Sábado, 23 de Abril de 2011

JESUS DE NAZARÉ ( 2º Volume ) de Joseph Ratzinger

 

 

No 2º volume do livro Jesus de Nazaré , escrito por Joseph Ratzinger, actual papa Bento XVI, é feita uma descrição dos últimos dias de Jesus, desde a entrada em Jerusalém até à Ressurreição. Irei tentar fazer uma síntese dos principais temas abordados no livro mas reconheço que não vai ser fácil dado que se trata de uma obra de profunda densidade teológica. No prefácio do livro, Bento XVI  explica quais vão ser as linhas orientadoras do seu trabalho dizendo que utilizará uma hermenêutica da Fé, através das principais palavras e acções de Jesus. O Papa põe assim de lado uma interpretação histórico -crítica pois pensa que este método já deu o essencial que tinha para dar.

Este livro, que acabou de sair há pouco tempo, contribuiu para o aprofundamento da minha fé em Jesus Cristo ,mas considero também, que, tendo como autor um grande teólogo e intelectual, não é de leitura acessível para toda a gente. Ao longo de nove capítulos Bento XVI articula os textos canónicos do Novo Testamento ( os Evangelhos sinópticos, o evangelista João, cartas de S.Paulo) e também alguns do Antigo Testamento ( Isaías e Salmos ), para deles nos dar uma ideia o mais fiel possível do Jesus da Fé.  Às dúvidas e às questões que o comum das pessoas e os críticos levantaram acerca de Jesus, o Papa respondeu através de um raciocínio rigoroso e com base na autenticidade dos textos da tradição cristã.

a-Purificação do Templo

O que significa a expressão de Jesus quando diz : Destruí este Templo e em três dias Eu o levantarei “

Com a morte e ressurreição de Jesus morre o templo dos sacrifícios e das imolações e nasce um novo templo que é o Seu corpo. Assim “ a crucifixação de Jesus é ao mesmo tempo a destruição do templo antigo . Com a Ressurreição começa uma maneira nova de venerar a Deus. “

Será Jesus um revolucionário ao expulsar os vendilhões do Templo?

 Jesus no Templo curou os cegos e os coxos. Deste modo contrapõe ao comércio dos animais e aos negócios com dinheiro a sua bondade que cura. Esta é a verdadeira purificação do Templo. Jesus não vem como destruidor; não vem com a espada de revolucionário ; vem com o dom da cura.

b-O discurso escatológico de Jesus

Após a purificação do Templo Jesus pronuncia o seu discurso escatológico em que anuncia a destruição do Templo, a destruição de Jerusalém e o Juízo Final e do Fim do Mundo. Pelo escritor judeu Flávio Josefo sabe-se que no ano de 66 começou a Guerra Judaica que foi simultaneamente uma guerra contra os romanos e também entre as correntes judaicas rivais sob orientação dos seus líderes. No ano de 70 o Templo é finalmente destruído. Apesar da destruição do Templo e de Jerusalém ter sido uma realidade que  a História veio confirmar, o Papa vai mais longe quando afirma que a oratória de Jesus não tem em vista as acções exteriores da guerra e da destruição, mas sim o fim em sentido histórico-salvífico do Templo que se tornará um deserto. Quanto ao Fim do Mundo ele só poderá chegar quando o Evangelho for levado a todos os povos. Lendo Mateus (24,29,30 ) pode pensar-se que Jesus tinha ligado o fim de Jerusalém ao fim do mundo. Mas Marcos ( 13,10 ) não deixa dúvidas a este respeito pois nele pode ler-se “ Mas antes disso ( fim do mundo ) deve proclamar-se o Evangelho a todas as nações “

c-O lava-pés

O lava-pés deve ser considerado como um acto de Jesus que veio para servir e não para ser servido. A religião judaica era constituída por um sistema de actos rituais que tinham em vista a libertação das impurezas provocadas pelo pecado. Mas Jesus frisou que a Pureza e a Impureza nada têm a ver com o corpo mas com o coração do homem. O Papa associa também o lava-pés com o sacramento da confissão em que Deus pelo seu amor nos purifica do pecado.

