da École d´Économie de Paris.

Em 1992 o filósofo nipo-americano Francis Fukuyama publicou o livro “ O Fim Da História “. Com este livro o autor pretendia mostrar que o capitalismo neoliberal de mercado livre era um sistema perfeito e não era possível ir mais longe. Mas a recessão económica de 2008 veio provar o contrário. Se não tivesse havido intervenção do Estado seria uma verdadeira catástrofe.

Também o economista Thomas Piketty refere que se em 1990 lhe tivessem dito que em 2020 publicaria um livro intitulado “ Pelo Socialismo “ pensaria de imediato que seria uma piada de mau gosto. Aos 18 anos acabara de passar o Outono de 1989 a ouvir, na telefonia, o desmoronamento da ditadura comunista e do «Socialismo real » na Europa de Leste. Só que 30 anos depois, em 2020  o hipercapitalismo foi demasiado longe e, agora está convencido de que devemos pensar numa superação do capitalismo, numa nova forma de socialismo participativo e descentralizado, federado e democrático, ecológico ,miscigenado e feminista. Para lá chegarmos é preciso uma longa marcha para a igualdade e para um socialismo participativo. E essa marcha também já começou. Durante o século XX  as desigualdades tiveram uma forte redução graças às políticas sociais e fiscais. A concentração da propriedade ( e por conseguinte do poder económico ) apresentou uma nítida diminuição ao longo do século XX. As reduções das desigualdades patrimoniais foi feita sobretudo em benefício da classe média patrimonial. Como entender esta evolução ?  Para além das destruições de património privados ligados às duas guerras mundiais há que ter em conta as transformações consideráveis do sistema jurídico, social e fiscal introduzido no século XX em numerosos países europeus. O crescimento do Estado Social aumentou o investimento em educação, saúde e nas prestações de reforma e invalidez. Neste momento para termos um socialismo participativo é necessário fazer circular o poder e a propriedade. Para atingir a igualdade real é necessário uma melhor partilha do poder nas empresas. Na Alemanha e na Suécia o movimento sindical e os partidos sociais democratas conseguiram impor aos accionistas em meados do século XX uma nova partilha de poder sob a forma dos chamados sistemas de « cogestão »: os representantes eleitos dos assalariados dispõem de metade dos lugares nos conselhos de administração das grandes empresas, mesmo na ausência de qualquer participação do capital. Piketty defende ainda uma herança mínima para todos, que em termos concretos poderia ser da ordem dos 120 000 €, entregues aos 25 anos. Esta herança para todos seria financiada pelo imposto sobre a propriedade e sobre as sucessões. O sistema fiscal ideal implicaria um imposto progressivo sobre as sucessões que arrecadaria  5% do rendimento nacional e financiaria a herança para todos e por outro lado um sistema integrado de imposto progressivo sobre o rendimento e um imposto de carbono que arrecadaria 45% do rendimento nacional e financiaria o conjunto de outras despesas públicas( saúde, educação, pensões de reforma, rendimento mínimo ). De nada serve circular o poder se forem mantidos os mesmos objectivos económicos. Só se pode considerar uma sociedade justa se houver acesso universal a um conjunto de bens fundamentais: educação, saúde, reforma, habitação, ambiente. E só poderá haver outra organização da globalização através de um Social-federalismo. É perfeitamente possível avançar de uma forma gradual para um socialismo  fazendo evoluir o sistema jurídico, fiscal e social no interior deste ou daquele país  sem ficar à espera da unanimidade do Planeta. A Alemanha e a Suécia não esperaram pela autorização da EU ou das Nações Unidas para porem em vigor a cogestão e os outros países também poderão fazer o mesmo desde já. Há que virar as costas à ideologia do comércio livre absoluto que guiou a globalização ao longo das últimas décadas e implementou outro sistema económico baseado em princípios explícitos e verificáveis de justiça económica, fiscal e ambiental. Cada comunidade política deve fixar  condições ao processo de trocas com o resto do mundo, sem ficar à espera do acordo unânime dos seus parceiros. Antes de aplicação de eventuais sanções aos países que praticam dumping social, fiscal e climático é essencial propor aos outros países um modelo de cooperação baseado em valores universais de justiça social, redução de desigualdades e preservação do planeta.

