Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

TEORIAS POLÍTICAS- MAQUIAVEL

1-BIOGRAFIA

Maquiavel nasceu em 1469 perto da cidade de Florença. Era filho de um jurista e pertencia à baixa nobreza. Com a proclamação da República em 1494 o monge Savonarola instituiu um governo teocrático. Governando de forma ditatorial começou a reprimir os vícios e a criticar os poderosos e endinheirados. Devido aos excessos cometidos Savonarola acabou por morrer na fogueira em 1498. Logo a seguir Maquiavel assumiu as funções de secretário da segunda chancelaria florentina e efectuou várias missões diplomáticas no estrangeiro. Com a queda da república e o regresso dos Médicis ao poder, Maquiavel caiu em desgraça. Retirou-se da política e aproveitou o tempo para reflectir e escrever.

De todos os livros que escreveu o mais importante é sem dúvida “ O Príncipe “ ,considerado por muitos a sua obra prima. Como nutria grande simpatia por César Bórgia é nele que se inspira para enumerar as qualidades de um príncipe. Maquiavel viveu em plena época do renascimento. Foi contemporâneo de grandes artistas: Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci, Ticiano e outros. A Itália estava fragmentada em várias Cidades-Estados e Maquiavel que era um grande patriota desejou a sua unificação. Ao escrever o livro “O Príncipe “ dedicou-o a Lourenço de Médicis, pensando que daí pudesse obter algum proveito, mas tal não veio a acontecer.

2-ANÁLISE POLÍTICA

Para desenvolver o seu pensamento político utilizou o método histórico-empírico. Assim, parte da leitura e comparação de personalidades da História Antiga e Contemporânea para  estudar cientificamente os fenómenos políticos e  daí tirar ensinamentos de ordem prática. Aos  factos que não se podiam conhecer antecipadamente ou predeterminar  Maquiavel designa por “ fortuna “  ;  aos que resultam da acção humana consciente e firme ele dá o nome de “ virtù “ . A formação de um Estado não é obra do acaso mas devido à valentia e ao carácter  de homens fortes ( virtù “ )

a-Regimes políticos

Maquiavel apresenta uma classificação bipartida dos regimes (Todos os Estados, todos os senhorios que tiveram e têm autoridade sobre os homens, foram e são repúblicas e principados “)

Para Maquiavel o Estado deve ser laico e a religião não se deve imiscuir na política.  Também não se deve reger por imperativos éticos ou morais, como acontecia na Idade Média. Para se conquistar ou conservar  um Estado vale tudo, mesmo cometer as maiores atrocidades. 

b-Qualidades que deve possuir um príncipe

Arte da guerra, disciplina e organização militares.  (  Os príncipes perdem os seus Estados quando se dedicam mais às voluptuosidades do que à guerra . )

 

Ser calculista- ( Tem de aprender a não ser bom e a servir-se ou não dessa faculdade de acordo com a precisão ).

Ser sensato- ( para evitar a infâmia dos vícios capazes de lhe fazer perder os seus Estados )

 Ser parcimonioso   (é mais prudente suportar o ápodo de somítico, que engendrar má fama sem ódio, do que, por querer reputação de liberal, incorrer forçosamente na de ganancioso, que engendra má fama com ódio .)

Ser cruel- ( é mais seguro ser temido do que amado, se só puder ser um deles; ao apoderar-se de um país, o ocupante deve pensar  em todas as crueldades que precisa fazer e praticá-las imediatamente, de uma vez)

Ser manhoso e forte- ( é necessário ser raposa para conhecer as armadilhas e leão para meter medo aos lobos )

Ser fingido- ( será proveitoso fingir-se compassivo, fiel, humano, íntegro e religioso )

Ser realista- ( não se afastar do bem se puder, mas enveredar pelo mal se for necessário.)

c-conselhos ao príncipe

Evitar ser odiado ou desprezado  (  o que o pode tornar mais odiado é pilhar os bens e tomar à força as mulheres dos seus súbditos, actos de que se deve abster. Se um príncipe é considerado inconstante, leviano, efeminado, pouco corajoso e irresoluto, torna-se desprezível .)

Evitar o ódio do povo ( a melhor cidadela possível é não seres odiado pelo povo, pois embora tenhas fortes, quando o povo te odeia , eles não te salvarão )

Evitar a neutralidade  ( também merece estima o príncipe que é verdadeiramente amigo ou inimigo, isto é, sem hesitar, se declara a favor de alguém contra outro. Este partido é sempre muito  mais proveitoso do que ficar neutro )

Saber escolher os secretários e os ministros ( A primeira conjectura que se faz acerca de um príncipe e da sua mentalidade baseia-se nos homens que o rodeiam. Se são suficientes e fiéis, podem considerá-lo sensato )

Ser reservado e fugir aos lisonjeadores (  deve escolher no seu Estado pessoas sensatas que serão as únicas às quais concederá a liberdade de lhes dizer a verdade, mas somente a verdade acerca do que lhes perguntar )

3-CONCLUSãO :

Para Maquiavel, quem queira conquistar o poder, todos os meios são lícitos para atingir os fins. O que conta é a razão de Estado e não os princípios éticos ou morais.

O livro “ O Príncipe, nada mais é do que um manual prático de preparação de déspotas.

Maquiavel foi também o político que pela primeira vez utilizou a palavra  Estado.

Ainda hoje se utiliza a expressão maquiavélico como sinónimo de astuto, manhoso , traiçoeiro terrível.

 

 FRANCISCO MARTINS

publicado por pontodemira às 21:26
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