Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2016

O NOME DE DEUS É MISERICÓRDIA

 

1-Saiu recentemente e encontra-se à venda nas livrarias o livro “ O Nome de Deus é Misericórdia” . Este livro que tem como figura central o Papa Francisco divide-se em duas partes distintas: na primeira parte o Papa Francisco responde a perguntas da jornalista Andrea Tornielli e o tema é a Misericórdia; na segunda parte o Papa Francisco torna pública a Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia e deseja a todos que a lerem Graça, Misericórdia e Paz.

Quando se fala em Misericórdia verificamos que ela tem em primeiro lugar dois rostos: um divino e outro humano. A Misericórdia divina é o seu expoente máximo pois Deus ama, acolhe e perdoa indiscriminadamente todas as pessoas que a Ele recorrem e se mostram arrependidos. A Misericórdia de rosto humano é aquela que todos podem praticar no dia a dia abrindo o coração aos infelizes. À volta da palavra Misericórdia gravitam outras palavras ou expressões que lhe completam o sentido: amor, perdão, justiça, fraternidade e compaixão. Assim a Misericórdia é ao mesmo tempo amor e fraternidade para com o nosso próximo, saber perdoar e sofrer com o sofrimento dos outros. A Misericórdia vai ainda mais além que a justiça. Como diz o Papa Francisco” A justiça é mais justa com a Misericórdia, realiza-se realmente a si mesma. Isto não significa ser indulgente no sentido de abrir as portas das prisões a quem está manchado de crimes graves. Significa que devemos ajudar a levantar aqueles que caíram. É difícil pôr em prática, porque por vezes preferimos fechar alguém numa prisão durante uma vida inteira em vez de tentar recuperá-lo, ajudando-o a reinserir-se na sociedade” (pag 86,87 ).

Para os fariseus a justiça estava no cumprimento rigoroso da Lei desprezando todos aqueles que consideravam pecadores incluindo os leprosos cuja doença era entendida como um castigo de Deus. A estes Jesus definia-os como “ sepulcros branqueados “ que viviam acorrentados à Lei mas descuravam o amor. Também a classe sacerdotal ignorava a Misericórdia e um bom exemplo disso está na parábola do bom samaritano. Um homem foi assaltado e espancado pelos ladrões e jazia à beira da estrada entre a vida e a morte. Passou um sacerdote qua ao avistá-lo se deslocou por outro lado. O mesmo se passou com um levita que fez exactamente o mesmo. O homem veio finalmente a ser salvo por um samaritano que teve compaixão dele e o levou para uma hospedaria onde deixou dinheiro ao hospedeiro para o tratar devidamente. Os Samaritanos eram pessoas que os judeus desprezavam e não viam com bons olhos. E no entanto foi o samaritano que usou de misericórdia com um ferido que necessitava de ajuda.

Numa homilia em Santa Marta o Papa disse “ Pecadores sim, corruptos não “ . A jornalista perguntou então ao Papa que diferença existia entre pecadores e corruptos. O Papa explicou que o pecador se arrepende, pede perdão e reconhece que necessita de misericórdia. O corrupto por sua vez é aquele peca e não se arrepende, aquele que peca e finge ser cristão e com a sua dupla vida provoca escândalo. O corrupto não conhece a humildade, não sente a necessidade de ajuda, leva um vida dupla. O corrupto tem sempre a cara de quem diz “ Não fui eu “. A cara a que a minha avó chamava “ cara de santinho “ ( pag 86,88 )

 

2-Na Bula da Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia o papa Francisco diz que a arquitrave que suporta a vida da Igreja é a misericórdia. Por isso deve ir às periferias ajudar, apoiar os que mais necessitam. A primeira verdade da Igreja é o amor de Cristo e acrescenta “ na nossa paróquia, nas comunidades, nas associações- em suma onde houver cristãos- qualquer pessoa deve poder encontrar um oásis de misericórdia”.

Para os fundamentalistas e legalistas da Religião judaica o jejum e os sacrifícios tinham um peso enorme. O Papa Francisco baseando-se nas profecias de Isaías(58,6-11) e Oseias (6,6) e ainda nos ensinamentos de Jesus Cristo ( Mat 9,13) diz-nos que o mais importante é a prática das obras de misericórdia corporais e espirituais. Também para os confessores deixa bons conselhos tais como acolher os fieis como o pai na parábola do filho pródigo, serem mais dialogantes e menos interrogativos não devendo fazer perguntas impertinentes. Ainda se está longe de algumas correntes que advogam que a confissão auricular deveria ser facultativa e só para os casos de pessoas que precisam de aconselhamento e de desabafar com o sacerdote..

O Papa termina a sua Bula dizendo: “ Neste Ano Jubilar, que a Igreja se faça eco da Palavra Deus que ressoa, forte e convincente como uma palavra e um gesto de perdão, apoio, ajuda, amor. Que a Igreja se faça voz de cada homem e mulher e repita com confiança e sem cessar: Lembra-te, Senhor, da tua misericórdia e do teu amor, pois eles existem desde sempre “

publicado por pontodemira às 19:46
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