Thomas Piketty, em resumo, diz-nos que o socialismo participativo se apoia em vários pilares: igualdade educativa, Estado Social, circulação permanente do poder, e da propriedade , social-federalismo e globalização sustentada e justa. Acrescenta também para finalizar que a paridade mulheres-homens tem de avançar de forma concertada com a paridade social. É também necessário, no futuro, alterar o sistema económico tendo como fundamento a redução das desigualdades e um acesso igualitário de todas e de todos à educação ao emprego e à propriedade, incluindo uma herança mínima para todos independentemente das origens de cada um. A exploração desenfreada dos recursos humanos e planetários de há vários séculos a esta parte exige por conseguinte nos dias de hoje uma regulação mundial para garantir a sua sustentabilidade social e ecológica

Todas estas sugestões para um socialismo participativo parecem utópicas e difíceis de concretizar. Mas Thomas Piketty que é economista sabe muito bem que tudo é possível se os cidadãos se interessarem pelas questões socioeconómicas e se souberem organizar-se para tomar deliberações colectivas. Na capa do livro acrescenta que se tornou comum dizer que o sistema capitalista actual não tem futuro, atendendo ao modo como  agrava as desigualdades e esgota o planeta. Tudo isto é correcto só que na ausência de uma alternativa explanada de forma clara, o sistema actual ainda tem longos dias à sua frente.

Não sou economista mas penso que o longo caminho para um socialismo participativo será encurtado se forem atingidos os seguintes objectivos : extinção dos offshores, combate ao dumping fiscal e uniformização das taxas fiscais nos países da União Europeia. Todos sabemos que alguns empresários transferem a sede das suas empresas para os países onde a taxa fiscal é mais baixa.

publicado por pontodemira às 21:18
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Sexta-feira, 24 de Setembro de 2021

HUMANIDADE- Uma História de Esperança

 

Este é o título de um livro escrito por Rutger Bregman, historiador e escritor holandês e um dos jovens pensadores europeus de maior destaque. Este livro foi um bestseller do New York Time e do Sunday Time e também o livro do ano do Guardian.

Ao longo dos séculos tem havido guerras, conflitos entre nações, perseguições e segregações religiosas e raciais. Será possível construir a Paz ou a natureza do homem não o permite? Há dois filósofos que tratam especificamente deste tema. Rousseau no século  XVIII  diz-nos que o homem é naturalmente bom e só quando deixou de ser nómada e se fixou à terra e se tornou agricultor é que começaram a surgir os conflitos. Para Hobbe (século XVI ) os homens são por natureza maus e sempre viveram em guerra uns com os outros ( bellum omnium contra omnes- guerra de todos contra todos )

É claro que há pessoas boas e más, egoístas e altruístas, mas se folhearmos o livro do historiador Rutger verificamos através de inúmeros exemplos que a maioria das pessoas é bastante digna e em situações de perigo há colaboração e inter-ajuda . E vou citar alguns exemplos : Durante a 1ª Guerra Mundial soldados ingleses e alemães no dia de Natal saíram das trincheiras e cantaram cânticos da época natalícia. Alguns chegaram mesmo a trocar lembranças  e a cumprimentarem-se. Em 1943 um contingente americano  tentou tomar uma ilha do Pacífico que estava sobre o jugo  japonês. Apesar dos americanos serem em maior número os japoneses conseguem irromper pelas fileiras norte-americanas. O coronel Marshall em terra observava o que estava a passar. No dia seguinte reuniu os soldados e veio a saber que 15 a 25 % dos soldados não tinha chegado a disparar e que no momento decisivo a esmagadora maioria  hesitava e só conseguiu identificar 36 que tinham carregado no gatilho. Para o sociólogo Collins « os humanos estão programados para a solidariedade e é isso que dificulta a violência. Em 7 de Setembro de 1940, atravessaram o Canal da Mancha 348  bombardeiros alemães que arrasaram quarteirões inteiros em Londres. Foram destruídos um milhão de edifícios e 40 000 pessoas perderam a vida no Reino Unido. Numa situação destas toda a gente se entreajudava e ninguém queria saber da posição política dos outros, fossem ricos ou pobres. Nos ataques terroristas do 11 de Setembro às Torres gémeas muitas pessoas morreram para salvar outras que estavam em perigo de vida.

