Sábado, 17 de Dezembro de 2016

Os grandes Filósofos: NIETZSCHE

1-Friedrich Nietzsche nasceu a 15 de Outubro de 1844 em Rocken, perto de Leipzig. O pai era uma pessoa culta e os avós pastores protestantes. Quando o pai morreu tinha apenas 5 anos. Desde muito cedo mostrou dotes para a música e para a poesia. Em 1858 obteve uma bolsa de estudos na escola de Pforta onde também tinha estudado o filósofo Fichte. Foi um brilhante aluno em Grego, Latim , Alemão e em estudos bíblicos. Em Bonn estudou teologia e filosofia. Em 1867 Nietzshe foi chamado a prestar serviço militar mas tendo sofrido um acidente foi libertado dessa obrigação passando a residir em Leipzig. Em 1869 foi professor de filologia em Basileia. A partir do momento em que leu o livro “ O Mundo como Vontade e Representação “ de Schopenhauer passou a dedicar-se à filosofia e tornou-se um fervoroso adepto do ateísmo. Nesta época iniciou uma amizade com Wagner e apaixonou-se por Cosima filha de Liszt. Em 1881 esteve em Génova e depois em Roma. Em 1883 voltou para a Alemanha e passou a residir em Nauburg em companhia da mãe e da irmã. Em 1884 chegou a Veneza partindo pouco depois para a Suiça. Em 1888 começou a escrever cartas estranhas acabando por ser internado em Basileia onde lhe foi diagnosticado uma “ paralisia progressiva “. Faleceu em Weimar a 25 de Agosto de 1900.

2-Nietzshe escreveu entre outros os seguintes livros:

-O Nascimento da Tragédia ( 1871) ; A Gaia Ciência ( 1882 ) ; Assim Falava Zaratustra ( 1884) ; O Crepúsculo dos Ídolos ( 1888)

3-Nietzshe, ao contrário dos outros filósofos alemães seus contemporâneos, escreveu os seus textos numa linguagem aberta, clara e simples. As frases são curtas e utiliza por vezes aforismos e poesia para melhor documentar o seu pensamento. Não é fácil explanar em poucas palavras a complexidade da sua filosofia. Irei analisar resumidamente os principais textos que escreveu acrescentando as citações mais importantes

GENEALOGIA DA MORAL:

Para Nietzsche as normas éticas e morais não nasceram espontaneamente na consciência das pessoas. Essas normas foram o produto de uma grande evolução que abrangeu 3 fases:

1-Ressentimento: 2- Falta – má consciência ( reconhecimento da falta) ; 3- asceticismo

1-Na primeira fase predominava a moral dos nobres ( os grandes senhores) que impunham a sua vontade e as suas exigências. Em contrapartida a moral dos escravos era a da obediência, da humildade e da submissão.

“ O sentimento geral, fundamental e constante de uma raça superior e dominadora em oposição a uma raça inferior e baixa, determinou a origem da antítese entre “ bom “ e “mau “

Os dois valores “bom “ e “mau” ,bem “ e “mal” mantiveram durante milhares de anos um combate, largo e terrível.”

2- Na segunda fase toma-se consciência das faltas.

“ O castigo tem a propriedade de despertar no culpado o sentimento da falta ( má consciência ) o remorso “

3-O ideal ascético

O reconhecimento da falta vai exigir a sublimação da mesma através do exercício ascético: sacrifício, humildade, pobreza, castidade.

Mas para Nietzsche o ideal ascético era um absurdo pois era dizer não ao direito à vida. E acrescenta:” O sentir-se alguém culpado e pecador não prova que na realidade o esteja; assim como sentir-se alguém bem não prova que na realidade esteja. O homem forte digere os actos da sua vida ( incluindo os pecados) como digere um almoço. O asceticismo significa uma vontade de aniquilamento, uma hostilidade à vida, uma negação das condições fundamentais da existência.”

