Domingo, 14 de Outubro de 2012

A IGREJA CATÓLICA: OPINIÕES E ATITUDES DIFERENTES

 Portugal vive um período difícil em que a austeridade está a sufocar as classes médias e baixas. É natural que os cidadãos venham para a rua mostrar o seu descontentamento. Também não é de estranhar que se façam greves e os trabalhadores se manifestem contra os cortes salariais demasiado severos de que estão a ser vítimas. É sobre este cenário de instabilidade e de injustiça social que eu gostaria de citar dois nomes destacados da Igreja: D. Januário Torgal e o senhor cardeal patriarca D. José Policarpo. O primeiro impressionou-me pela forma dura e mordaz como atacou os políticos chamando-os corruptos. E não se ficou por aqui. Utilizando uma linguagem metafórica designou alguns de “diabinhos negros”. O segundo ao pronunciar-se sobre a actual crise espantou-me pelos comentários que fez e se situam nos antípodas do primeiro. O senhor D. Policarpo disse que é contra as manifestações porque com elas não se resolvem os problemas do país. É verdade que é com o esforço e a boa vontade do Governo que os problemas se resolvem. Mas as manifestações são um direito que os cidadãos têm de mostrar o seu descontentamento. E de levarem o Governo a reflectir, sobretudo quando uma grande maioria se pronuncia contra as medidas propostas. Muitos dirão que o Governo não pode agradar a todos e que há medidas que por vezes se têm de tomar quando o país se encontra em risco de ruptura financeira. Mas sempre que está em causa a dignidade das pessoas há limites que não podem ser ultrapassados. Sabemos pelos órgãos de comunicação social que há muitas pessoas a passar fome e outras da classe média a gerir muito bem o dinheiro para fazerem face às despesas do dia a dia. O senhor cardeal patriarca terá certamente constatado que o Governo foi obrigado a recuar, o que não teria acontecido se os cidadãos cruzassem os braços e não se tivessem manifestado. É verdade que o recuo se traduziu numa operação de cosmética pois foi pior a emenda que o soneto. A diminuição dos escalões do IRS vai traduzir-se num aumento substancial dos impostos atingindo de maneira considerável a classe média. Fazendo as contas, antes do recuo do Governo as alterações da TSU não melhoravam as receitas do Estado pois havia uma transferência do dinheiro dos que pagavam mais ( trabalhadores ) para os empresários . Agora com o agravamento do IRS haverá mais dinheiro para o Estado sendo os pensionistas os mais atingidos por estas medidas. De qualquer maneira as manifestações são um sério aviso para o Governo que é obrigado a ponderar e a reflectir. O poder representativo de que fala o senhor cardeal patriarca, não é um sistema perfeito pois nas eleições quase sempre o partido que ganha engana o eleitorado com promessas que depois não vem a cumprir. Assim aconteceu com o primeiro ministro Passos Coelho que fez exactamente o contrário do que prometeu. A Igreja não deve fazer política nem apoiar este ou aquele partido. Mas tem a obrigação de criticar o está mal e de estar do lado dos que sofrem e dos marginalizados. Na Constituição Pastoral “ Gaudium et Spes “ pode ler-se o seguinte: “ as excessivas desigualdades económicas e sociais, que se dão entre os membros ou os povos da única família humana causam escândalo e são contrários à justiça social, à equidade, à dignidade da pessoa humana e à paz social internacional. “ E mais adiante diz que a Igreja deve “ proferir um juízo moral mesmo em matérias que dizem respeito à ordem política, quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exijam “ Penso que nos tempos que correm estes conselhos são pertinentes e actuais. A Igreja tem de estar sempre do lado dos que sofrem e são muitos neste momento. Não pode estar contra as manifestações e remeter tudo para o Poder Representativo que é formado por elementos que por vezes mentem ao eleitorado. Se a Igreja virar as costas a estes problemas estará a meter o Evangelho na gaveta e a contribuir para que cada vez mais cristãos se afastem da Igreja. Felizmente ainda há muitos cristãos que não têm medo de dizer a verdade mesmo quando têm de afrontar o Poder Político.

 

 

Francisco José Santiago Martins

publicado por pontodemira às 20:45
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