Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

DE TUDO UM POUCO: maus exemplos no jornalismo e na política

1-Compreendo que as televisões queiram aumentar as audiências. Admito que os jornalistas queiram cativar leitores e contribuir  para uma maior projecção dos jornais onde trabalham. Mas isso não pode ser feito de qualquer maneira porque nem sempre os fins  justificam  os meios.  Há normas éticas e princípios deontológicos que um profissional que se preze deve cumprir. Suscitar intrigas e ódios para atacar pessoalmente alguém que se quer abater politicamente são actos a todos os títulos reprováveis.

As escutas telefónicas, que estão na ordem do dia, extravasam tudo aquilo que se possa imaginar. A devassa da vida privada e a violação constante dos direitos individuais estão a transformar a Justiça num autêntico pântano. Ninguém é responsável de nada e ninguém faz nada para que o segredo de justiça seja na prática cumprido. Os jornalistas também são em parte responsáveis pois publicam tudo aquilo que lhes vem à mão sem fazer uma triagem selectiva da documentação que recebem.

O crime de subversão do Estado de Direito de que o primeiro-ministro foi acusado pelos magistrados do tribunal de Aveiro, caiu por terra por não existirem provas concretas. José Sócrates negou tudo e as conversas telefónicas entre dois amigos do primeiro-ministro nada provaram. Dizem ainda os juristas e especialistas na matéria que o crime designado por “subversão do Estado de Direito” é muito vago e difícil de provar.

Afastada esta hipótese subsiste ainda para alguns o aspecto político que o caso envolve. A questão que se coloca é a de saber se houve ou não algumas interferências da parte do governo para a PT comprar a TVI.  José Sócrates já esclareceu que  não teve conhecimento de qualquer negócio nesse sentido e as conversas telefónicas não passam de meros indícios sem qualquer fundamento.

Se a parte criminal deste processo foi afastada peremptória e inequivocamente quer pelo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça quer do Procurador Geral da República., não há razões para que os jornalistas persistam em levantar suspeitas. O mesmo se passa se o processo for visto pelo lado da responsabilidade política. As conversas apontam para simples indícios sem qualquer prova conclusiva.  E sem provas não pode haver acusação e o ónus pertence sempre a quem acusa. Deste modo, o processo deveria pura e simplesmente ser arquivado até haver fundamentos sérios que justifiquem a sua reabertura. Se tal não acontecer está a pôr-se em causa a honra e a dignidade das pessoas  e a desacreditar a democracia. É certo que um jornalista tem todo o direito de expressar livremente o seu pensamento e de criticar qualquer político de que não goste. O que não deve é servir-se da calúnia e da mentira como armas para abater alguém que não caia na sua simpatia.

 

2-Enquanto Portugal se debate com uma enorme crise económica e financeira é triste ver os políticos entretidos a explorar casos pessoais em vez de se voltarem para resolução concreta dos problemas do país. Seria bom que cada um dos candidatos do PSD que vai a eleições apresentasse propostas ou projectos para melhorar a governação do país. De retórica estamos todos fartos.

Por outro lado um político só se credibiliza se for coerente com aquilo que diz e afirma. Ainda há pouco tempo atrás quando perguntaram ao dr.Rangel se ia candidatar-se à liderança do PSD ele afirmou categoricamente que não. Explicou que tinha um mandato a cumprir no Parlamento Europeu para o qual tinha sido eleito. Mas passado pouco tempo não foi difícil dar o dito por não dito  e aí o temos na corrida à liderança. Os compromissos que assumiu para com os eleitores que o elegeram ficaram assim adiados “ sine die “ . Estas atitudes em nada dignificam a democracia e estão muitas vezes na origem da larga percentagem de abstenção que se verificam nos actos eleitorais.

 

FRANCISCO  MARTINS

 

publicado por pontodemira às 19:04
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