Porque se tornam as pessoas más  pessoas boas ? Durante dezenas de milhares de anos vagueámos pelo mundo como nómadas e mantinhamo-nos bem longe dos conflitos. Não fazíamos guerra e não construíamos campos de concentração.  E tudo começou com o desenvolvimento da propriedade e da agricultura. Segundo o autor do livro o que vem a tornar as pessoas más são a empatia que  cega, o poder que corrompe e os erros do iluminismo. A empatia é algo que sentimos por quem nos é próximo. A verdadeira empatia  e a xenofobia andam de mãos dadas. A 2ª Guerra mundial foi uma luta heroica em que a amizade, a lealdade, a solidariedade- as melhores qualidades da humanidade- inspiraram milhões de homens comuns a perpetrar o pior massacre da história. O poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente. Este é o comentário do historiador Lord Actor no século XIX. Enquanto os chefes de tribos nómadas era todos modéstia, os reis proclamavam reinar por direito divino ou por eles próprios serem deuses. Os filósofos iluministas tinham fé apenas no pensamento racional. E convenceram-se que podiam conceber instituições inteligentes que tivessem em conta o nosso egoísmo inato. Se o Iluminismo nos deu a igualdade, também inventou o racismo. Os filósofos do século XVIII foram os primeiros a classificar os humanos em« raças » diferentes. David Hume escreveu que se inclinava a suspeitar que os negros são naturalmente inferiores aos brancos e Voltaire concordava: « Se o seu raciocínio não é de uma natureza diferente do nosso, é pelo menos bastante inferior.»

Para Rutger Bregman é tempo para defender a bondade  humana. É tempo de novo realismo e de uma nova visão da humanidade.. O filósofo Willian James professava que algumas coisas deviam ser aceites por fé, mesmo que não possamos provar que são verdade. Assim a amizade,o  amor, a confiança e a lealdade tornam-se verdadeiros precisamente porque acreditamos nelas. O « logro» por esperança era preferível ao «logro» por medo. Tal como o ódio também a confiança pode ser contagiosa. A confiança muitas vezes começa quando alguém se atreve a ir contra a maré. O autor apresenta casos de gestores com fé absoluta no seu pessoal; professores que dão rédea solta aos alunos para brincar e representantes que tratam os eleitores como cidadãos criativos e empenhados.

Na parte final do livro ( Epílogo ) o autor apresenta 10 regras por que pautar a vida:

1-Na dúvida assumir o melhor. È mais realista assumir o melhor.A maioria das pessoas tem boas intenções.2- Pensar em cenários em que todos ganham. A maravilha é que vivemos num mundo onde fazer o bem também nos faz sentir bem. Perdoar também funciona no nosso interesse próprio pois deixamos de gastar energia em antipatia e ressentimentos. 3-Fazer mais perguntas. É dar as palavras aos cidadãos como na democracia participativa de Porto Alegre no Brasil em que são os cidadãos que indicam o destino das verbas orçamentais.4- Moderar a empatia, treinar a compaixão. Existe alguma evidência científica em que a meditação pode treinar a compaixão. 5-Tentar compreender o outro mesmo sem perceber a sua atitude. Isto sem que tenhamos de concordar com ele 6-Amar os nossos como os outros amam os deles. Se perdermos de vista a família e os amigos como podemos carregar os fardos do mundo. Temos também de compreender que esses outros, esses desconhecido distantes, também têm famílias que amam. Que são humanos como nós.7- Evitar as notícias. Diz o historiador que se mantém longe das notícias da televisão e de que as substitui pela leitura de um jornal ao domingo com artigos de fundo. E que tira os olhos do ecrã para se encontrar com pessoas reais de carne e osso. 8-Não esmurrar  nazis. Esmurrar nazis só reforça o extremismo. Valida a sua visão do mundo e torna mais fácil atrair recrutas.

9- Sair do armário. Não ter vergonha de fazer boas ações. Ao encobrirmos as boas acções colocamo-las em quarentena onde não podem servir de exemplo aos outros. Inspirar os outros não requer pavonearmos as nossas acções e defender o bem não significa fazermos alarde de nós próprios. No Sermão da Montanha Jesus disse: « Não se pode esconder uma cidade situada no cimo de um monte; nem se acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas em cima do velador e assim alumiar os que estão em casa. Brilhe a vossa luz diante dos homens de modo que, vendo as vossas obras, glorifiquem vosso Pai, que está nos Céus. 10- Ser realista. Vivemos no planeta A onde as pessoas se sentem profundamente inclinadas a ser boas umas como as outras. Por isso, sejamos realistas e corajosos. Sejamos fieis à nossa natureza e ofereçamos a nossa confiança. Façamos o bem à vista de todos e não tenhamos vergonha da nossa generosidade.                                       

 

publicado por pontodemira às 22:05
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