Sábado, 29 de Janeiro de 2011

RESCALDO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

 

As últimas eleições presidenciais vieram novamente confirmar que um presidente em funções tem todas possibilidades de ser reeleito. Foi o que aconteceu também desta vez e o resultado não me surpreendeu pois estava dentro das minhas previsões. Cavaco Silva ganhou as eleições embora só 1 em cada 4 portugueses tenham votado nele. A abstenção foi elevada pois quase 54% dos eleitores não foram votar. Significativo foi também o número de votos em branco e nulos que totalizaram mais de 277 mil . Estes resultados mostram, por um lado, o desinteresse e a desmotivação dos que não foram votar e também a revolta e o protesto dos que votaram em branco e nulo. A política desceu muito baixo e parece não haver líderes carismáticos que entusiasmem os portugueses levando-os em massa a votar.

 

A campanha presidencial foi muito pobre e não se debateram ideias, projectos ou programas para o país. A maior parte dos candidatos gastaram mais tempo a atacar o actual presidente e a vasculhar a sua visa privada do que a explicar o que fariam se ganhassem as eleições. E aqueles que adiantaram o que pretendiam fazer quase sempre fugiram do âmbito das competências presidenciais.

A vantagem de Cavaco Silva, sobre o 2º candidato mais votado, Manuel Alegre, não deixou margem para dúvidas. No entanto não podemos dizer que o vencedor é o presidente de todos os portugueses pois que votaram nele apenas pouco mais de 2 milhões de eleitores, ou seja 46,5 % . O candidato que mais me surpreendeu foi José Manuel Coelho dado que sem grande apoio, ainda assim , conseguiu perto de 190 mil votos, tendo obtido na Madeira uma votação expressiva. Manuel Alegre ficou muito aquém das expectativas e a sua candidatura serviu apenas para dividir os socialistas, não conseguindo captar os votos do centro-esquerda. Não é com discursos agressivos e abordando casos pessoais, do foro judicial, que se consegue cativar os eleitores. A vitimização pode até ser uma arma a favor da pessoa atingida.  Não chego a perceber por que é que o caso BPN e das acções de Cavaco Silva na SLN não foi despoletada há uns anos atrás e foi reservada para a campanha eleitoral procurando através deles tirar proveitos políticos. Fernando Nobre não tendo apoios partidários conseguiu também um bom resultado. Defensor Moura que polarizou  a sua acção quase ao Norte do país , no seu reduto de simpatizantes, não poderia pensar em grandes voos e foi o que aconteceu. Francisco Lopes centrou o seu discurso nas políticas erradas do Governo, como se estivesse em eleições legislativas e não atingiu  o número de votos que o PC desejaria.

 

Encerrado o período eleitoral era bom que o Presidente da República reeleito e o primeiro-ministro José Sócrates pensassem nas voltas que se hão-de dar para tirar o país do fosso em que caiu. E não vai ser nada fácil. No discurso que Cavaco Silva fez na noite da vitória eleitoral não foi nada feliz verberando duras críticas aos que o atacaram durante a campanha . Isto poderá gerar um clima de crispação com o Governo e fragilizar a capacidade de mediação do Presidente da República, numa altura em que é necessário congregar todos os esforços para sair da crise. Para salvar o país da ruptura financeira são necessárias medidas urgentes, reduzindo e simplificando serviços e instituições, cortando ainda mais nas despesas supérfluas e nos vencimentos escandalosos. Esperemos que nos tempos mais próximos haja um rigoroso cumprimento orçamental e  se consiga activar o crescimento económico. Sem esses objectivos não nos iremos livrar do FMI, com todas as consequências negativas no aumento do desemprego, nos cortes salariais e das regalias sociais. Para se atingirem metas positivas só com um Governo de coligação ou então terá que se partir inevitavelmente para eleições legislativas antecipadas. O que os portugueses mais desejam é que os partidos se entendam no que é essencial para o país. Sem isso não se vai a lado nenhum.

 

FRANCISCO JOSÉ SANTIAGO MARTINS

publicado por pontodemira às 17:46
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