Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

A POLÍTICA COMO FAIT-DIVERS

 

1-Considero que José Sócrates foi um dos melhores primeiro-ministros do Portugal democrático que teve lugar a partir  do 25 de Abril. É um homem forte, corajoso e determinado, que não hesita nas reformas que tem de fazer mesmo as mais difíceis e controversas. Depois tem a vantagem de ser um bom orador e de transmitir e passar bem a suas mensagens. Talvez por isso os seus opositores  não lhe perdoem e vão criando nos órgãos de comunicação social uma onda de intriga e de ódio para o derrubar. Ora, uma coisa é um político ter ideias e bater-se por elas, outra é  a de não ter argumentos e enveredar pelo ataque pessoal.

 

2-Ao longo de meses foram muitos os factos que tiveram como objectivo criar um clima de suspeição à volta do primeiro-ministro José Sócrates: o diploma do curso, o caso Freeport e por último as suspeitas de escuta por parte dos assessores de Cavaco Silva.

Ainda há pessoas que pensam que para se fazer uma carreira política é necessário um diploma ( canudo ) universitário. Esquecem-se que Winston Churchil, um grande político inglês de que muitos já ouviram falar, não frequentou a Universidade. Neste grupo se situam ainda Jim Callagham ( Labour ) e John Major ( conservador ) que foram também primeiro -ministros em Inglaterra. As qualidades de cada um para a política estão na  capacidade intelectual e não no diploma académico.

 

O caso Freeport foi explorado nos jornais , revistas e televisões até à exaustão. A TVI no Jornal Nacional da responsabilidade de Manuela Moura Guedes envenenou a opinião pública com comentários e reportagens procurando sempre denegrir a imagem de Sócrates. Nunca vi o noticiário da TVI e por isso falo pelo que tenho ouvido e lido. De qualquer forma através do You Toube e de um email que me enviaram pude apreciar a entrevista que fez ao Bastonário da Ordem dos Advogados e fiquei siderado. Como é possível transformar uma entrevista no julgamento sumário de  uma pessoa como se a televisão fosse um tribunal. Se Manuela Moura Guedes é jornalista ( quando começou a carreira na RTP era uma simples apresentadora ) então não sabe respeitar os seus deveres deontológicos. Dizem os entendidos na matéria que a suspensão do programa foi ilegal pois o Conselho de Administração não tinha capacidade para a demitir.  A demissão de Manuela Moura Guedes até acabou por ser prejudicial ao Governo pois terá levado muita gente a pensar que tal aconteceu devido às críticas de Sócrates ao programa dessa jornalista. Se é certo que a liberdade de informação é fundamental em democracia também não podemos esquecer que um jornalista tem deveres que não pode alienar. Um deles é o de informar com rigor e isenção. Quem ataca despudoradamente pessoas ,sem provas fundamentadas, está a assassiná-las na sua dignidade e a prestar um mau serviço ao jornalismo.

 

Sobre as  suspeitas de escuta  aos serviços do Presidente da República apareceu recentemente um email enviado pelo assessor Fernando Lima ao director do jornal “ Público “. Esse email, não se sabe como, foi parar ao Diário de Notícias que o divulgou. E aqui rebentou a bomba do que parecia estar em segredo à espera de uma oportunidade  para publicação. A primeira decisão do Presidente da República foi de só falar depois das eleições.. Mas ao demitir há dias o assessor Fernando Dias veio criar um facto novo que PS e PSD interpretaram e exploraram cada um à sua maneira. Ambos se sentiram prejudicados e reclamaram uma justificação rápida do Prof. Cavaco Silva. E há razões para isso. Esta decisão foi extemporânea e vem acicatar mais as dúvidas que já existiam. É preciso esclarecer quanto antes os motivos que levaram à demissão do assessor para evitar especulações que só podem prejudicar o acto eleitoral.

 

3-Apesar de todos estes incidentes penso que o primeiro-ministro José Sócrates irá mesmo ganhar as próximas eleições que se vão realizar no dia 27. Se não fosse a avaliação dos professores, o descontentamento de alguns funcionários públicos e o número considerável de desempregados poderia mesmo obter uma maioria absoluta. As medidas legislativas que há pouco tempo foram vetadas pelo Presidente da República e que põem em causa os valores  tradicionais da família talvez não tenham tanta repercussão pois os princípios éticos deixaram de ter grande importância para muita gente, inclusivamente para os cristãos ou católicos não praticantes.

Não havendo maioria absoluta vai ser difícil governar partindo do pressuposto que não serão possíveis coligações, entendimentos ou acordos entre partidos. Sendo assim, as reformas e as medidas de fundo vão ser adiadas ,numa altura em que é preciso agir rápido para combater a crise. Se os partidos não fizerem cedências recíprocas para chegarem a um acordo, o país irá mergulhar num fundo sem saída. Esperemos que haja o bom senso para negociar e que os interesses do país sejam postos acima dos interesses partidários. É isso que todos desejamos.

 

 

FRANCISCO MARTINS

 

publicado por pontodemira às 23:32
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