Sábado, 21 de Outubro de 2017

Os incêndios florestais (2)

 

1-Depois da tragédia de Pedrógão Grande pensava-se que o ciclo de incêndios de Verão tinham terminado. Foi um erro, pois no Cento e Norte do país voltaram a deflagrar recentemente incêndios, que provocaram mais vítimas e aumentaram ainda mais a área ardida. Como as previsões meteorológicas apontavam para a continuação do tempo seco e quente deviam, por isso, ter sido tomadas de imediato medidas para que fossem salvaguardadas a segurança das povoações, empresas e fábricas localizadas no interior do país, em situação de maior vulnerabilidade aos incêndios florestais. Nada disso foi feito e agora há que arregaçar as mangas e olhar para frente.

2-Estes acontecimentos foram alvo de severas críticas quer do PSD , CDS quer do Presidente da República que responsabilizaram o Governo por tudo o que se passou. A verdade porém é que nenhum dos partidos que anteriormente governaram o país fizeram alguma coisa para obviar esta situação. Há décadas e décadas que nada se fez, ou pouco se fez, para evitar estas tragédias. No fim de cada época de incêndios tiram-se conclusões e fazem-se planos mas tudo não passa de boas intenções.

3- Para que no futuro se evitem situações desta natureza é necessário actuar em várias frentes. Primeiro que tudo alargar as Zonas de Intervenção Florestal e dar-lhe apoio técnico e financeiro para poderem limpar as florestas durante o período de Inverno. Depois criar brigadas permanentes que funcionem durante todo o ano e sejam utilizadas não só para limpar a floresta mas até para situações de fiscalização e de vigilância. Seria importante também a profissionalização dos bombeiros dando-lhe treinos e conhecimentos suficientes para atacar incêndios florestais. Segundo o Relatório da Comissão de Técnica Independente (CTI) o ataque aos fogos florestais e a defesa das populações rurais não deve ser feita pelo mesmo grupo mas por forças distintas. Outra solução seria a utilização de militares que poderiam patrulhar áreas em risco de fogos, evacuar povoações e exercer vigilância nos reacendimentos. Finalmente seria também necessário fazer cumprir o que está legislado no que diz respeito à limpeza das bermas da estrada e em volta das casas. A lei exige 10 metros para cada lado da estrada, 50 metros à volta das habitações e 100 metros na periferia das localidades.

4-Feito o rescaldo dos incêndios impõe-se que se comece a trabalhar organizadamente e tendo em vista o futuro. É uma tarefa dispendiosa, complexa e que vai levar muito tempo a concluir. A prioridade vai para as casas de habitação que é preciso reconstruir e depois para as empresas que davam emprego a muitos trabalhadores e que também é urgente pôr a funcionar. A seguir vem a reflorestação que não pode assentar na monocultura mas na alternância do pinheiro bravo com carvalhos, sobreiros e azinheiras. O relatório da CTI mencionada na revista Visão dá como exemplo um sobreiral junto da aldeia de Ferrovia de São João, Penela onde o fogo de Pedrógão se autoextinguiu.

5-Para concluir todos estes trabalhos são necessárias verbas elevadas. A nossa dívida pública não nos permite grandes facilidades mas devido ao crescimento económico registado nos últimos anos o Governo estava agora a tentar reduzir a taxa do IRS, a aumentar o ordenado mínimo nacional e a repôr certos benefícios que antes tinham sido cortados. Face a esta calamidade que se abateu sobre o nosso país a Comissão Europeia veio dizer que as despesas que vão ser feitas pelo Estado não devem contar para o défice orçamental. É uma boa notícia, mas o ideal seria que nos fossem concedidas verbas a fundo perdido para pagamento dos prejuízos causados pelos incêndios. A União Europeia só o é verdadeiramente se for solidária, nestas ocasiões difíceis, com os países mais pobres que necessitam de ajuda.

publicado por pontodemira às 10:40
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