Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

A IGREJA EM FOCO

A RELIGIÃO EM FOCO

1-Num texto  publicado no jornal “ Público “, Frei Bento Domingues dá conta que os casamentos católicos estão a baixar para números alarmantes, segundo dados estatísticos recolhidos nos meios de comunicação social. A situação é tão grave que avança para uma pergunta inevitável : Casamentos católicos em vias de extinção ?

O número reduzido de casamentos pela Igreja não é novidade para ninguém. A legislação que o Partido Socialista pretende aprovar no Parlamento parte da instabilidade da vida familiar como um facto real, facilitando os divórcios e dando às uniões de facto o estatuto de verdadeiro casamento. Pelo rumo que as coisas estão a tomar não me admiro nada que muito em breve até os casamentos civis sejam cada vez em menor número. Sinais dos tempos !

Na Igreja católica não são só os casamentos que estão a diminuir. O número de pessoas que frequentam as missas dominicais tem vindo também a baixar e a juventude quase não frequenta a igreja. Conviria analisar as causas que conduziram a esta situação. Penso que nas famílias de hoje há pouco tempo para dialogar e muito menos para falar de Deus. Se os pais que se dizem católicos não levam os filhos à igreja não estão a contribuir para uma educação integral nem a ser coerentes com a sua fé. Quando os pais que foram baptizados se afastam da Igreja não é de admirar que os filhos façam o mesmo. Depois, como já anteriormente referi é necessário que os padres saiam da sacristia e contactem e convivam com os jovens, incutindo-lhes os valores cristãos do amor, da solidariedade e da inter-ajuda por forma a cativá-los para a catequese e para o conhecimento de Deus.  Vejo com agrado que há muitos jovens que voluntariamente colaboram nas instituições de solidariedade social. Este é um bom exemplo que conduz a um verdadeiro cristianismo, que não deve ficar apenas nas palavras mas se deve concretizar em acções.

Voltando ao casamento católico, infelizmente, há pessoas que o fazem por mera fachada, para parecer bem e dar nas vistas. Ora, ou as pessoas acreditam e assumem aquilo que fazem ou então é preferível não recorrerem ao matrimónio como sacramento. Isso será um mau exemplo que apenas serve para salvar as aparências.

Frei Bento Domingues levanta ainda uma questão muito pertinente. Se a celebração do matrimónio pode e deve ser uma festa isso não implica que se converta numa exibição de riqueza real ou aparente. Seria pois uma boa ocasião para a Igreja propor aos ricos a partilha com os pobres dos gastos exagerados. Os Encontros de Preparação Para o matrimónio deviam pois fazer uma pedagogia nesse sentido. Aqui está uma sugestão a ter em conta e a seguir pelos casais que se dizem cristãos.

 

2-A figura da semana foi Saramago pela polémica que levantou na apresentação do livro “ CAIM “ .  O escritor declarou entre outras coisas que a bíblia é um “ manual de maus costumes “ e um” catálogo de crueldades” . A reacção da Igreja foi frouxa e merecia um esclarecimento mais completo para não deixar ficar as pessoas na dúvida.

José Saramago tem com certeza algum mérito literário como escritor pois não é a qualquer um que é atribuído o prémio Nobel. Dos livros que escreveu li apenas o “ Memorial do Convento “ mas não me agradou a forma como escreve. Gosto de um português bem pontuado com vírgulas, pontos finais e parágrafos. Aprecio Eça de Queirós, Aquilino Ribeiro, Miguel Torga e os clássicos universais- Dostoievski, Tolstoi, Tomas Man, Hemingway- mas detesto as novas modernices literárias. Quando um escritor ateu, como Saramago, se mete a criticar temas que ultrapassam a sua esfera de competênciem, só pode sair asneira.