ASSIM FALAVA ZARATUSTRA

Zaratustra é o profeta que Nietzsche criou para anunciar a morte de Deus. Para substituir Deus aparece então a figura que designou por Super-Homem. O Super-Homem é o homem que consegue superar-se a si próprio pela sua vontade e consegue ir sempre mais além. Para Nietzsche Deus era um fiscal um controlador e portanto era necessário eliminá-lo para que o homem fosse inteiramente livre.

“O Deus que via tudo e até o homem, foi necessário que morresse. O homem não suporta a vida de semelhante testemunha. Meio –Dia é o tempo em que o Super-Homem Superior se vai tornar” O Senhor”. Deus morreu. Mas nós, nós queremos agora que viva o Super-Homem. É o Super-Homem que me preocupa o coração: nem o próximo, nem o mais pobre nem o mais aflito, nem o melhor…”

A morte de Deus e a crença que a alma não existe implica necessariamente a inexistência de outro mundo para além deste. Para preencher este vazio Nietzsche vai a Heraclito buscar a teoria do “eterno retorno “. Segundo esta teoria o mundo e a História não têm fim. A vida na terra faz-se por ciclos. Depois de concluídas todas as combinações possíveis termina um ciclo e começa outro e assim indefinidamente. A eternidade para o homem realiza-se na terra a cada momento pela satisfação plena dos seus desejos. O homem vai com o tempo transformar o mundo e transformar-se a si próprio caminhando assim para o Super-Homem.

A Origem da Tragédia

Nietzsche distingue na filosofia grega dois princípios: o apolíneo e o dionisíaco. Estes dois princípios têm a ver com dois deuses gregos: Apolo e Dioniso. Apolo é o símbolo da beleza formal, da ordem, da serenidade e da racionalidade. Em Dioniso, pelo contrário, vamos encontrar o impulsivo, o erotismo, a orgia e a vontade de viver.

Na tragédia grega predomina o princípio dionisíaco e o espírito da música. Há uma relação íntima entre a música e a essência das coisas. A tragédia introduz também o mito como símbolo. A música e o mito são pois dois elementos essenciais da tragédia dionisíaca.

4-CONCLUSÃO:

Nietzsche é um filósofo niilista. A palavra nihil em latim significa nada. Nietzsche é portanto um apologista do nada e um negador de valores. Da lista de valores que ele nega passo a citar os seguintes: a existência de Deus e a imortalidade da alma; a metafísica; o método dialéctico; o racionalismo; as oposições verdadeiro-falso, bem-mal e bom-mau. Mas Nietzsche é também um niilista activo. Perante o nada o homem não deve baixar os braços. É necessário refutar e combater os valores morais e éticos e tudo o que interfira com a liberdade do homem. Não é por acaso que Nietzsche se classifica a si próprio como o primeiro imoral e o primeiro ateu. Para ele, da filosofia grega só os pré-socráticos se aproveitam. Queria também salientar que Nietzsche foi um precursor do existencialismo ateu. Para os existencialistas o homem deve viver a sua existência livremente sem estar condicionado a normas morais ou éticas. Um outro aspecto da filosofia de Nietzsche são as suas contradições. Condena o idealismo mas ele próprio cai no idealismo e na utopia ao criar a teoria do Super-Homem e também ao acreditar na teoria do eterno retorno.

Para concluir passo a citar algumas frases que marcaram o pensamento de Nietzsche:

-A guerra e a coragem fizeram mais grandes coisas que a caridade (Assim falava Zaratustra)

-O que vem a ser o bem? Perguntais. O bem é ser valente ( A.F.Z)

-O Estado foi inventado para os supérfluos ( A-F.Z)

-As teorias dos direitos iguais pertence essencialmente à decadência (Crepúsculo dos Ídolos

-Todas as teorias políticas e constituições sem exceptuar o império alemão, são consequência, necessidades da decadência ( C.D.I )

-Não existe, ulteriormente para a liberdade, inimigo mais provocante e fundamental do que as instituições liberais ( C.D. I )

-Rousseau, o primeiro homem moderno, idealista e canalha. ( C.D.I )

-Platão é um covarde perante a realidade, por conseguinte foge para o ideal ( C.D.I )

-Eu sou o primeiro imoralista ( Ecce Homo )

 

 

 

 

publicado por pontodemira às 20:59
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