d-A oração sacerdotal

Depois do lava-pés vem a oração de Jesus. Segundo Bento XVI que segue de perto o evangelista João, Jesus aborda na sua oração 4 temas :

1º A vida eterna

“ Esta é a vida eterna; que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo , a que Tu enviaste ( Jo 17,3 )

O Papa esclarece que a vida eterna significa vida no sentido mais próprio e verdadeiro, a qual pode ser vivida neste tempo e contra a qual, depois já nada pode fazer a morte física. É esta que interessa: abraçar desde já a vida, a vida verdadeira, que já não pode ser destruída por nada nem por ninguém.

O evangelista João distingue muito bem a vida biológica ( bios) da vida verdadeira a que permanece para lá da morte(  zoe ).

2º Consagração e consagrar

Jesus  diz:” Consagra-os na Verdade. A Tua palavra é a Verdade. Eu consagro-Me por eles, para que também eles sejam consagrados de verdade. “ A este respeito o Papa  esclarece: O Pai consagra o Filho e envia-O ao mundo ; o Filho consagra-se a Si mesmo e pede que, a partir da sua consagração sejam consagrados na Verdade. Estão aqui implícitos 3 tipos de consagração: A encarnação de Jesus enquanto filho de Deus ; o seu sacrifício na Cruz e que o tornou presente na Eucaristia de todos os tempos e a consagração dos discípulos aos quais cabe a missão de divulgar o Evangelho.

3º Revelação do nome de Deus

“ Dei-lhes a conhecer o Teu Nome  ( Jo 17,26 ) “

Como diz o Papa “ Em Jesus Deus entra totalmente no mundo dos homens : quem vê  Jesus vê o Pai “

4º Unidade dos discípulos de Jesus

“ Que todos sejam um só  ( Jo, 17,21 ) “

Há aqui um apelo claro à unidade dos discípulos que será uma garantia da Fé em Jesus Cristo. Como diz  Bento XVI, a Igreja nasce da oração de Jesus. E acrescenta ainda “ aos discípulos cabe conduzir o mundo para fora da alienação em que vive o homem relativamente a Deus e a si próprio, a fim de que o mundo volte a ser de Deus, e o homem, unido a Deus, volte a ser ele próprio “

e- A Última Ceia

Para os evangelistas sinópticos a Última Ceia foi mesmo uma Ceia pascal e celebrou-se numa quinta-feira. Jesus foi preso e condenado à morte na noite de quinta para sexta-feira. A morte de Jesus deu-se pela hora nona ( 3 da tarde ). Sábado repousou no sepulcro e no primeiro dia da semana ( domingo ) Ressuscitou. O evangelista João ao contrário dos sinópticos não apresenta a Última Ceia como Ceia Pascal. A Páscoa festejou-se do entardecer de sexta-feira para o entardecer de sábado. Por isso a ceia de quinta-feira com os discípulos não foi uma ceia pascal.( O Papa acha mais provável a cronologia Joanina pois seria pouco concebível que a execução de Jesus tivesse lugar no dia da festa pascal. )

Associada à Última Ceia está também a instituição da Eucaristia. Diz o Papa que a “ mensagem de Jesus começa claramente com a oferta do Reino ; o “não “ de Israel terá suscitado a nova fase da história da salvação, de que fazem parte a morte e a ressurreição do Senhor e a Igreja dos gentios . Quanto à teologia das palavras da instituição ( Isto é o meu Corpo, que vai ser entregue por vós. Isto é o meu sangue da Aliança que vai ser derramado por  muitos “ Bento XVI diz o seguinte : “ Jesus dá a vida sabendo que a retoma na ressurreição. Assim pode instituir o sacramento em que se torna o grão de trigo que morre e em que através dos tempos, se distribui a Si mesmo aos homens na verdadeira multiplicação dos pães. Finalmente e sobre a Eucaristia dominical o Papa esclarece que “ aquilo que a Igreja celebra na Missa não é a Última Ceia ,mas o que o Senhor na Última Ceia instituiu e confiou à Igreja : o memorial da sua morte sacrificial .

