Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

A OBSESSÃO DOS OBJECTIVOS NA FUNÇÃO PÚBLICA

 

1-Num artigo publicado no Semanário Expresso, Fernando Madrinha trata entre outros assuntos da forma pouco correcta como são fixados os objectivos aos Gestores e aos Polícias. Para os Gestores, ultrapassar os objectivos é uma maneira descarada e fácil de enriquecimento. Para as empresas como a EDP e outras que têm o monopólio do mercado ou fazem cartel para estabelecer os preços ao consumidor não é muito difícil atingir os objectivos a que se propõem. Uma questão que se coloca desde já é a de saber se trabalhar bem implica necessariamente os ordenados e as compensações verdadeira- mente escandalosas que sem qualquer pudor são atribuídas.

O dr. Mexia diz que a culpa não é dele mas dos accionistas que estabelecem os prémios  em função dos objectivos a conseguir. Toda a gente sabe que os accionistas também são parte interessada pois quantos mais lucros uma empresa tiver maiores são os dividendos  a distribuir. Mas  como o Estado também é accionista poderia muito bem dar o exemplo e pôr cobro a estes exageros.  Ou então aumentar os impostos de maneira a reduzir os lucros para importâncias aceitáveis.

 

2-Quanto aos polícias é uma verdadeira vergonha que para progredirem na carreira tenham de aplicar um certo número de multas, de prender umas tantas pessoas ou de apreender umas quantas viaturas.  Na verdade parece que o que está em causa não é prevenir e evitar as transgressões mas sim actuar de forma repressiva para extorquir dinheiro e aumentar as receitas do Estado. Os agentes da polícia  são assim levados a agir de forma implacável não havendo qualquer tolerância mesmo para as faltas mais leves.  É o que vulgarmente se chama “caça à multa”.

 

3-Mas infelizmente existem mais casos em que os objectivos são fixados de forma cega. Ainda há bem pouco tempo os funcionário públicos progrediam na carreira pelo decurso do tempo.  Tal procedimento estava errado pois não permitia distinguir os funcionários cumpridores dos laxistas e desinteressados. Muitos faltavam ao serviço por tudo e por nada e limitavam-se a picar o ponto à entrada e à saída. Mas agora passou-se para o outro extremo. Há dias, em conversa com um amigo, soube que nas Conservatórias do Registo Civil e Predial os objectivos são fixados de uma maneira absurda e na maioria das vezes impossíveis de cumprir. Marcam-se, por exemplo, umas tantas Partilhas e Casas Prontas para fazer durante um ano. Mas como cá fora existe a concorrência dos Notários e ao público interessado é dado escolher o balcão que mais lhe convenha pode muito bem acontecer que os objectivos impostos às Conservatórias não sejam atingidos por falta de número. Não se trata pois de não querer fazer o serviço que foi pré-estabelecido, que nalguns casos até é impossível de cumprir dentro de um horário normal, mas de não haver interessados em quantidade suficiente. Sendo assim, os funcionários teriam que vir para a rua convencer as pessoas a dirigirem-se aos balcões das Conservatórias ,onde até se paga menos que nos Notários. Para os responsáveis da administração pública já não interessa a qualidade do serviço prestado mas a quantidade. Mais do que isso, o que está em causa e salta à vista é travar a progressão na carreira ao maior número possível de funcionários.

 

4-A função dos inspectores é precisamente reduzir as notas de  muito bom e excelente ao mínimo possível. É que também eles irão ser avaliados em função da quantidade de notas medianas que atribuírem. No meio disto tudo os que se safam são os que têm amigos na política e possam dar uma ajuda para subirem mais alto. A avaliação do mérito e da qualidade do trabalho produzido ficará nas gavetas a  aguardar melhores dias.

 

FRANCISCO  MARTINS

publicado por pontodemira às 17:37
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