Segunda-feira, 9 de Outubro de 2017

Os grandes filósofos: Martin Heidegger

 

1-Martin Heidegger nasceu no dia 26 de Setembro de 1889 em MessKirch , Estado de Baden na Alemanha. Cursou Teologia na Universidade de Friburg onde foi aluno de Edmund Husserl. Em 1913 doutorou-se em Filosofia. Ao estudar os clássicos protestantes enfrentou uma crise espiritual e rompeu com o catolicismo. Em 1917 casou a luterana Elfrid Petri. Em 1923 foi nomeado professor de filosofia na Universidade de Marburgo e em 1927 já era professor titular tendo assumido a regência da cadeira na Universidade de Friburgo. Em janeiro de 1933 com a subida ao poder de Hitler foi nomeado reitor da Universidade e parece ter apoiado o nacional socialismo. Com o fim da 2ª Guerra Mundial a sua reputação ficou comprometida e teve de abandonar a carreira universitária. Martin Heidegger faleceu em Friburgo, na Alemanha em 26 de Maio de 1976.

2-Dos livros que escreveu há a destacar os seguintes: O Ser e o Tempo ; Kant e o problema da Metafísica; Que é a Metafísica , Que significa Pensar , Que é a Filosofia ; Sobre a essência da Verdade ; Caminhos do Bosque ;

3-O livro mais importante para compreender o pensamento de Heidegger é “ O Ser e o Tempo “. Através dele são definidas as estruturas fundamentais do existir. É no entanto um livro inacabado pois só foi escrita a 1ª parte. Apesar de terem sido publicados posteriormente vários opúsculos o pensamento de Heidegger ficou incompleto pois não chegou a concluir o verdadeiro sentido do Ser.

No” Ser e o Tempo” e noutros escritos foram abordados os seguintes temas : Ente e Ser, Análise do Existir, a Essência do Homem, a Verdade e Método fenomelógico.

  • Ente e Ser

 

Ente e Ser são expressões que por vezes se confundem. Ente é o Ser e o Ser é o Ente. Ente aplica-se a todas as coisas que existem. Ente é o que é ( quod est ). Ser é um dos vocábulos mais difíceis de definir. Do ponto de vista linguístico é utilizado como elemento de ligação entre o nome e o adjectivo ( Ex. A caixa é pesada) Outras vezes é utilizado como nome - ( Ex.O homem , o gato ). Ao longo dos anos a palavra Ser foi utilizada para designar a essência, a existência, o ente e ainda a substância.

Tanto o Ente como o Ser derivam do verbo latino”esse ( ser). Ente seria o particípio presente do verbo” esse” e Ser o infinitivo. Embora para muitas pessoas possa significar o mesmo, a verdade é que para Heidegger existe uma diferença entre eles.

SER- O Ser é o “Dasein” ( expressão alemã que significa o Ser aí ) e tem a ver com a existência humana. Há assim uma diferença ontológica que é a transcendência do” estar aí” ( Dasein ). A transcendência é uma estrutura fundamental da subjectividade e significa que é própria do estar aí humano. Para o ser humano a irrupção do porquê é transcendentalmente necessária. Porquê isto e não aquilo? Porquê algo e não nada ? O Ser e a constituição do Ser desvenda-se na transcendência. Ao fundamento transcendental chama Heidegger “ Verdade ontológico “

  • Homem

 

A essência do homem é o existir ( Dasein ). Assim, só o homem existe já que as outras coisas não podem sair dos seus limites. Existir é “estar no mundo “ . O mundo não são as coisas, a natureza. O mundo pode ter vários sentidos: a totalidade dos entes ; aquilo que “ vive um existir fáctico “ ; e o mundo como denominação de “ mundanidade “. O homem não vive isolado no mundo. O mundo do Dasein é um mundo comum. Estar no mundo é estar com os outros. Heidegger distingue dois modos diferentes de estar no mundo: a existência inautêntica e a existência autêntica. Na existência inautêntica o homem vive de trivialidades e banalidades. Esta existência é uma decadência ou queda. O homem vive perdido no mundo. Na existência autêntica o existir supera essa trivialidade e encontra-se a si mesmo. Perante a angústia provocada pelo nada e pela aceitação da morte como possibilidade humana, o homem reage superando-se a si mesmo e projectando-se no futuro. Para Heidegger as características que definem a estrutura do “ ser aí “ são: a existencialidade, a facticidade e a decadência. Consciente da sua existência o “ Ser aí “ humano encontra-se no mundo sem saber como nem porquê ( facticidade ). Tendo que tomar uma decisão opta ou, por uma vida autêntica “ dominando a angústia e procurando ser mais ou cai na trivialidade quotidiana e na mundanidade ( decadência ou queda ).

  • Método fenomenológico

 

O método utilizado por Heidegger para explicar o sentido do ser é fenomenológico. Fenómeno é uma palavra derivada do grego que significa aquilo que se mostra, que aparece.. A realidade está no mundo em que se vive e não no mundo suprassensível ou ideal.

  • Verdade

 

A verdade está no desvelar do “Ser aí “. O verdadeiro é o que corresponde ao efectivamente real ou seja o não estar encoberto do Ente. A verdade é a verdade do Ser. Para que tal aconteça o “ Ser “ tem de “ estar aí “ e existir. Para Heidegger não há verdades eternas pois para isso teria de se provar que existe a eternidade.

  1. CONCLUSÂO

Heidegger pertence à corrente existencialista do século XX da qual fizeram parte Jaspers e Jean Paul Sartre. É um filósofo de difícil compreensão pois utiliza um estilo linguístico cheio de repetições verbais, de sufixos e prefixos, de imagens e metáforas que dificultam a interpretação do seu pensamento. Heidegger põe de lado tudo o que toca a racionalismo ou idealismo. A Metafísica não tem lugar no seu pensamento e é substituída pela interpretação fenomenológica do Ser. Um dos seus maiores erros foi ter aderido ao nacional socialismo hitleriano do qual nunca se demarcou. A frase que passo a transcrever é elucidativa da sua forma de pensar : “ o Homem enquanto ser racional do tempo do iluminismo não é menos sujeito que o homem que se concebe como nação, que se quer como povo que se cultiva selectivamente como raça e finalmente que se autoriza como o senhor do globo terrestre”. Finalmente a sua teoria do ser pra a morte e para o nada, não traz ao homem qualquer orientação ou sentido para a sua existência.

 

publicado por pontodemira às 21:24
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