f-Gétsemani

No jardim das Oliveiras Jesus reza angustiadamente e suplica : “ Abbá, Pai, tudo Te é possível ; afasta de mim este cálice . Mas não se faça o que Eu quero e sim o que Tu queres. “

Parece que estão aqui em confronto duas Vontades : A vontade natural do homem Jesus que suplica ao Pai para o livrar daquele sofrimento e a vontade do Filho que se abandona totalmente à vontade do Pai . A este propósito surge uma heresia cristológica denominada “ monotelismo “ que afirma não poder existir na Pessoa de Jesus duas vontades. Uma pessoa com duas vontades seria esquizofrénica.  O papa responde a esta questão citando o teólogo bizantino Máximo, o Confessor ( 662 ) que diz:

A vontade humana, segundo a criação tende para a  sinergia ( cooperação ) com a vontade de Deus, mas que por causa do pecado, a sinergia  transformou-se em oposição. O drama do Monte das Oliveiras consiste no facto natural do homem ser reconduzida por Jesus da oposição ( a Deus ) à sinergia ( cooperação ) restabelecendo o homem na sua grandeza. “

g-O Processo de Jesus

Jesus quando expulsou os vendilhões do Templo é acusado de ter atacado um lugar sagrado e de ter posto em causa a Tora ,livro que orientava a vida dos judeus. Foi também acusado de blasfémia ao proclamar-se messias, Filho de Deus. A blasfémia era punida com a pena de morte. Esta pena ,porém , só podia ser aplicada pelos romanos. Por isso foi levado à presença de Pilatos . As questões religiosas pouca importância tinham para Pilatos e eram irrelevantes para a condenação de Jesus. Mas a realeza messiânica era um delito político punido pela justiça romana. Só que Jesus respondeu a Pilatos que o seu Reino não era deste mundo e por isso não encontrou qualquer razão para o condenar. Pressionado pelos judeus ainda pôs a hipótese de uma amnistia pascal colocando a escolha entre Barrabás e Jesus. Mas os judeus preferiram a libertação de Barrabás. Apesar de saber que Jesus estava inocente e não era um revolucionário político Pilatos condenou Jesus pois teve medo de perder a sua carreira e os favores do imperador. Uma  questão que Bento XVI coloca é a de saber se foi o povo de Israel enquanto tal  que condenou Jesus à morte. A este respeito não há qualquer dúvida que foi a aristocracia do Templo a responsável pela morte de Jesus. Mesmo quando se opta pela libertação de Barrabás é uma massa de apoiantes e não o povo judeu no seu conjunto que toma essa opção.

h-Crucifixão e  deposição de Jesus no sepulcro

Na Cruz Jesus não clama por vingança mas pede perdão : Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem “. Depois de ser escarnecido Jesus exclama : “ Meu Deus, meu Deus por que Me abandonaste “ . Será que Deus abandonou Jesus ? O Papa diz que não se trata de um brado de abandono. Jesus recita o grande Salmo de Israel sofredor e, deste modo, assume em Si todo o tormento não só de Israel, mas igualmente de todos os homens que sofrem neste mundo pela ocultação de Deus. Depois de repartirem as vestes dão vinagre a beber a Jesus. O  “ Tenho sede “ é como diz o Papa um brado dirigido a cada um de nós. A resposta é muitas vezes um coração azedo que não quer saber do amor de Deus.

As mulheres e a mãe de Jesus permaneceram junto da Cruz até que José de Arimateia recolheu o corpo e o depositou no sepulcro da suas propriedade. Enquanto os romanos não retiravam os corpos da cruz, segundo o direito judaico eles deviam ser retirados no mesmo dia. E foi o que se fez.

