Sábado, 18 de Abril de 2009

DOM NUNO ÁLVARES PEREIRA

                                  

1-Dom Nuno Álvares Pereira terá nascido provavelmente em Cernache do Bonjardim no ano de 1360. Era filho do prior do da Ordem do Hospital, D. Álvares Gonçalves Pereira e de Iria Gonçalves do Carvalhal. Dom Nuno viria a casar com uma dama nobre e viúva , D.Leonor de Alvim. Desse casamento nasceu uma filha D.Beatriz que viria a casar com Afonso filho de D.João I e 1º duque de Bragança dando assim origem à Casa da Bragança.

Nuno Álvares Pereira foi armado cavaleiro muito cedo e ainda jovem começou a ouvir falar e a ler livros de lendas e narrativas medievais como o Santo Graal e os Cavaleiros da Távola Redonda. Não admira que queira imitar Galaaz e outros heróis de cavalaria em voga na época. Impelido pelo seu fervor patriótico vai gastar um longo período da sua vida na luta pela independência de Portugal. Quando a pátria já não precisava dele abandonou o mundo e abraçou a vida religiosa vindo a falecer em 1 Abril de 1431 que curiosamente era dia de Páscoa

 

2- Com a crise de sucessão criada pela morte do rei D.Fernando, Portugal vai entrar em guerra com Castela. O povo não gosta da regente D. Leonor Teles  mulher de D.Fernando, nem tampouco aceita a governação do rei de Castela. A arraia miúda e as corporações apoiam entusiasticamente D. João Mestre de Avis que se torna líder da revolução. Aqui surge Dom Nuno Álvares Pereira que se coloca incondicionalmente ao lado do Mestre de Avis e é nomeado condestável.

Nuno Álvares vem a revelar-se durante a revolução de 1383-85 um grande estratega. Venceu sempre os castelhanos em situação de desigualdade numérica. Sabia escolher e tirar proveito do terreno onde combatia aplicando sempre a táctica que melhor convinha. O cronista Fernão Lopes, historiador imparcial sempre preocupado em narrar a verdade , traça o seguinte retrato de Dom Nuno:  “ E ordenou el-rei que o fosse o seu mui leal e fiel servidor Nun’Álvares Pereira, havendo àquele tempo vinte e quatro anos e nove meses e doze dias, conhecendo dele que era de honestos costumes e mui avisado nos autos da cavalaria. ….. Como a estrela da manhã, foi claro em sua geração, sendo de honesta vida e honrosos feitos, no qual parecia que que reluziam os avisados costumes dos antigos e grandes varões “

Na guerra não deixava que tratassem mal os prisioneiros. Era humano e não mostrava cobiça pelas coisas que apreendia em combate. Não deixava que os seus soldados incendiassem searas ou pilhassem as povoações castelhanas por onde passavam.

 

3-Como prémio do seu reconhecimento, o rei D.João I doou-lhe inúmeras terras e cumulou-o de privilégios e honrarias. Quando Dom Nuno começou a distribuir senhorialmente as terras pelos seus companheiros de armas surgiram conflitos com o rei que alarmado com a riqueza de alguns procurou por todos os meios centralizar o poder.

Agastado com as coisas do mundo e após a morte da mulher tornou-se frade carmelita e ingressou no Convento do Carmo que ele próprio fundou em cumprimento de um voto. Começou assim uma nova vida de devoção e de entrega total a Deus.

Nuno Álvares Pereira foi beatificado em 1918 pelo papa Bento XV e vai no próximo dia 26 de Abril ser canonizado pelo papa Bento XVI. Agora é a Igreja que vai premiar e reconhecer  a sua bondade e as suas excelsas virtudes. Para terminar volto a referir Fernão Lopes que na Crónica de D.João I diz o seguinte do condestável: “Havia compaixão dos pobres e minguados, não os deixando padecer injúria; e a sua larga mão sempre era prestes a dar, onde quer que a sua humanal honra ou espiritual proveito conseguia seu dom.”

 

FRANCISCO MARTINS

 

 

 

 

publicado por pontodemira às 22:45
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