Sábado, 12 de Fevereiro de 2011

A revolução no norte de África

 

A  África é sem dúvida o continente onde há mais instabilidade social e política Não é fácil manter a unidade , num clima de paz , em países de grande diversidade cultural, religiosa e étnica. Todos estes factores contribuem para que ditadores militares, ou civis sem escrúpulos se apropriem do poder por tempo indeterminado. Muitos deles servem-se da riqueza do Estado em benefício próprio, no mais completo desprezo pelo povo que vive na miséria.

 

O primeiro país a vir para a rua em sinal de protesto foi a Tunísia. As imagens de televisão mostraram-nos milhares de jovens, muitos deles com cursos universitários, que reclamam emprego e melhores condições de vida. Sabe-se que os bens essenciais como o pão subiram consideravelmente e a fome começou a fazer parte do quotidiano, perante  a insensibilidade dos governantes.  A onda de protesto foi de tal ordem que o presidente Bem Ali, incapaz de controlar a situação não teve outro remédio senão fugir.

 

No Egipto a revolução veio também para a rua. O presidente Mubarak, outro ditador que se encontrava no poder há  quase 30 anos, apesar  de ter resistido, durante alguns dias, acabou por sair. Embora neste país se tenham feito algumas obras de desenvolvimento, a verdade é que também aqui subsistem os problemas derivados do desemprego e do aumento do custo de vida. Tal como na Tunísia a juventude não vê qualquer perspectiva de esperança no futuro. Na praça Tahrir no Cairo  vêem-se  todos os dias milhares de pessoas que não arredam pé e lutam por um Estado mais democrático e mais atento aos problemas dos cidadãos.

 

Estas duas revoluções poderão ser o rastilho que propague o fogo a outros países de África e do  Médio Oriente. Em regime ditatorial e de violação grave dos direitos humanos podemos citar entre outros os seguintes Estados :  Líbia, Argélia, Sudão, Síria, Jordânia, Arábia Saudita, Iémen e Mauritânia. Os chefes de Estado destes países ou são monarcas ou ditadores que se mantêm no poder há longos anos e põem e dispõem sem dar cavaco ao povo que não é tido nem achado nas políticas governativas. Até parece que estamos ainda na Idade Média em que o Rei era considerado um representante de Deus na  Terra e não tinha que dar satisfações a ninguém.

 

A História diz-nos que os períodos de repressão e de ditadura acabam quase sempre por criar uma nova ordem política e institucional. O caminho mais lógico seria a transição para um regime democrático e de respeito pelos Direitos do Homem. Mas infelizmente não aconteceu assim no Irão onde a queda do rei deu origem a uma república teocrática em que a Lei islâmica ( sharia ) domina e controla todos os actos do Estado. Aqui não há lugar para o cristianismo nem para outras confissões religiosas. O cidadão muçulmano que se converta  a outra religião é acusado de apostasia e pode ser condenado  à morte. A liberdade de expressão de pensamento é outro direito que não existe no Irão. Estamos assim confrontados com um regime altamente opressor e fundamentalista.

 

Será uma incógnita adivinhar como vai evoluir a situação política na Tunísia e no Egipto. Sabemos que no Egipto existe um partido denominado Irmandade Muçulmana  com ramificações em 70 países muçulmanos. Este partido, segundo reportagem da Revista Visão, já se fez ouvir na praça Tahrir com gritos de “ Alá é grande “ e ainda com palavras de ordem contra a América e Israel. Há também um homem que foi Nobel da Paz 2005 e se chama Mohamed El Baradei, que poderá formar um governo de unidade nacional e até encaminhar o país para uma verdadeira democracia. Resta saber quem terá mais força numas eleições livres e democráticas. Esta é uma situação que irá preocupar os países livres do Ocidente nomeadamente a UE e os EUA.

O Estado de Israel irá também acompanhar com ansiedade a situação no Norte de África. Se já tinha um inimigo declarado que era o Irão a partir de agora poderão ter que defrontar um número maior. Tudo depende como a situação política evoluir Esperemos que prevaleça o bom senso e que  a UE e os Estados Unidos ajudem a Tunísia e o Egipto numa transição pacífica para a democracia.

 

Francisco José Santiago Martins

 

publicado por pontodemira às 21:12
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.posts recentes

. Os incêndios florestais (...

. Os grandes filósofos: Mar...

. Os Grandes filósofos: Ben...

. Os incêndios florestais

. O Euro- como moeda única ...

. O Papa Francisco peregrin...

. O terrorismo

. As baboseiras do Sr. Jero...

. Bandarra: profetismo mes...

. A Ordem Mundial

.arquivos

. Outubro 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Setembro 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Outubro 2014

. Julho 2014

. Maio 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

blogs SAPO

.subscrever feeds