Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Eleições Legislativas- os debates televisivos

 

 Os debates televisivos entre os principais líderes partidários pautou-se pelo equilíbrio.  Nenhum deles enviou o seu opositor ao tapete.  Todos levaram a lição bem estudada procurando através de dados estatísticos e de gráficos defender os seus pontos de vista ou baralhar o adversário.

Sócrates de uma maneira geral esteve bem em frente das câmaras de televisão. É capaz de transmitir e passar a sua mensagem de forma clara e compreensiva.  Consegue facilmente criar empatia com as pessoas que o estão a ver e a ouvir.  Nos debates televisivos procurou salientar os pontos positivos da sua governação e mencionou o que tenciona fazer nos próximos anos.  O aspecto mais negativo e que quase todos os partidos aproveitaram para  atacar, foi sem dúvida a avaliação dos professores. A fragilidade de Sócrates penso que está aqui.  E se juntarmos ao descontentamento dos professores o dos funcionários públicos, massacrados com objectivos que por vezes ultrapassam o que é humanamente exigível, as coisas agravam-se ainda mais.  Veremos se,o que vai pesar mais, são os aspectos positivos ou os negativos da sua governação.

 

Manuela Ferreira Leite é uma pessoa séria e competente que sabe muito de economia mas falta-lhe o carisma que um político deve possuir para convencer o eleitorado.   As imagens de televisão dão-nos uma pessoa rígida, tensa e incapaz de sorrir.  Como não tem facilidade de expressão é mais difícil passar a sua mensagem. De qualquer forma defende bem os seus pontos de vista e explora como pode as fraquezas do seus adversários.  Como ponto negativo há que salientar a inclusão na lista de deputados do dr. António Preto e os elogios que fez a Alberto João Jardim.  Quanto ao primeiro caso se é certo que enquanto não houver sentença com trânsito em julgado se deve presumir a inocência, manda a ética que sempre que haja fortes suspeitas de crime os candidatos devem ser os primeiros a retirar as candidaturas. Como se costuma dizer “ em política o que parece é. “   E passemos agora ao segundo caso polémico.  Ninguém nega que o dr. Alberto João Jardim fez obra na Madeira e foi eleito por sufrágio democrático. Mas os meios que utiliza não são os mais honestos.  Há jornais na Madeira que são pagos pelo governo para dizerem bem do PSD e do seu líder. Há também toda uma rede de caciques e uma clientela política a apoiar e a sustentar o governo. Se alguém não concordar com a política do dr. Jardim certamente que vai ser descriminado no acesso aos cargos públicos . Ora, sem liberdade de expressão não pode haver uma verdadeira democracia. Quando se diz que há uma asfixia democrática na Madeira não se está a inventar nada. Toda a gente vê isso menos a drª Manuela Ferreira Leite.

O Programa que Manuela Ferreira Leite apresenta ao eleitorado é muito vago e não dá para entusiasmar ninguém. As parcerias privadas na Saúde podem ter alguma utilidade como solução provisória mas o que realmente interessa é melhorar os hospitais públicos e dotá-los de todas as valências de forma que os mais pobres não sejam descriminados.

Como irá ser a avaliação dos professores se o PSD ganhar as eleições ?  Só sei que quando Manuela Ferreira Leite foi ministra da educação, no governo de Cavaco Silva,  a contestação dos alunos universitários subiu ao rubro devido à discordância em relação às propinas. Por isso a experiência que tem no domínio da educação não abona nada a seu favor.

 

Francisco Louçã procurou tirar partido do descontentamento de milhares de trabalhadores que estão desempregados. Atacou o Código do Trabalho e a precariedade do emprego como causa da situação que se vive nas empresas. Só que por melhor que seja o Código de Trabalho não consegue evitar a deslocalização das empresas. Infelizmente a flexibilidade do trabalho não se verifica só em Portugal mas um pouco por todos os países europeus.  A nacionalização da GALP e da EDP poderiam ser uma vantagem se os lucros fossem aproveitados para baixar os preços dos combustíveis e da electricidade. Só que a economia não é nenhuma ciência exacta e ninguém nos garante que as coisas se iriam passar desta maneira. O corte nas despesas de saúde e de educação para efeitos de IRS, que Louçã recomenda,  parece-me altamente gravoso para a classe média. A menos que queira nivelar por baixo o rendimento de  todas as pessoas. Para isso devia dar o exemplo e  começar por propor uma redução do seu ordenado.

 

Jerónimo de Sousa esteve mais calmo e sereno na televisão do que nos comícios onde a sua agressividade é maior. Tal como Louçã o seu cavalo de batalha é o Código de Trabalho. Propõe ainda a nacionalização da Banca Comercial e das Seguradoras. Sendo marxista aposta numa economia planificada e provavelmente numa sociedade sem classes.  A ideia de tributação dos prémios e indemnizações milionárias seria uma medida boa que o próximo governo deveria acolher.

 

Paulo Portas procurou demarcar-se do PSD e mostrar que é diferente. A fiscalização do rendimento mínimo, retirando do sistema os que têm capacidade para trabalhar pode não ter grande aplicabilidade dado que as ofertas de trabalho são escassas e ninguém vai ficar agarrado a um subsídio de miséria se puder ganhar mais. Defendeu também a criação de mais polícias para garantir a segurança dos cidadãos. Ao contrário do PSD entende que devem ser reduzidos os impostos, introduzindo um coeficiente familiar no IRS e simplificando os escalões.

 

Os debates televisivos foram importantes para clarificar ideias e saber com que podemos contar se o PS ou o PSD formarem governo.  Mas a experiência diz-nos que raramente os políticos honram os seus compromissos eleitorais. Por isso a drª Manuela Ferreira Leite apresenta um programa vago que lhe permita mais campo de manobra sem trair o que prometeu. De qualquer forma o que vai decidir as eleições não são os debates televisivos nem os cartazes que abundam por todo o lado.  O que vai decidir tudo é o juízo e a avaliação que os eleitores fizerem do governo de José Sócrates.  Se entenderem que governou bem irá certamente ser reeleito. Caso contrário será a drª Ferreira Leite a assumir a governação. A ver vamos.

 

FRANCISCO  MARTINS

 

 

publicado por pontodemira às 18:50
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