A bíblia é um conjunto de 73 livros escritos por vários autores em épocas diferentes e nela vamos encontrar quase todos os géneros literários: mito, saga, poesia, romance, carta , evangelho e história. Há dois modos de ler a bíblia : a literalista, fundamentalista e a que procura descobrir o verdadeiro significado do texto através da sua interpretação ( hermenêutica ) e  da contextualização.  Para as Testemunhas de Jeová e de certos movimentos Pentecostais norte-americanos tudo o que está na bíblia deve ser lido à letra. Ora, a criação que vem no Génesis não se compagina com os dados da ciência que nos diz que o Mundo e o Homem são o produto de uma longa evolução.  Sendo assim muitos dirão que a bíblia está a mentir. Só que o autor do Génesis utiliza uma linguagem simbólica que  podemos classificar de mito. Deste modo o que se pretende mostrar é que Deus está na origem de tudo o que foi criado. Ele é o criador de todas as maravilhas do Universo. A bíblia não é um livro de ciência mas de fé. Frei Bernardo Ventura ( 1) no seu livro “ Roteiro da Bíblia “ ( pag.55 ) diz o seguinte:  “ A ciência tem o dever de continuar a sua investigação acerca do “ cosmos “ da criação; a fé tem o dever de continuar a afirmar e aprofundar a sua reflexão  acerca de “quem” é o criador ; só isto. E mais à frente acrescenta :  “ Se algum dia a ciência chegar a identificar o momento da zero da criação, a fé poderá então, também ela, identificar o momento  “ zero menos um “ da intervenção de Deus.”  À pergunta, quem somos, donde vimos e para onde vamos , a bíblia responde que somos de Deus, vimos de Deus e vamos para Deus. “

Quando Saramago diz que o Deus do Antigo Testamento é rancoroso, vingativo e cruel, está a fazer uma interpretação literalista e fundamentalista da bíblia. Esquece que a cultura judaica vê em Deus a causa e origem do bem e do mal. A doença era considerada um castigo de Deus quando alguém pecava. Todas essas pessoas eram segregadas da sociedade e não podiam entrar no Templo. Jesus com o mandamento do Amor veio inverter essa lógica do pecado-castigo e pôs as coisas no seu devido lugar. Depois é preciso não esquecer que a bíblia é  a História do povo de Israel e das suas vicissitudes, com momentos de glória (chegada à Terra Prometida ) e de provações ( exílio da Babilónia ). O Antigo Testamento deve pois ser visto como uma interpretação teológica da História. Deus está com o seu povo nos bons e maus momentos e nunca o abandona. Pena é que Saramago descontextualize a narrativa para atacar despudoradamente Deus. O Padre Carreira das Neves compara-o a um Gato Fedorento pronto a fazer humor com coisas sérias. Só que com essa atitude está a agredir e  a afrontar cristãos e católicos.

Tendo a bíblia páginas de rara beleza onde Deus se afirma na História com compaixão e misericórdia por que é que Saramago vai explorar precisamente aquilo que é contra a essência de Deus, ou seja a vingança, o rancor e a crueldade ? Por que é que tantas vezes se vai inspirar na bíblia para escrever os seus livros ?   Diria que Saramago é um Dan Brown ( do Código Da Vinci ) à portuguesa..   Sabe que este filão lhe dá dinheiro e explora-o até ao tutano. Depois prepara meticulosamente as apresentações dos livros e debita frases provocatórias que as televisões sabem muito bem tirar partido nos seus programas..   E com isto está a fazer publicidade gratuita e a acirrar a curiosidade das pessoas que desta forma sentem necessidade de ler o livro. Trata-se pois de uma técnica para fazer dinheiro.

Costumo dividir os ateus em dois grupos:  do primeiro fazem parte aqueles que encaram a religião com indiferença e não se preocupam com ela ;  ao segundo pertencem os que passam a vida a atacar Deus e a fazer prosélitos, como se eles, ateus ,fossem inteligentes e os outros estúpidos. É neste grupo que se encaixa  Saramago. Para mim é mais inteligente dar um sentido à vida do que cair no pântano do nada e do absurdo.

 

FRANCISCO MARTINS

 

1- Roteiro de Leitura da Bíblia- Frei Fernando Ventura, Editorial Presença

 

FRANCISCO  MARTINS

 

 

 

publicado por pontodemira às 12:45
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