Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2009 ( Balanço )

 

1-As eleições legislativas 2009 deixaram desiludidos os militantes e simpatizantes do PSD. Embalados pelo êxito das Eleições Europeias pensaram que não seria difícil repetir a proeza e tomar conta dos destinos do país. Mas em política as previsões nem sempre saem certas pois o eleitorado tem” razões que a razão desconhece”.

Pessoalmente sempre acreditei que o PS iria ganhar as eleições. O meu raciocínio assentava em dois pontos: em primeiro lugar as eleições legislativas nada tinham a ver com as Eleições Europeias. A  abstenção nestas eleições foi elevada e os que votaram quiseram inequivocamente dar um aviso ao primeiro-ministro José Sócrates ; em segundo lugar a afluência às urnas nas legislativas iria ser maior e os indecisos acabariam por dar o voto ao partido do governo e ao líder que se mostrou mais forte e convincente nos debates televisivos.

O Partido Socialista ganhou as eleições mas perdeu a maioria absoluta. Em relação às eleições de 2005 ficou com menos 24 deputados.  Para este resultado menos positivo contribuiu não só a crise económica, mas também o descontentamento de algumas reformas que o Governo implementou como é o caso da avaliação dos professores. O PS foi o mais votado e a ele compete governar se esse for entendimento do senhor Presidente da República.

O PSD embora tivesse conseguido mais votos e deputados do que nas legislativas anteriores ficou aquém da expectativas e desiludiu os seus apoiantes. Ninguém duvida que a drª Manuela Ferreira Leite tem bons conhecimentos de Economia e de Finanças, condição necessária mas não suficiente para ganhar eleições e poder governar. Falta-lhe, no entanto, a capacidade oratória para atrair e galvanizar pessoas e sem isso torna-se mais difícil credibilizar um projecto ou programa político. Ora, em política, é tão importante a ciência como a arte. Acontece que a arte é um dom que não está ao alcance de todos. De qualquer forma a direita não tem ainda peso suficiente para governar Portugal. Em tempo de crise o eleitorado confia mais nos partidos de esquerda pois vêm neles mais sensibilidade para a resolução dos problemas sociais.

O CDS mais uma vez surpreendeu pois conseguiu duplicar o número de deputados no Parlamento. Paulo Portas esteve muito bem nos debates e conseguiu os votos que em outra eleições terão ido provavelmente par o PSD. O seu plano de apoio a PMEs e a estratégia de retirar o rendimento mínimo aos que podem trabalhar para reforçar as pensões de reforma mais baixas, parece ter tido alguns resultados.

A quarta força política que também conseguiu duplicar o número de deputados foi o BE. Este partido tem vindo a crescer e a roubar votos à CDU.  Para o BE a raiz de todos os males está no Código de Trabalho que facilita e torna possível a precarização do emprego. Mas o desemprego não é apenas nosso mas é fruto da crise económica que se vive um pouco por todo o mundo. Francisco Louça não tem nenhuma varinha mágica para resolver este problema e tudo o mais é pura demagogia.

A CDU ficou em último lugar nas legislativas mas também cresceu em número de votos e de deputados. Jerónimo de Sousa é um homem simpático mas a ideologia marxista não consegue convencer muita gente e o comunismo é uma miragem que apenas subsiste em poucos países porque é imposto à força. As nacionalizações e a planificação da economia pelo Estado não são de maneira alguma o melhor processo para resolver a crise.

 

2-Feito este balanço ocorre inevitavelmente perguntar quem vai governar o País. Em princípio teremos um Governo minoritário do PS se o senhor Presidente da República indigitar, como tudo leva a crer, o actual primeiro-ministro José Sócrates para formar governo. Para haver uma coligação à esquerda teria que englobar o BE e a CDU e não vejo que isso seja possível. Um acordo ou entendimento com o CDS e com o PSD também não acho provável e desagradaria à ala mais à esquerda do PS. Sendo assim o PS terá que governar sozinho tal como aconteceu quando foi primeiro-ministro o Eng. Guterres. Para que os Orçamentos possam passar é necessária a abstenção do PSD e do CDS. Não me acredito que todos os partidos votem contra porque isso significaria a queda do Governo. Como não há alternativas à direita do PS o presidente da República teria que demitir o governo e convocar outra vez eleições. Isso não irá certamente acontecer. De qualquer forma um governo minoritário tem sempre as suas limitações pois não pode fazer as reformas de fundo que o país tanto necessita. A menos que consiga fazer acordos pontuais com outros partidos. Os tempos mais próximos são pois uma verdadeira incógnita e a situação pode ainda piorar se as relações institucionais entre o Presidente da República e o Primeiro-ministro se agravarem.  Há diplomas que foram vetados anteriormente -  lei do divórcio, uniões de facto e casamento de homossexuais -  e que vão ser agora aprovados facilmente pelos partidos de esquerda. O casamento de homossexuais já podia ter sido aprovado nesta legislatura quando o BE apresentou a sua proposta. Mas o PS quis puxar dos seus galões para não deixar ir os seus créditos por mãos alheias.

Vamos ver se nas medidas mais duras que é preciso tomar, os partidos de esquerda se vão todos entender. Não acredito, mas há que esperar para ver.

 

 

FRANCISCO MARTINS

 

publicado por pontodemira às 22:02
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