A morte de Jesus deverá ser entendida como reconciliação ( expiação ) e salvação. Aqui o Papa formula uma pergunta que provavelmente muita gente faz: Não será cruel um Deus que exige uma expiação infinita ? Bento XVI responde: O que sucede não é que um Deus cruel venha pedir algo de infinito mas precisamente o contrário. O próprio Deus apresenta-Se como lugar de reconciliação e, no Seu Filho carrega sobre Si o sofrimento. O próprio Deus introduz no mundo, sob a forma de dor, a pureza infinita. O próprio Deus bebe “o cálice” de tudo o que é temível e, assim, restabelece o direito por meio da grandeza do seu amor, o qual através do sofrimento, transforma a escuridão.

i-A Ressurreição de Jesus da morte

O que vem a ser a Ressurreição ?  Diz Bento XVI que não se trata da reanimação de um cadáver nem do regresso à vida normal com sucedeu a Lázaro. Para explicar a Ressurreição de Jesus o Papa serve-se de dois tipos de testemunhos : a tradição sob a forma de profissão de Fé e a tradição sob a forma de narrativa. Enquanto no primeiro caso as testemunhas são homens: _Cefas, os Doze ,Tiago e todos os Apóstolos no segundo são as mulheres que dão testemunho do Ressuscitado. A explicação para isto talvez resida no facto de, “ na tradição judaica, só os homens serem aceites como testemunhas em tribunal ; a palavra das mulheres era considerada não credível “

O sepulcro levanta dois tipos de questões. Será que o sepulcro vazio prova a Ressurreição de Jesus? O evangelista João diz que Maria de Magdala o encontrou vazio e supôs que alguém tivesse levado o corpo de Jesus. Como diz Bento XVI o  sepulcro vazio não pode demonstrar a Ressurreição. Se Jesus jazia no sepulcro podia ter ressuscitado ? Embora para alguma concepção de ressurreição seja irrelevante o destino do cadáver a verdade é que como diz o Papa, citando Thomas Soding e Ulrich Wilken  , na Jerusalém de então o anúncio da ressurreição teria sido absolutamente impossível se pudesse referir o cadáver jacente no sepulcro “

As aparições de Jesus nos Evangelhos levam Bento XVI a concluir o seguinte:

-Jesus não  voltou à existência empírica, sujeito à lei da morte

-Os encontros com o Ressuscitado são uma realidade distinta das experiências místicas: são encontro com o Vivente que de um  modo novo , possui um corpo e permanece corpóreo.

-Jesus não é, como os discípulos temiam um fantasma, um espírito, mas tem carne e ossos.

Já na parte final do capítulo o Papa lança uma pergunta sobre o modo como Deus se revela ao Mundo

Por que se revelou Deus só a Israel e não de modo indiscutível a todos os povos da Terra ?

É próprio do mistério de Deus agir deste modo suave. Só pouco a pouco é que ele constrói a grande história da humanidade, a sua história. Torna-Se Homem, mas de modo a poder ser ignorado pelos contemporâneos, pelas forças respeitáveis da história. Padece e morre e como Ressuscitado quer chegar à Humanidade, através da Fé dos seus, aos quais se manifesta, sem cessar .Ele bate suavemente às portas dos nossos corações e, se lhas abrirmos, lentamente vai-nos tornando capazes de ver.

j-Subiu aos Céus, onde está sentado à Direita do Pai, e de novo há-de vir em sua Glória

O fecho do livro termina com as Perspectivas.

Quando Jesus subiu ao Céu numa nuvem foi sentar-se à direita do Pai. O que significa isto?

Deus não se encontra num espaço ao lado de outros espaços . Deus é Deus- Ele é o pressuposto e o fundamento de todo o espaço existente, mas não faz parte dele. A relação de Deus com todos os espaços é a de Senhor e Criador. A sua força não é espacial mas precisamente divina. Sentar-se à direita do Pai significa participar na soberania própria de Deus sobre todo o espaço.

Esta foi a súmula que foi possível fazer de um livro que se recomenda e vale a pena ler.

 

Francisco Martins

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por pontodemira às 21:12
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1 comentário:
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